Ceratite

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O que é ceratite?

A ceratite é a inflamação da córnea que pode ser provocada por uma lesão ou infeção originada por vírus, bactérias, fungos ou parasitas, onde os sinais e sintomas mais frequentes são a dor nos olhos que pode ir de moderada a forte, a fotofobia (sensibilidade à luz), a vermelhidão e o ardor nos olhos, a visão turva, entre outros. Os termos “ceratomalacia” e “queratite” são também utilizados, por vezes, para nos referirmos à ceratite.

A ceratite ocular quando tratada de forma correta e atempada, habitualmente, evolui de forma favorável sem qualquer perda de visão, contudo, em alguns casos, a ceratite pode levar a complicações graves, como é exemplo a inflamação crónica da córnea, úlcera de córnea, edema da córnea, redução temporária ou permanente da capacidade de visão, entre outras.

A ceratite, geralmente, afeta apenas um olho (ceratite unilateral), mas em determinadas situações ambos os olhos podem ser afetados (ceratite bilateral). Em alguns casos, a doença pode afetar apenas um dos olhos (esquerdo ou direito) e mais tarde ocorrer a transmissão da doença para o outro olho, originando doença nos dois olhos.

Causas de ceratite

Em relação às causas, a ceratite pode ter uma origem infeciosa, ou seja, uma infeção provocada por um vírus, como é exemplo o vírus do herpes simples ou, então, ser originada por bactérias, fungos ou parasitas. A ceratite infeciosa é a principal causa de ceratite. Estes agentes podem encontrar-se um pouco por todo o lado, como por exemplo na água - particularmente nos oceanos, rios, lagos e banheiras de hidromassagem. A contaminação da água ou dos produtos químicos presentes na água, tais como os utilizados nas piscinas podem irritar a córnea e enfraquecer o tecido da superfície da córnea (epitélio), provocando ceratite.

Em caso de ocorrência de uma lesão na córnea, se um objeto tocar a superfície da córnea ou provocar uma lesão, pode resultar daí um infeção. A lesão pode permitir que as bactérias ou fungos “tenham acesso” à córnea através da superfície lesionada, causando ceratite infeciosa.

A ceratite infeciosa provocada por contaminação das lentes de contacto também é muito frequente, uma vez que os vírus, as bactérias, os fungos ou parasitas podem contaminar as lentes ou as caixas de armazenamento das lentes. Posteriormente, a córnea pode tornar-se contaminada quando as lentes de contacto forem colocadas nos olhos, resultando em ceratite infeciosa. Um parasita microscópico chamado de acanthamoeba é um dos responsáveis pela contaminação frequentemente das lentes de contacto.

A ceratite também pode ser causada por outros distúrbios que afetam a superfície ocular, como a xeroftalmia, por exemplo na síndrome de Sjögren ou em pessoas que por alguma razão não conseguem pestanejar ou fechar os olhos ao dormir.

A ceratite traumática tem como causas traumas ou agressões externas, como por exemplo um contacto acidental com substâncias tóxicas.

A ceratite medicamentosa surge na sequência de alergias a medicamentos, como a que acontece em consequência da utilização de determinados colírios.

A exposição prolongada à luz ultravioleta sem proteção (óculos de sol, por exemplo) também é capaz de agredir e provocar a inflamação da córnea.

Algumas doenças auto-imunes, como é exemplo a artrite reumatóide, podem também estar na origem da ceratite ocular.

A ceratite pode também surgir como uma das complicações de algumas doenças dos olhos, designadamente após uma conjuntivite.

Saiba, aqui, tudo sobre conjuntivite.

São fatores de risco para contrair uma ceratite:

  • Uso de lentes de contato: o uso prolongado de lentes aumenta o risco de contrair uma ceratite infeciosa ou não infeciosa;
  • Imunidade reduzida: se o seu sistema imunológico está enfraquecido devido a alguma doença ou medicamentos, terá um risco acrescido de desenvolver ceratite;
  • Clima quente e húmido: perante um clima quente e húmido, o risco de desenvolver ceratite aumenta;
  • Uso de corticóides: O uso de colírios de corticoides, muitas vezes, utilizados para tratar uma doença dos olhos pode aumentar o risco de desenvolver ceratite infeciosa ou piorar eventuais ceratites existentes;
  • Lesão ocular: Os doentes que tiveram uma lesão na córnea no passado, então possuem um risco acrescido para desenvolver ceratite ocular;
  • História de ceratite: os doentes com história de ceratite (tiveram a doença no passado) têm um risco acrescido de desenvolver a doença.

Tipos de ceratite

Podemos identificar, os seguintes tipos de ceratite:

Ceratite vírica

A ceratite vírica ou viral é um tipo de ceratite causada por um vírus (infeciosa). Existem diferentes tipos de vírus capazes de originar uma ceratite. Entre os mais comuns, encontra-se o vírus do herpes simples do tipo 1, como descrevemos, de seguida.

Ceratite herpética

A ceratite herpética é um tipo de ceratite muito frequente, causada pelo vírus herpes, principalmente em infeções por herpes simples do tipo 1 ou pelo herpes zoster.

O herpes simples do tipo 1 é também o responsável pelo herpes labial (no lábio) que é bastante frequente entre a população mundial. A ceratite herpética é a forma mais frequente do herpes ocular. O herpes ocular nesta forma, habitualmente, afeta apenas a camada superficial ou epitélio da córnea e geralmente é tratado sem complicações.

Este tipo de ceratite é caraterizada por uma dor nos olhos que pode ser forte ou intensa.

Saiba, aqui, tudo sobre herpes ocular.

Ceratite bacteriana

A ceratite bacteriana é um tipo de ceratite causada por bactérias. Como principais causas para o desenvolvimento de ceratite bacteriana encontra-se a utilização de lentes de contacto de forma intensiva. O risco de desenvolver esta patologia aumenta entre 10 a 15 vezes quando existe uma utilização continuada de lentes de contacto.

Uma grande maioria das infeções ocorre devido a má utilização das lentes, ou seja, os doentes não cumprem as orientações de manutenção e troca das lentes estabelecidas.

Entre as bactérias mais frequentes na ceratite bacteriana encontram-se as seguintes: Staphylococcus aureus, Estafilococos coagulase-negativa, Pseudomonas aeruginosa, Corynebacterium, Streptococcus, Micobactérias.

Ceratite fúngica

A ceratite fúngica é um tipo de ceratite causada por fungos. Entre os fungos que podem desencadear a ceratite fúngica encontram-se os seguintes tipos: Fusarium, Aspergillus, Candida.

Ceratite não infeciosa

A ceratite também pode ter origem não infeciosa. Um exemplo de ceratite não infeciosa é a desenvolvida por traumatismos, agentes irritantes, através da utilização de colírios que possuem irritantes para os olhos, etc. Veja mais informação em causas de ceratite.

Ceratite micótica

A ceratite micótica ou ceratomicose é uma infeção da córnea normalmente ulcerativa (úlcera de córnea) em que os agentes causadores são fungos (etiologia fúngica).

A presença de fungos representa uma constante ameaça para o olho. Estes fungos podem provocar infeções oculares graves, fundamentalmente, em casos de baixa imunidade, trauma ocular e uso abusivo de medicamentos como imunossupressores ou antibióticos tópicos.

Este tipo de ceratite se não for tratada adequadamente e em tempo útil, pode provocar uma acentuada diminuição visual e, em casos extremos, levar à cegueira total e até perda do globo ocular.

Ceratite intersticial

A ceratite intersticial é um tipo de ceratite em que toda a córnea está envolvida no processo infecioso.

Ceratite punctata

A ceratite puntata ou punctata é um tipo de ceratite em que apenas o epitélio corneano está envolvido, como se tratasse de micro úlceras corneanas.

Ceratite filamentar (filamentosa)

A ceratite filamentar ou ceratite filamentosa é um tipo de ceratite em que as células superficiais da córnea se desprendem (filamentos) causando pequenas úlceras que podem provocar bastante dor ocular e os filamentos estão muito aderentes a essas úlceras de córnea.

As pessoas que padecem de olho seco têm um risco acrescido de vir a desenvolver ceratite filamentar.

Ceratite dendrítica

Designamos por ceratite dendrítica quando existe uma infeção subsequente. A ceratite dendrítica é caracterizada por um padrão de lesões na córnea que se assemelham aos ramos de uma árvore e são normalmente causadas pelo herpes simplex.

Ceratite bolhosa

Na ceratite bolhosa ocorre edema corneano estromal, acompanhado de bolhas epiteliais e subepiteliais devido à perda de células endoteliais ou alterações da junção das células endoteliais. Em casos mais avançados de ceratite bolhosa, ocorre o espessamento do estroma, vascularização corneana e presença de fibrose subepitelial.

Na ceratite bolhosa ocorre a perda de células endoteliais, particularmente, como uma das possíveis complicações da cirurgia de catarata e na distrofia endotelial de Fuchs. Esta complicação pode afetar entre 1 a 2% dos doentes submetidos à operação de catarata.

A transparência da córnea é comprometida, causando redução da acuidade visual e é patente forte dor ocular, entre outros sintomas.

A ceratite bolhosa quando é grave, pode ser necessário transplante de córnea em muitas situações.

Contágio na ceratite

A ceratite é contagiosa, exceto nos casos em que a ceratite não é de origem infeciosa, podendo ser transmitida através do contacto com um doente infetado. Por exemplo, no caso da ceratite herpética, o vírus pode ser transmitido através do contacto com as lesões existentes nos lábios ou face do portador, através de gotículas de saliva ou da secreção nasal, maquilhagem contaminada, etc. Pode ocorrer transmissão do vírus pela própria pessoa contaminada no caso de existir uma infeção ativa noutro local (lábios, por exemplo). O contágio pode, igualmente, efetuar-se se o vírus “passar” de um olho para o outro, vindo a infeção, posteriormente, a afetar os dois olhos.

Devem ser tomadas medidas preventivas, nomeadamente, lavar as mãos com frequência, não tocar com as mãos nos olhos, fundamentalmente em caso de infeção noutro local, ter o cuidado ao contactar com doentes potencialmente infetados, cautela quando manuseia roupa ou objetos utilizados por uma pessoa infetada, não utilizar produtos de maquilhagem ou higiene pessoal de outros, ter cuidado no manuseio e desinfeção das lentes de contacto, entre outras medidas que permitam evitar o contágio.

Ceratite - sintomas

Na ceratite, os sinais e sintomas são, habitualmente, os seguintes:

•    Olho vermelho;
•    Sensação de corpo estranho (“sensação de areia nos olhos”);
•    Dor nos olhos, que pode ser de moderada a forte;
•    Sensibilidade à luz (fotofobia);
•    Olhos lacrimejantes (produção de lágrimas em excesso);
•    Visão turva ou “visão embaçada”;
•    Dificuldade em manter os olhos abertos devido à dor ou irritação.

Os sinais e sintomas da ceratite ocular podem variar de acordo com o tipo ceratite presente e evolução da doença.

Ceratite tem cura?

A ceratite tem cura. Trata-se de uma doença dos olhos que evolui, habitualmente, sem complicações se diagnosticada e tratada de forma correta e atempada. Saiba, de seguida, como tratar a ceratite.

Ceratite - tratamento

Na ceratite, o tratamento depende do agente causador, ou seja, se a ceratite for causada por um vírus (ceratite vírica) a terapêutica deve ser efetuada com medicamentos antivíricos, por sua vez, se o agente causador for uma bactéria (ceratite bacteriana), o tratamento deve ser efetuado com antibióticos. Ou seja, o tratamento é efetuado conforme a causa, devendo por isso o tratamento ser orientado pelo médico oftalmologista.

Lágrimas artificiais (colírios para lubrificação), geralmente, são eficazes para ceratite relacionada com os olhos secos.

A ceratite relacionada com doenças auto-imunes é, muitas vezes, tratada com corticóides.

O prognóstico para a maioria dos casos de ceratite é muito favorável. Com o tratamento precoce da ceratite causada por herpes simplex, herpes zoster ou bactérias, a maioria dos casos evolui favoravelmente sem complicações e sem perda de visão. O tratamento precoce de ceratite fúngica parasitária é também essencial. Mas, mesmo com o tratamento adequado, a infeção pode persistir.

Em casos mais graves o único recurso é a cirurgia, através de um transplante de córnea.

Saiba, aqui, tudo sobre transplante de córnea.