Visão turva, "visão embaçada"

Visão embaçada, Visão turva

O que é visão turva?

Visão turva ou “visão embaçada” refere-se a uma diminuição da acuidade visual, a “ver mal”, ou falta de nitidez da visão que resulta na incapacidade de ver detalhes finos. Existem várias expressões utilizadas frequentemente pelos pacientes para descreverem a visão turva, como sejam “visão desfocada”, “visão distorcida“, “olhos embaçados”, “visão trémula ou tremida”, “visão embaralhada”, “visão enevoada ou nublada”, “perda de visão” entre outras, querendo significar falta de nitidez da visão ou uma “visão alterada”.

Entre as anomalias da visão, a visão turva é um dos sintomas mais frequentes devida à existência de muitos problemas oculares, que podem provocar uma diminuída acuidade visual.

Um dos sintomas, por vezes, associado à visão turva ou “embaçada” é a dor de cabeça muito frequente na presença de erros refrativos, mas que pode ocorrer noutras patologias. A tontura e outros distúrbios apesar de menos frequentes são também possíveis. Veja mais informação nas doenças relacionadas.

A visão turva ou “embaçada” pode ocorrer apenas num olho (olho esquerdo ou olho direito) ou, então, em ambos os olhos dependendo da causa. A visão turva pode afetar todo o campo de visão ou apenas partes da visão. Isso pode incluir a visão central, quando se olha para a frente ou, então, a perda da visão periférica, quando olha para a direita ou para a esquerda do seu campo de visão.

Na maioria dos casos a visão turva instala-se de uma forma gradual (vai piorando lentamente com o tempo). Se ocorrer uma “visão turva repentina”, “de repente ou perda súbita de visão” consulte de imediato um médico oftalmologista sob pena de podermos estar perante uma doença potencialmente grave e que pode provocar danos irreversíveis na visão. Outros sintomas de alarme são a dor nos olhos, visualização de “flashs de luz”, dificuldade em falar ou em realizar alguns movimentos, entre outros sinais e sintomas a valorizar. Mesmo no caso da visão turva se instalar de uma forma lenta e progressiva é muito importante obter um diagnóstico o quanto antes, de modo a acautelar evoluções da patologia subjacente. Se pertence a algum grupo de risco, nomeadamente, os portadores da diabetes, não deve esperar pelo aparecimento dos primeiros sintomas para consultar o médico oftalmologista. Veja mais informação nas patologias e sintomas relacionados.

Causas

Em relação às causas, a visão turva pode ser, na maioria dos casos, um sintoma relacionado com alguma doença dos olhos como veremos, adiante, com algum detalhe. 

Alguns medicamentos também podem levar a uma indefinição temporária da visão como um efeito secundário. 

A visão turva pode resultar de anormalidades presentes ao nascimento ou, então, ser uma doença adquirida com a idade.

Conheça, de seguida, as principais doenças dos olhos que podem causar visão turva.

Miopia

A miopia caracteriza-se pela existência de um erro refrativo em que a imagem dos objetos no olho é focada incorretamente, ou seja, os objetos são focados à frente da retina, levando a que a visão dos objetos distantes pareça turva.

O doente com miopia consegue ver nitidamente os objetos que se encontram próximos, porém os objetos distantes ficam turvos (ver mal ao longe). O ato de semicerrar os olhos pode ajudar a tornar os objetos distantes mais nítidos.

A miopia é verificada, frequentemente, nas crianças, pela primeira vez, quando estas iniciam o seu percurso escolar. As crianças não conseguem, muitas vezes, ver perfeitamente para o quadro, todavia conseguem ler um livro com facilidade (diferença entre visão de perto e de longe).

A miopia tende a piorar com a idade, daí que os míopes necessitem trocar de óculos ou lentes de contacto com alguma regularidade. Regra geral, a miopia tende a estabilizar por volta dos 20 anos de idade, altura em que pode ser corrigida cirurgicamente.

A miopia apresenta ainda outros sinais e sintomas que podem surgir, como por exemplo, a fadiga ocular (“vista cansada”), a dor de cabeça ou “cabeça pesada” e o semicerrar dos olhos para ver melhor.

Saiba, aqui, tudo sobre miopia.

Hipermetropia

A hipermetropia é um erro refrativo que se caracteriza pela formação das imagens atrás da retina. No olho com hipermetropia, ou hipermétrope, a imagem não é formada corretamente na retina, mas sim por trás desta. Logo, a imagem que é transmitida ao cérebro não corresponde à imagem correta. O paciente vê mal ao perto e ao longe e para que as imagens sejam nítidas, necessita efetuar um enorme esforço ocular.

A hipermetropia acarreta, habitualmente, fadiga ocular e até dores de cabeça quando o paciente realiza trabalho mais minucioso ou como na leitura, pela exigência aumentada de focagem a que os olhos são sujeitos.

Saiba, aqui, tudo sobre hipermetropia.

Astigmatismo

O astigmatismo é um erro refrativo que ocorre num determinado eixo, em que a imagem na retina surge desfocada. O astigmatismo encontra-se entre os problemas de visão mais comuns e pode estar relacionado com outros erros refrativos como por exemplo a miopia ou hipermetropia.

O doente com astigmatismo, foca os objetos em mais do que um ponto, distorcendo assim a visão, isto é, as imagens sofrem uma distorção ao passarem pela córnea e, como tal, surgem desfocadas quando projetadas na retina.

Consequentemente na visão com astigmatismo, as imagens transmitidas ao cérebro estão desfocadas ou distorcidas (visão turva ou visão “embaçada”).

Saiba, aqui, tudo sobre astigmatismo.

Presbiopia

A presbiopia é uma condição natural associada ao envelhecimento, em que o olho apresenta uma capacidade progressivamente diminuída para focar objetos próximos (ver mal ao perto).

Outros sinais e sintomas, como a dificuldade em ver com pouca luz (baixa luminosidade), dificuldade em focar pequenos objetos ou letras pequenas são, geralmente, notados pela primeira vez entre os 40 e os 50 anos de idade, pois a capacidade de focar objetos próximos diminui com o passar do tempo. Habitualmente, a dificuldade em ler letras pequenas, sobretudo em condições de baixa luminosidade são efetivamente um dos primeiros sintomas da presbiopia. Nestes casos, o cansaço visual durante a leitura por longos períodos é um sintoma frequente.

Apresentar manchas na visão de perto e visão turva, por momentos ou de forma momentânea, quando existe transição entre as visões de perto e de longe, também são sintomas frequentes.

Os sintomas de presbiopia, bem como outros defeitos refrativos, são muito menos percetíveis à luz do sol, devido à ação natural da pupila que reduz o seu diâmetro.

Saiba, aqui, tudo sobre presbiopia.

Catarata

A catarata é uma patologia que se instala lenta e progressivamente e que se caracteriza pela perda da transparência do cristalino, originando visão turva. Ou seja, com o avançar da idade, o cristalino torna-se opaco (turvo), afetando a visão. O envelhecimento é a causa mais comum no surgimento da catarata ocular, todavia podem existir outros.

No olho com catarata, a visão estará associada ao grau de opacificação do cristalino. Quanto maior for a opacificação do cristalino maiores serão as perturbações na visão. Em situações extremas, os doentes podem perder a visão (cegueira).

A progressão da catarata ocular pode suceder de uma forma muito lenta, podendo levar vários anos até que se verifique sintomatologia acentuada. Pode também haver evolução rápida da doença, colocando em risco a visão, conduzindo à necessidade de intervenção, para que a função visual se reponha.

A catarata senil ou da idade, normalmente, surge depois dos 65 anos, exibindo uma evolução lenta e é bilateral. Por este motivo é, muitas vezes, denominada de “catarata no idoso”. Na eventualidade do doente padecer de diabetes, a catarata pode desenvolver-se de forma mais rápida. Para além da catarata senil (a mais frequente) outros tipos de catarata podem afetar os olhos, mesmo em indivíduos jovens.

A decisão de intervenção cirúrgica deve ser tomada tendo em conta a acuidade visual apresentada e de acordo com a atividade e necessidades de cada pessoa.

Os sintomas de catarata são, habitualmente, os seguintes:

  • Visão turva;
  • Aumento da sensibilidade à luz (fotofobia);
  • Diminuição da sensibilidade às cores e ao contraste ("visão escurecida");
  • Visão dupla num olho (diplopia monocular);
  • Diminuição da visão noturna (à noite);
  • Alteração frequente dos erros refrativos, com mudança frequente de óculos;

Saiba, aqui, tudo sobre catarata.

Glaucoma

O glaucoma é uma doença grave que surge na sequência do aumento da pressão intraocular. A perda de visão é consequência da destruição das células ganglionares do nervo ótico (responsável pela condução das imagens da retina até ao cérebro).

O glaucoma ocular é uma doença que, habitualmente, não apresenta sintomas nas fases iniciais e que pode levar à cegueira ou à perda de visão severa, caso não seja diagnosticada e tratada de forma atempada e apropriada.

O glaucoma pode ter causas de diversa ordem, nomeadamente, obstrução do trabéculo ou aumento da produção do aquoso. A origem do glaucoma ocular pode também estar associada a algumas doenças, designadamente, a diabetes que é uma das principais causas do glaucoma, sobretudo pelo elevado número de doentes que sofrem, atualmente, desta doença.

O glaucoma ocular apresenta como sintomas mais frequentes os escotomas (manchas escuras ou uma mancha apenas) no campo visual periférico. No olho com glaucoma, as manchas vão aumentando e a visão vai-se deteriorando, a medida que a doença evolui.

Os sintomas de glaucoma são detetados, de um modo geral, já numa fase avançada da doença, isto é, quando cerca de 50% das células ganglionares se encontram atrofiadas. Os sintomas iniciais neste tipo de patologia ou são inexistentes ou são praticamente impercetíveis, progredindo a doença para fases avançadas de forma "silenciosa". Ou seja, inicialmente a doença é assintomática (sem sintomas), no entanto, vão aparecendo os primeiros sintomas à medida que o glaucoma evolui.

Em caso de não tratamento do glaucoma, este pode conduzir à lesão permanente do nervo ótico, causando alteração progressiva do campo visual, podendo progredir para a cegueira.

Saiba, aqui, tudo sobre glaucoma.

Retinopatia diabética

A retinopatia diabética constitui uma das principais causas de cegueira nos adultos, derivado às alterações estruturais que ocorrem nos vasos sanguíneos da retina e uma das complicações associada à diabetes. Á medida que a doença vai evoluindo, estes vasos tornam-se incontinentes e libertam sangue ou fluido sanguíneo para o espaço retiniano ou para o vítreo originado problemas na visão.

Esta doença tanto pode aparecer nos diabéticos tratados com anti-diabéticos orais (diabetes tipo 2) como nos medicados com insulina (diabetes tipo 1). A retinopatia diabética surge, geralmente, ao fim de alguns anos, manifestando-se mais cedo na diabetes tipo 1 do que na diabetes tipo 2. São vários os factores que interferem com esta doença e não apenas os valores da glicemia, designadamente a hipertensão arterial, colesterolemia, hábitos tabágicos e um outro extremamente importante que é o fator genético, nomeadamente, o hereditário.

A visão turva ou “embaçada” na gravidez pode ocorrer relacionada com a diabetes gestacional, para além de outras causas não relacionadas com os valores da glicemia. No caso das grávidas, a retinopatia diabética pode evoluir mais rapidamente, pelo que é recomendável que todas as grávidas efetuem exame de fundo ocular, no início da gravidez e no pós - parto.

O diabético pode ainda ser afectado por outras doenças dos olhos, nomeadamente, a catarata (turvação do cristalino) que pode desenvolver-se mais precocemente nas pessoas portadoras de diabetes e o glaucoma (aumento da pressão intra-ocular) que também é mais frequente no diabético e pode levar à atrofia do nervo ótico e consequente perda de visão. O diabético tem cerca de duas vezes mais probabilidade de vir a desenvolver glaucoma do que um indivíduo não diabético.

A retinopatia diabética pode ser dividida em vários estadíos, conforme as lesões apresentadas na retina, podendo causar perda de visão severa ou, então, em casos mais preocupantes conduzir à cegueira.

Na retinopatia diabética, os sintomas variam bastante mediante o estadío em que se encontra a doença (proliferativa ou não proliferativa). Na fase inicial, a retinopatia diabética é assintomática (não tem sintomas). A visão turva é um dos sintomas de retinopatia diabética mais frequentes e ocorre, habitualmente, na fase mais avançada (proliferativa) da doença, quando a mácula tem edema e quando os neo-vasos se rompem e sangram para o vítreo. A hemorragia pode, efectivamente, reaparecer e causar visão muito turva.

Saiba, aqui, tudo sobre retinopatia diabética.

Outras causas, doenças

Para além dos problemas oculares expostos, outros podem estar associados à visão turva ou “embaçada”. Alguns exemplos de causas frequentemente apontados para a visão turva são também os seguintes:

Se quer conhecer as principais doenças dos olhos, siga este link.

Sintomas, Diagnóstico

Outros sinais e sintomas, nomeadamente, olhos vermelhos ou vermelhidão nos olhos, dor nos olhos, dor de cabeça, sensibilidade à luz ou fotofobia, ardor e irritação dos olhos, entre outros, podem estar associados à visão turva. É importante que refira os demais sintomas ao seu médico oftalmologista de modo a facilitar o diagnóstico.

Para além dos sintomas apresentados é importante perceber de que forma é que a visão se tornou turva, ou seja, se foi de uma forma gradual, progressiva ou, então, se a visão ficou turva de forma repentina. A história clínica do doente também é importante no diagnóstico, ou seja, é fundamental perceber se já existe história de alguma patologia dos olhos ou outra. Mediante todos estes fatores o médico oftalmologista decidirá que exame ou exames deverá prescrever de modo a auxiliar no diagnóstico.

Se sentir pelo menos um dos seguintes sintomas: dor nos olhos, forte dor de cabeça, perceção de flashes de luz, perda de visão súbita, dificuldade em falar, perda do controle muscular, inclinação facial, entre outros sinais e sintomas a valorizar, consulte de imediato o seu médico, sob pena de poder tratar-se de um grave problema que sem tratamento atempado pode ter consequências irreversíveis.

Mesmo nos casos em que a visão turva se instala de uma forma lenta e progressiva, deve consultar o seu médico oftalmologista o quanto antes, pois podemos estar perante uma doença que provoque danos irreversíveis se não tratada de forma atempada e correta.

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Tratamento

O tratamento da visão turva depende naturalmente do problema ou patologia subjacente. Veja mais informação no tratamento de cada uma das doenças dos olhos.

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