Aneurisma esplénico

Fotos de Aneurisma esplénico

O que é aneurisma esplénico?

Aneurisma esplénico ou aneurisma da artéria esplénica consiste na dilatação da artéria que irriga o baço. O baço é um órgão linfoide que se localiza no abdómen (barriga).

Os aneurismas da artéria esplénica são raros, mas ainda assim, são o terceiro aneurisma abdominal mais comum (depois dos aneurismas da aorta abdominal e das artérias ilíacas). A sua localização mais frequente é o terço distal da artéria esplénica.

Os aneurismas são classificados como fusiformes ou saculares, de acordo com a sua forma:

  • Aneurismas fusiformes: alargamento circunferencial da artéria.
  • Aneurismas saculares: evaginações da parede da artéria, tipicamente assimétricas.

Os aneurismas esplénicos são mais comuns nas mulheres e são mais frequentemente saculares.

Causas do aneurisma esplénico

São várias as causas associadas ao aneurisma esplénico, entre elas a presença de hormonas femininas, motivo pelo qual a frequência é maior nas mulheres do que nos homens. O risco de rotura é de 10% em não grávidas, porém este número aumenta significativamente durante a gravidez, consistindo em 20 a 50% dos aneurismas viscerais rotos.

Quando a rotura ocorre no período gestacional, a mortalidade materna é de 70% e a fetal de 95%. O aparecimento de aneurismas da artéria esplénica na gravidez pode ser explicado pelo aumento dos shunts arteriovenosos, devido ao aumento de fluxo nesse território. A rotura ocorre mais frequentemente no terceiro trimestre da gravidez.

A fibrodisplasia, a aterosclerose, a pancreatite, a poliartrite nodosa e o trauma, podem contribuir para o desenvolvimento do aneurisma.

Fatores de risco no aneurisma esplénico

O sexo feminino é um elevado fator de risco. O risco também aumenta com o número de gestações (gravidez). As mulheres que tiveram muitas vezes grávidas (multíparas) possuem um maior risco de apresentar aneurisma esplénico.

Outros dos fatores são a hipertensão portal, a pancreatite e o trauma.

Sintomas no aneurisma esplénico

Na maioria dos doentes com aneurismas da artéria esplênica são assintomáticos (não têm sintomas).

Aneurismas pequenos até 2 cm normalmente não causam sintomas. Os sintomas são mais frequentes em aneurismas de maiores dimensões (próximos dos 3 cm), aumentando o risco de rotura.

São sintomas de rotura de aneurisma, dor no quadrante superior esquerdo, náuseas e/ou vómitos, hipotensão, perda de consciência, desmaio (choque hipovolémico).

Diagnóstico no aneurisma esplénico

O diagnóstico de aneurisma da artéria esplénica é feito pelo médico, especialista em cirurgia vascular, através da história clínica e alguns exames ou meios complementares de diagnóstico.

Os aneurismas da artéria esplénica podem ser diagnosticados acidentalmente através de ecografia ou TAC, quando o doente realiza estes exames por outra razão.

Devido ao facto de muitos aneurismas esplénicos não causarem sintomas (queixas), o seu diagnóstico pode ser tardio.

Rastreio no aneurisma esplénico

Não existe nenhuma estratégia de prevenção ou cuidados que possam evitar o aparecimento do aneurisma esplénico. Não está cientificamente recomendado o rastreio do aneurisma esplénico, mesmo em doentes com história familiar.

Um estudo demonstrou que 50% das mulheres que estiveram grávidas mais de 6 vezes têm aneurisma da artéria esplénica. Um outro estudo provou que 80% das mulheres com aneurisma esplénico estiveram grávidas em média 4.5 vezes. Apesar disso, o rastreio do aneurisma da artéria esplénica em mulheres grávidas ou em idade fértil não está recomendado.

Complicações do aneurisma esplénico

As complicações do aneurisma esplénico são por vezes fatais, tais como: a rotura e a morte.

Aneurisma da artéria esplénica tem cura?

Sim. A remoção do aneurisma permite tratar eficazmente esta patologia, conforme veremos de seguida.

Tratamento do aneurisma esplénico

Aneurismas esplénicos rotos, sintomáticos, com diâmetros >2 cm ou em mulheres grávidas ou em idade fértil devem ser tratadas. Nos restantes casos está recomendada a vigilância.

O tratamento poderá ser cirúrgico (cirurgia) ou endovascular. A opção terapêutica depende das características do aneurisma e do doente, devendo ser adaptada caso a caso.

1. Cirurgia (operação)

A intervenção poderá ser laparotómica (cirurgia com abertura da cavidade abdominal) ou laparoscópica (utilizando pequenas incisões e visualizando-se a intervenção com uma câmara). Existem várias técnicas com ou sem remoção do baço (esplenectomia). Todas as cirurgias têm riscos, risco de morte, infeção da ferida operatória e tromboembolismo pulmonar. Contudo, a cirurgia eletiva tem uma baixa taxa de complicações, uma elevada sobrevivência, sendo um tratamento duradouro.

O tempo de recuperação após a cirurgia depende dos tipos de operação realizada e de doente.

2. Tratamento endovascular

Através de uma punção num vaso, com apoio de raio x e utilizando um stent revestido ou coils (molas de metal) ou cola (ou combinação destas opções) consegue-se tratar o aneurisma.

Esta técnica é menos invasiva que a cirurgia, tendo um menor tempo de recuperação. Contudo, poderá ser menos duradoura, com necessidade de uma nova intervenção.

Seguimento ou follow-up

A consulta de seguimento é agendada para os meses seguintes.

No caso o tratamento endovascular o doente deverá realizar um seguimento regular devido ao risco de re-intervenção. Doentes submetidos a remoção do baço, durante a cirurgia (esplenectomia) deverão ser vacinados de forma adequada (pneumococcus, haemophilus e meningococcus).

medico-concelho.jpg