Amenorreia

Amenorreia

O que é amenorreia?

Amenorreia corresponde à ausência de menstruação. Assim, sempre que o período menstrual não ocorre de forma normal estamos perante uma amenorreia.

A amenorreia pode ser primária (amenorreia primária), quando não ocorre a menarca (a primeira menstruação) até aos 13 anos e não estão presentes caracteres sexuais secundários ou até aos 16 anos com caracteres sexuais secundários presentes.

A amenorreia secundária define-se como a ausência de período menstrual durante pelo menos seis meses ou durante o período de tempo equivalente ao total de 3 ciclos menstruais normais, na mulher em que já ocorreu a menarca.

Causas da amenorreia

Na mulher com atividade sexual deve ser sempre excluída a possibilidade de gravidez e determinada a idade gestacional (semanas de gravidez).

Saiba, aqui, tudo sobre gravidez.

As causas psicológicas e emocionais, as doenças crónicas (especialmente do sistema nervoso central – cérebro) e as alterações do estado nutricional (variações extremas de peso e subnutrição) são algumas das causas que podem ser identificadas na abordagem inicial da doente através da sua história clinica. São exemplos destas situações o stress intenso, a prática de desportos de alta competição (amenorreia em atletas que é induzida pelo exercício), a anorexia e a bulimia.

Nas situações de lesão do sistema nervoso central (cérebro) pode estar associada a amenorreia, podendo ser necessário o estudo cerebral através de outros exames.

Através do exame físico é possível identificar alterações da anatomia do aparelho genital feminino (hímen imperfurado, ausência do útero, entre outras) podendo condicionar uma amenorreia primária.

A hiperprolactinemia (produção excessiva de prolatina no sistema nervoso central) pode levar a uma amenorreia secundária. Em alguns casos pode estar associada galactorreia (produção de leite). Algumas das causas são as lesões do sistema nervoso central (cérebro) e o consumo de alguns fármacos (medicamentos), como os antipsicóticos e os anti-depressivos. A produção de prolactina pode ser considerada normal e adequada em fases da vida da mulher como a amamentação.

A alteração da função da tiroide, como o hipotireoidismo, é outra das causas de amenorreia. No entanto, esta é habitualmente diagnosticada precocemente uma vez que se associa a outros sintomas (fadiga, retenção de líquidos, sonolência, lentidão, etc.).

A falência do funcionamento dos ovários leva a que não haja menstruação. Nestes casos podemos estar perante uma menopausa precoce, que pode ser considerada precoce se ocorrer antes dos 45 anos, e uma falência ovárica prematura quando ocorre antes dos 40 anos. Algumas das situações que podem levar a esta falência ovárica são a radioterapia, a quimioterapia, a cirurgia pélvica, o tabaco, algumas infeções víricas, doenças auto-imunes e outras doenças crónicas. As causas genéticas devem também ser excluídas.

Saiba, aqui, tudo sobre menopausa.

Uma das causas de amenorreia por disfunção hormonal é a síndrome do ovário poliquistico (ou policistico). Nestes casos estão presentes manifestações clínicas como as irregularidades menstruais (amenorreia ou oligomenorreia), sinais de androgenismo, obesidade e infertilidade (incapacidade de engravidar).

Saiba, aqui, tudo sobre síndrome do ovário poliquistico.

Para além das principais causas atrás referidas, outras podem estar na origem da amenorreia. Veja mais informação em doenças ginecológicas.

Sinais e sintomas na amenorreia

Os sinais e sintomas presentes dependem da situação clínica e da causa da amenorreia. Assim, é essencial a colheita de uma história clínica detalhada para a identificação de fatores de risco e para orientação de cada caso.

Nos casos de alteração anatómica em que há obstrução à saída da menstruação, pode haver dor cíclica.

A hiperprolactinemia pode manifestar-se por galactorreia (produção de leite), habitualmente bilateral. Nos casos de lesão do sistema nervoso central pode haver sintomas como cefaleias (dores de cabeça) e alterações visuais.

Nos casos de hipotiroidismo estão presentes sintomas como fadiga (cansaço) crónica, sonolência, perda de memória, retenção de líquidos, intolerância ao frio e lentidão.

Nos casos de menopausa precoce ou falência ovárica prematura os sintomas podem ser de calores e afrontamentos (sintomatologia vasomotora).

Saiba, aqui, tudo sobre os sintomas da menopausa.

Na síndrome do ovário poliquístico, que ocorre habitualmente na adolescência, os sintomas estão associados aos níveis de androgéneos (hormonas masculinas). Assim, queixas de hirsutismo (excesso de pelos), queda de cabelo, oleosidade da pele, aumento de peso abdominal (“barriga inchada”) e da gordura corporal podem estar presentes. Ecograficamente este tipo de ovários tem um aspeto bastante característico.

Saiba, aqui, tudo sobre a síndrome do ovário poliquístico.

Diagnóstico da amenorreia

O diagnóstico da amenorreia é feito quando estão presentes os critérios definidos anteriormente. No estudo destas situações clínicas são úteis alguns exames auxiliares de diagnóstico e analíticos (análises) para identificar a sua causa.

Uma das causas que deve ser inicialmente pesquisada e excluída é a gravidez, através do doseamento da ß-HCG (ß-HCG negativa).

O doseamento de outro tipo de hormonas é essencial para a melhor orientação do estudo de cada caso. Assim, pode estar indicado o doseamento inicial da prolactina, da FSH e da TSH. Através deste estudo inicial é possível orientar a investigação para uma determinada causa. Pode ainda ser necessário dosear os níveis de estrogénio e de progesterona em algumas situações.

Os exames auxiliares de diagnóstico, como a ecografia (ginecológica ou outra) e a ressonância magnética (RM) têm indicação para serem realizados em casos específicos em que se pretende detetar ou caracterizar alterações específicas.

Saiba, aqui, tudo sobre ecografia ginecológica.

O estudo genético pode também estar indicado em situações individualizadas.

Complicações da amenorreia

As complicações associadas à amenorreia relacionam-se com a causa subjacente (a doença que a provoca). Dependendo da causa, que pode ser mais ou menos grave, as complicações e riscos associados também variam.

Quando identificada a causa da amenorreia, esta deve ser tratada de forma a regularizar as alterações anatómicas, estruturais ou hormonais presentes.

Como consequência da amenorreia por menopausa, a falência ovárica impede que possa haver uma gravidez. Na síndrome do ovário poliquístico pode existir dificuldade em engravidar.

A mulher com amenorreia pode engravidar?

A capacidade da mulher engravidar está dependente do funcionamento do ovário, do adequado ambiente hormonal (de vários órgãos) e da normal anatomia da mulher.

Algumas das causas de amenorreia podem fazer com que a mulher tenha dificuldade em engravidar.

No caso de algumas patologias (doenças) que originam a amenorreia e infertilidade (incapacidade de engravidar), podendo ser tratadas, a mulher pode engravidar.

Saiba, aqui, tudo sobre fertilidade e gravidez.

Em alguns casos específicos, como a menopausa precoce (falência ovárica) ou algumas malformações anatómicas (como a ausência do útero) não é possível haver uma gravidez.

Amenorreia tem cura?

A cura da amenorreia depende do tratamento da doença ou alteração que a origina. Assim, com o tratamento da sua causa, a amenorreia pode ter cura.

Veja mais informação em cada uma das possíveis causas da amenorreia.

Tratamento da amenorreia

Como vimos anteriormente, a amenorreia pode ser provocada por diversas situações (veja causas da amenorreia). Assim, após diagnóstico por parte do médico ginecologista, o tratamento deve ser orientado de acordo com a causa subjacente. Em alguns casos, pode estar indicada a utilização de medicamentos (ou remédios) de toma oral (comprimidos), de forma a controlar e regularizar as hormonas essenciais ao normal funcionamento do nosso organismo. Enquanto que noutros, a cirurgia (ou operação) pode ser o tratamento indicado. Veja mais informação sobre tratamentos em cada uma das causas da amenorreia.

Alguns cuidados devem ser adotados, como por exemplo: hábitos saudáveis de vida diária, reduzir o stress, fazer exercício físico e uma alimentação adequada, podendo estes fatores permitir que o ambiente hormonal seja normalizado.

A mulher nunca se deve automedicar, ou tentar qualquer tipo de tratamento caseiro ou natural sob pena de poder agravar o seu quadro clínico. Deve consultar sempre o seu médico ginecologista (especialista em ginecologia) e seguir as suas recomendações.

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