Exoftalmia

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O que é exoftalmia?

A exoftalmia ou proptose ocular é o termo médico utilizado para nos referirmos a “olhos salientes” ou “olhos saídos”, ou seja, quando todo o globo ocular está mais “saído” do que é habitual ou em termos técnicos ocorre a protrusão do globo ocular.

Uma vez que a órbita é fechada posteriormente, medial e lateralmente, qualquer aumento das estruturas localizadas no interior da órbita provocará um “deslocamento do olho para a frente”. O problema ocorre, habitualmente, por motivos de ordem vascular, mecânicos ou de inflamação, como veremos mais tarde.

Embora nos termos exoftalmia e proptose possa existir alguma diferença na forma como podem ser utilizados (o termo exoftalmia tem sido utilizado por alguns autores apenas quando ocorre a protrusão do globo ocular com origem metabólica), iremos ao longo do texto utilizá-los indistintamente ou com o mesmo significado. Veja mais informação em doença de Graves.

Olhos proeminentes

Termos como “olhos proeminentes”, “olhos esbugalhados“, “olhos saídos”, “olhos saltados”, “olhos para fora”, “olhos protuberantes”, entre outros, são frequentemente utilizados pelos doentes para se referirem à proptose ou exoftalmia.

Proptose ocular

No adulto, a distância considerada normal que vai desde o bordo lateral da órbita até ao ápice da córnea ronda os 16 a 18 mm. Acima destes valores é considerada proptose ocular. A medição do grau de proptose ocular é realizada utilizando o exoftalmometro de Hertel.

A pseudo-exoftalmia ou falsa proptose pode ser observada num globo ocular de maior dimensões, normalmente em doentes que padecem de miopia ou glaucoma congénito.

Alguns doentes devido às suas características faciais ou por possuírem “olhos grandes” ou maiores que o habitual, apresentam “olhos mais saídos que o normal” ou “olhos esbugalhados”. Nestes casos, pode não haver qualquer doença dos olhos. No entanto, pode haver preocupação estética devida à existência de “olhos salientes”, havendo necessidade, por vezes, de intervenção no sentido da correção da proptose ocular.

Exoftalmia - causas

Normalmente, a patologia ocorre como consequência de uma anomalia que ocupa o espaço da órbita, que pode ser devida a um processo inflamatório ou, então, a qualquer problema que estreite a cavidade orbitária. O problema pode ocorrer apenas num olho ou em ambos os olhos.

Na exoftalmia, uma das principais causas é a doença ocular da tiroide, conhecida como doença de Graves. Nesta situação, dizemos que a protrusão do globo ocular é de origem metabólica. Trata-se de uma doença autoimune que provoca a hiperatividade da tiroide (hipertiroidismo). A doença de Graves é a responsável pela maioria de casos de hipertiroidismo (entre 60 a 80%). Esta doença é mais frequente em fumadores e em mulheres entre os 30 e os 50 anos de idade.

Oftalmopatia de Graves

Cerca de um terço dos doentes com doença de Graves, apresentam sinais da oftalmopatia de Graves que afeta o globo ocular, provocando exoftalmia ou “olhos proeminentes”, olhos vermelhos e inflamados, dor ocular, ardência, diplopia (ver duas imagens), fotofobia (sensibilidade à luz), retração das pálpebras e em casos mais graves perda de visão.

Na oftalmopatia de graves o sistema imunitário ataca os músculos e tecidos orbitários, provocando inflamação. O deslocamento do olho é devido ao aumento do volume do tecido adiposo e conjuntivo na órbita e músculos extra-oculares, confirmado pela TAC e RM.

Outras causas

A exoftalmia pode também ter outras causas relacionadas, contudo são menos frequentes do que a oftalmopatia de Graves. Entre essas causas, podemos destacar:

•    Lesão ou trauma nos olhos;
•    Hifema (sangramento na câmara anterior);
•    Vasos sanguíneos anormais por trás dos olhos;
•    Infeções na cavidade orbitária;
•    Celulite orbitária;
•    Leucemia aguda;
•    Tumores (meningioma, glioma, rabdomiossarcoma, meningocelo, mucocelo, etc.);
•    Etc.

A exoftalmia pode também estar presente à nascença (exoftalmia congénita) afetando o bebé, sendo neste caso causado por glaucoma ou problemas hereditários.

No caso da exoftalmia infantil ou na infância é muito importante que o diagnóstico do problema seja efetuado o mais precocemente possível de modo a que não venha a ocorrer ambliopia.

Saiba, aqui, o que é ambliopia.

Exoftalmia unilateral

Dizemos que estamos perante uma exoftalmia unilateral, quando a protrusão anormal do globo ocular ocorre apenas num dos olhos, ou seja, um olho está “mais saído do que o outro”.

Como causas para a proptose unilateral, podemos encontrar várias patologias como a celulite orbitária, tumores, trauma, etc. A oftalmopatia de Graves afeta, habitualmente, os dois olhos (mas nem sempre).

Exoftalmia bilateral

Dizemos que estamos perante uma exoftalmia bilateral quando a protrusão anormal do globo ocular ocorre nos dois olhos em simultâneo, ou seja, estão os dois olhos “mais saídos do que o normal”. Como principal causa para a exoftalmia bilateral encontra-se a oftalmopatia de Graves, podendo contudo em algumas situações as manifestações ocorrerem ou serem mais graves apenas num dos olhos.

Exoftalmia - sintomas

Dependendo da causa subjacente, a exoftalmia ou proptose ocular pode ter associada outros sinais e sintomas, como olhos vermelhos e lacrimejantes, inflamação e dor nos olhos, ardor ou “comichão nos olhos”, diplopia (ver duas imagens), fotofobia (sensibilidade à luz), olho seco, retração das pálpebras e em alguns casos pode ocorrer perda de visão e até cegueira. Estes sinais e sintomas podem variar bastante de acordo com a causa subjacente. Em algumas situações podem nem existir sintomas relacionados (doença assintomática). Veja mais informação em sinais e sintomas na oftalmopatia de Graves.

Em casos graves de exoftalmia, o doente pode não ser capaz de fechar os olhos de forma adequada, causando danos na córnea e olho seco. Se os olhos estiverem muito secos podem ocorrer úlceras na córnea (feridas abertas), entre outras complicações.

Existe também o risco, ainda que reduzido, de compressão do nervo ótico (que transmite os sinais dos olhos até ao cérebro), podendo afetar a visão de forma irreversível se o problema não for resolvido rapidamente.

O glaucoma congénito e as altas miopias causam a sensação de “olhos salientes”.

Diagnóstico da exoftalmia

O oftalmologista irá verificar a capacidade do doente mover os olhos e medir o grau de protusão do globo ocular. Pode solicitar a realização de exames auxiliares como a tomografia computadorizada (TAC), a ressonância magnética (RM), tonometria (medição da pressão ocular), campimetria, etc.

No caso da doença de Graves, o médico endocrinologista pode recorrer a vários outros exames e análises para o diagnóstico da doença.

Exoftalmia tem cura?

Como vimos a doença pode ter diversas causas subjacentes, podendo cada uma delas diferir bastante quanto à sua gravidade e capacidade de tratar. Veja mais informação em cada uma das patologias relacionadas. Saiba, de seguida, como tratar a exoftalmia ou proptose.

Exoftalmia - tratamento

Na exoftalmia ou proptose o tratamento depende da causa subjacente. O tratamento é na maioria dos casos mais eficaz quando é iniciado o mais precocemente possível.

Oftalmopatia de Graves - tratamento

Se a exoftalmia tem como causa a doença de Graves (oftalmopatia de Graves), o tratamento passa em primeiro lugar pela correção da patologia de base (hiperatividade da tiróide ou hipertiroidismo). Este tratamento não garantirá que os problemas nos olhos desapareçam, mas permitirá travar a evolução da doença e prevenir outro tipo de problemas associados ao hipertiroidismo.

Podem ser utilizados corticóides de modo a permitir a redução da inflamação. Quando a inflamação estiver sob controlo, pode ser realizada intervenção cirúrgica de modo a melhorar a aparência dos olhos.

Outras medidas úteis incluem parar de fumar (caso seja fumador), utilizar lágrimas artificiais para reduzir a secura dos olhos e a irritação e em casos avançados da doença o uso de lentes especiais para corrigir a diplopia (visão dupla). Levantar a cabeceira da cama, por exemplo, usando mais almofadas, pode ajudar a reduzir algum “inchaço ao redor dos olhos”. O uso de óculos escuros pode ser útil na fotofobia e deve evitar-se a exposição a substâncias irritantes e ao pó. Para além do oftalmologista, no caso das perturbações endócrinas da tiroide (hipertiroidismo), o tratamento deve ser orientado por um médico endocrinologista.

Outras causas – tratamento

Se a causa subjacente à proptose é uma infeção, como no caso da celulite orbitária, podem ser prescritos antibióticos para o seu tratamento.

Noutros casos, pode ser necessário realizar um procedimento cirúrgico para drenar abscessos que eventualmente se tenham desenvolvido.

No caso de tumores, tratamentos como a radioterapia, quimioterapia e / ou cirurgia podem ser utilizados. Nestes casos, os tratamentos podem diferir com base num conjunto de fatores, como a localização do tumor, estadío, etc.

Existe o risco de algumas complicações, potencialmente graves caso o tratamento não seja efetuado precocemente. Se a doença não for tratada de forma correta e atempada, as pálpebras podem deixar de fechar durante o sono conduzindo a complicações oculares que podem ser graves. Outra possível complicação pode ser a "ceratoconjuntivite límbica superior", cuja área acima da córnea fica inflamada, como resultado do aumento do atrito quando o doente pestaneja. O processo que está a provocar o deslocamento do olho pode também comprimir o nervo ótico ou a artéria oftálmica, conduzindo o doente à cegueira.

Algumas pessoas com exoftalmia ficam com problemas de visão a longo prazo, tais como visão dupla, mas a deficiência visual permanente é rara, se a patologia for identificada e tratada precocemente.

Veja mais informação em causas e tratamento de cada uma das doenças relacionadas.

Exoftalmia - cirurgia

Existem três tipos principais de cirurgia que podem ser levadas a cabo em pessoas com exoftalmia ou proptose:

  • Cirurgia de descompressão orbitária - uma pequena quantidade de osso ou tecido é removida da cavidade orbitária;
  • Cirurgia palpebral - a operação é realizada para melhorar a posição, o encerramento ou a aparência das pálpebras;
  • Cirurgia dos músculos extraoculares - a operação é realizada nos músculos oculomotores para “trazer os olhos” para o alinhamento correto e reduzir a visão dupla.

Na doença de Graves, a cirurgia pode ser considerada para melhorar a aparência dos olhos se a doença está na sua fase inativa. O tratamento médico por si só não vai, necessariamente, inverter a “saliência dos olhos”, sendo neste caso necessário recurso à cirurgia. A cirurgia pode ser realizada durante a fase ativa da doença, caso exista uma ameaça que ponha em causa a visão, devida à compressão do nervo ótico, por exemplo.

A cirurgia pode igualmente ser eficaz se a exoftalmia tiver como causa outros problemas. Veja mais informação em causas.

O preço ou valor da cirurgia podem variar de acordo com o tipo de intervenção.