Dor de garganta

Dor de garganta

Causas na dor de garganta

A dor na garganta pode ser devida a diversas patologias (doenças) como a amigdalite (inflamação das amígdalas), faringite (inflamação da faringe), laringite (inflamação da laringe), entre outras. Veja mais informação em “causas da dor de garganta”.

A dor de garganta pode ser bastante incomodativa, que em alguns casos acorda o doente durante a noite, pode ser aliviada com alguns medicamentos (remédios) como os anti-inflamatórios e / ou analgésicos (p. ex: ibuprofeno, paracetamol), no entanto, é aconselhável que exista sempre uma avaliação médica antes de tomar qualquer tipo de medicação.

Se algumas patologias, nomeadamente a maioria das de origem infecciosa vírica (provocadas por vírus) poderão passar ao fim de alguns dias apenas com tratamento anti-inflamatório, outras, poderão necessitar de tratamento com antibióticos como ocorre nas infeções bacterianas (provocadas por bactérias). Neste sentido, é muito importante obter um diagnóstico clínico correto, de modo a instituir um tratamento adequado e a ter um uso apropriado dos antibióticos. Veja mais informação em “tratamento na dor de garganta”.

Dor de garganta e gravidade da doença

A dor de garganta é um sintoma que está presente em diversas patologias, variando bastante a gravidade das mesmas.

A intensidade da dor de garganta não está diretamente relacionada com a gravidade da patologia. Podemos dar o exemplo de uma infeção vírica que pode provocar uma dor forte de garganta, mas que tem, habitualmente, um bom prognóstico. Em oposição, uma patologia oncológica que, sendo grave, pode provocar inicialmente apenas uma dor ligeira de garganta, mas que necessita de uma avaliação e tratamento urgente, de modo a melhorar o prognóstico da doença.

Em resumo, a intensidade da dor não está diretamente relacionada com a gravidade da doença, devendo, em regra, haver sempre uma avaliação médica. No caso, particular, de a dor se prolongar no tempo (evolução maior que uma a duas semanas), mesmo sem agravamento da restante sintomatologia, é muito importante que seja efetuada uma avaliação médica especializada por um médico Otorrinolaringologista. Veja mais informação em “diagnóstico na dor de garganta”.

Causas para a dor de garganta

As causas para a dor de garganta são diversas. De seguida, enumerámos as principais patologias associadas à dor de garganta.

Infeções respiratórias víricas

Resfriado comum ou Constipação

O Resfriado comum ou Constipação é uma infeção vírica ou viral (provocada por vírus, como o rinovírus ou o coronavírus), muito frequente na comunidade e que envolve fundamentalmente o trato respiratório superior (nariz e faringe), provocando, habitualmente, os seguintes sinais e sintomas:

  • Coriza (inflamação da mucosa nasal) e nariz entupido;
  • Tosse;
  • Congestionamento;
  • Ligeiras dores no corpo ou uma leve dor de cabeça;
  • Espirros;
  • Febre baixa;
  • Mal-estar geral;
  • Dor de garganta.

A dor de garganta intensa não é muito frequente no resfriado comum.

É uma patologia muito comum, particularmente no outono e primavera (menos comum durante o inverno), atingindo todos os anos muitas pessoas de todas as faixas etárias.

Habitualmente, o resfriado comum cursa de forma inofensiva, devido à imunidade de grupo pré-existente na população para os vírus que habitualmente o provocam. As complicações são raras e resultam, a maioria das vezes, de exacerbações de asma ou bronquite crónica pré-existente ou de infeções secundárias, como a sinusite ou otite.

A rinite alérgica é o principal diagnóstico diferencial.

Saiba, aqui, o que é rinite alérgica.

A maioria dos doentes recupera de um resfriado comum, apenas com tratamento sintomático (anti-inflamatórios / antipiréticos, descongestionantes nasais, anti-histamínicos..) após uma semana a 10 dias. Os sintomas podem ter uma duração mais arrastada em fumadores.

Saiba, aqui, tudo sobre resfriado comum.

Gripe

A gripe é uma infeção vírica ou viral (causada por vírus Influenza) que atinge todo o sistema respiratório - nariz, garganta e pulmões e que pode ser variável quanto à gravidade.

Na maioria das pessoas evolui de forma favorável, podendo, contudo, em alguns casos, haver complicações como pneumonia, otite, agudização da asma, sinusite, entre outras.

Os sinais e sintomas mais frequentes na gripe são:

  • Febre acima de 38 C;
  • Dores musculares;
  • Dor de cabeça;
  • Calafrios e suores;
  • Tosse seca e persistente;
  • Fadiga e fraqueza;
  • Congestão nasal (nariz entupido);
  • Perda de olfato e do paladar;
  • Dor de garganta.

A vacina da gripe é determinante na prevenção desta infecção. Não sendo 100 % eficaz, porque os vírus estão em constante mudança, com novas estirpes surgindo regularmente, pode reduzir significativamente a gravidade da infecção bem como as suas complicações.

Saiba, aqui, tudo sobre gripe.

A pandemia de COVID 19 (doença provocada pelo coronavírus SARS-COV 2), que afeta atualmente milhões de pessoas a nível global, possui sintomas muito semelhantes aos atrás descritos para a gripe, incluindo a dor de garganta, que pode ser ligeira, moderada ou em alguns casos cursar com dor intensa.

O diagnóstico diferencial da gripe com a COVID 19 não pode ser realizado exclusivamente com base na clínica, pois a sintomatologia é muito semelhante nas duas doenças e não existe nenhum sintoma que as possa diferenciar.

Assim, na presença de pelo menos um destes sintomas: dor de garganta; dores de cabeça, tosse, febre, dores musculares, congestão nasal, perda de olfato ou paladar, fadiga, calafrios, .... teremos que realizar o teste à SARS-COV2.

Amigdalite

A amigdalite consiste na inflamação das amígdalas, sendo a mais típica a das amígdalas palatinas. Se o processo inflamatório for extensível a toda a mucosa faríngea, designa-se por faringoamigdalite.

As amígdalas palatinas, a amígdala faríngea e a amígdala lingual constituem o anel de Waldeyer, que é um conjunto de aglomerados de tecido linfóide existente na faringe e que participam no sistema de defesa imunitário do aparelho respiratório e digestivo.

As amigdalites ocorrem com maior prevalência nas crianças, podendo, contudo, ocorrer também em idade adulta, sendo das patologias mais comuns no que diz respeito às doenças da garganta. A amigdalite, por norma, afeta ambas as amígdalas palatinas, podendo por vezes ter um caracter unilateral, designando-se então por amigdalite unilateral.

Quando o processo infeccioso unilateral se apresenta muito exuberante, pode ser preocupante, porque pode traduzir potenciais complicações, tais como: o abcesso / fleimão periamigdalino ou doença linfoproliferativa.

A inflamação da garganta, para além da dor (odinofagia), pode interferir com a deglutição (disfagia) e, em casos mais graves, motivar algum grau de dispneia (falta de ar).

Podemos distinguir 2 tipos de amigdalite, a saber:

  • Amigdalite aguda – processo inflamatório pontual, com evolução rápida, relacionado com a dor de garganta e que, com o tratamento adequado, tem uma duração de 5 a 7 dias.
  • Amigdalite crónica – caracteriza-se por um processo inflamatório amigdalino de repetição ou amigdalite recorrente. Nestes casos, podem haver agentes patológicos que afetam de forma permanente o tecido amigdalino, provocando uma inflamação crónica.

Os sinais e sintomas de amigdalite são, habitualmente, os seguintes:

  • Inflamação da garganta, com dor (odinofagia) de intensidade variável;
  • Amígdalas palatinas volumosas (“inchadas”), com rubor e por vezes com placas esbranquiçadas na sua superfície (pus);
  • Dificuldade na deglutição (disfagia);
  • Febre;
  • Halitose (mau hálito);
  • Cefaleias ou dores de cabeça;
  • Mal-estar geral;
  • Dor de ouvidos, frequentemente com observação do ouvido (otoscopia) normal;
  • Voz alterada.

Saiba, aqui, tudo sobre amigdalite.

Faringite

A faringite (inflamação da faringe) pode ser provocada por infeções, alergias, entre outras. A faringite pode desenvolver-se tanto em bebés e crianças (faringite infantil), sendo as causas infeciosas as mais frequentes neste grupo etário, devido à imaturidade do seu sistema imunitário, como também podem ocorrer no adulto devido a uma diversidade de fatores.

O posicionamento da faringe coloca-a em contacto permanente com muitos agentes agressores, designadamente, bactérias, vírus, alérgenos, agentes tóxicos (ex: fumo do cigarro, poluição industrial e urbana...), químicos (como o decorrente do refluxo esofágico), etc.

Podemos agrupar as causas da faringite em:

  • Causas infecciosas – distinguindo-se, neste caso, a faringite vírica (provocada por vírus), a faringite bacteriana (provocada por bactérias), a faringite fúngica (causada por fungos - caso da candidiase orifaríngea por Cândida Albicans) menos frequente.
  • Causas não infecciosas - caso das alergias respiratórias (alergias a ácaros, alergia aos pólens, fungos...)

Os fatores agressores como o tabaco, o álcool, a inalação de tóxicos ambientais, o refluxo esofágico, que ao originarem uma irritação constante na mucosa respiratória, motivam os processos infeciosos, potenciando a instalação da faringite.

Os sinais e sintomas variam muito conforme o motivo que conduziu ao surgimento da faringite, assim:

  • a odinofagia (dor na garganta ao engolir) de instalação progressiva para sólidos e líquidos é comum na causa vírica ou bacteriana;
  • a febre, as cefaleias, o mal estar geral são frequentes nas faringites infecciosas, especificamente nas víricas;
  • a tosse, a expectoração e a rouquidão, que traduzem o envolvimento das vias respiratórias inferiores, são sintomas frequentes nas faringites víricas;
  • a secura faríngea, o ardor (garganta a “arder ou picar”), o pigarro, as picadas são comuns nas faringites crónicas;
  • Adenopatias cervicais.

Saiba, aqui, tudo sobre faringite.

Laringite

A laringite (inflamação da laringe) pode ser originada por infeções, alergias, entre outras causas. A laringite pode afetar tanto adultos como crianças (laringite infantil), sendo, no entanto, diferente a abordagem em cada um dos casos.

Na laringite aguda que apresenta, geralmente, uma duração inferior a três semanas, prevalece o edema (“inchaço”), a inflamação e a exsudação da mucosa, e é determinante a distinção entre adultos e crianças considerando, neste último caso, as dimensões das vias respiratórias. A laringite aguda é a forma mais frequente da doença e de aparecimento repentino.

Na laringite crónica (por regra, com uma duração superior a 3 semanas) predomina a hipertrofia ou metaplasia da mucosa, assim como a fibrose das suas camadas mais profundas, devendo também considerar-se a hipótese de etiologia não infecciosa ou mesmo uma manifestação de doença sistémica. Nos casos crónicos ou na presença de laringite de repetição ou recorrente deve existir sempre uma avaliação em consulta, por médico otorrinolaringologista.

Indiferentemente da causa, a sintomatologia é sempre a mesma, distinguindo-se somente na intensidade, na rapidez da instalação e nos sintomas concomitantes de outros órgãos:

  • Disfonia – existência, na maioria dos casos, de rouquidão. A voz pode ficar estridente, abafada ou mesmo ausente sem conseguir falar (afonia). É essencial salientar que a rouquidão crónica (por mais de três semanas) pode ocorrer mesmo sem inflamação, como é o caso dos nódulos, pólipos, quistos e tumores das cordas vocais, que podem equacionar uma abordagem cirúrgica. A continuidade da disfonia exige que o doente seja sempre avaliado por um médico otorrinolaringologista, como já foi referido anteriormente, que irá realizar uma laringoscopia para realizar o diagnóstico;
  • Dispneia (“falta de ar”) - pode estar associada a sinais de dificuldade respiratória e casualmente a estridor. Este sintoma é especialmente preocupante nas crianças, atendendo às dimensões da laringe nesta faixa etária, porque a redução do lúmen laríngeo causado pelo processo inflamatório pode motivar um compromisso relevante das vias respiratórias;
  • Tosse seca e irritativa;
  • Disfagia - dificuldade na deglutição (dificuldade ao engolir os alimentos);
  • Odinofagia (dor na garganta ao engolir alimentos ou líquidos como água, etc.).

Estes dois últimos sintomas ocorrem também noutras infeções da garganta, como a faringite aguda e a amigdalite aguda, que habitualmente se encontram associadas à laringite aguda, tendo em conta a sua proximidade anatómica, todavia sem a associação desta última não existe rouquidão.

Saiba, aqui, tudo sobre laringite.

Outras causas para a dor de garganta

Para além das causas inflamatórias e infecciosas atrás mencionadas, muitas outras patologias podem estar na origem da dor de garganta. De seguida, enumerámos algumas dessas patologias:

  • Neoplasia maligna faringoamigdalina e/ou da laringe;
  • Nevralgia do Glossofaringeo;
  • Sindrome de eagle (alongamento do processo estilóide e/ou calcificação do ligamento estilóide);
  • Bursite hióideia;
  • Etc.

Diagnóstico na dor de garganta

O diagnóstico é efetuado pelo médico otorrinolaringologista, particularmente nas situações complicadas e com evolução clinica menos comum, através da história clínica e da observação minuciosa da orofaringe, rinofaringe, faringolaringe, cavidade oral, …. , recorrendo frequentemente a procedimentos endoscópicos, através do quais pode constatar, por exemplo, a existência de processos inflamatórios, infecciosos, tumorais ou outros.

Em termos laboratoriais os estudos analíticos, a cultura dos exsudados das zaragatoas efetuadas, com estudo bacteriológico e antibiograma, podem ser auxiliares relevantes na identificação do agente bacteriano causador de infeção ou na presença de outras patologias sistémicas.

Os exames de diagnóstico por imagem, como a tomografia axial computorizada (TAC), a ressonância magnética (RM), entre outros, também podem ser úteis.

Tratamento na dor de garganta

Como vimos anteriormente, a dor de garganta pode ter diversas causas subjacentes. Por isto, o tratamento da dor de garganta deve ser orientado de acordo com a causa subjacente. Ou seja, após diagnóstico, o médico delineará o plano terapêutico em conformidade com as causas para a dor de garganta.

A dor de garganta pode ser atenuada com medicação anti-inflamatória / analgésica (como p. ex o ibuprofeno, o paracetamol …), numa fase inicial dos sintomas, mas a prescrição de antibióticos deve ser sempre efetuada pelo médico após observação. O uso de antibióticos está apenas indicado nas infeções bacterianas, não devendo em caso algum ser o doente a automedicar-se.

Tratamentos caseiros que incorporem uma boa hidratação, como beber chás, etc.) são um importante complemento ao tratamento, permitindo melhorar o estado geral e aliviar os sintomas.

Nunca é de mais referir que a dor de garganta pode ser um sintoma comum a diversas patologias com gravidade muito variável, devendo sempre existir avaliação médica, particularmente no caso de agravamento dos sintomas ou quando estes se arrastam há vários dias.

Clínica de Otorrinolaringologia