Melanoma

Imagens de melanoma

O que é o melanoma?

O melanoma é um cancro de pele que tem como células percursoras os melanócitos (células produtoras de melanina).

Embora seja menos frequente que outros cancros de pele, como o carcinoma basocelular (CBC) e o carcinoma espinocelular (CEC), o melanoma é um tipo de cancro mais perigoso devido à sua capacidade de metastizar (espalhar) para outros órgãos mais rapidamente. Por isto, é muito importante que este tipo de cancro seja diagnosticado e tratado nos seus estágios iniciais, de modo a melhorar o seu prognóstico. Veja mais informação em estadiamento e tratamento do melanoma.

Este tipo de cancro, em forma de “sinal” (veja imagens superiores), aparece mais frequentemente em zonas da pele mais expostas ao sol, no entanto, também se pode desenvolver na zona dos olhos ou no interior do organismo, como no nariz, garganta ou intestinos.

Sinais e sintomas do melanoma

Os melanomas podem desenvolver-se em qualquer parte do corpo, no entanto, são mais frequentes em áreas de grande exposição ao sol, como as costas, pernas, braços e face.

Os primeiros sinais e sintomas de melanoma são, geralmente, pouco percetíveis e, por vezes, difíceis de identificar, tais como:

  • Alterações na aparência da pele;
  • Surgimento de novas placas ou sinais na pele;
  • Alteração na cor ou aparência de algum sinal já existente;
  • Feridas na pele que não cicatrizam;
  • Hemorragias (sangramentos);
  • Pequeno edema (inchaço) avermelhado;
  • Pequena placa vermelha, áspera e seca;
  • Entre outros.

Na observação de um “sinal”, o esquema ABCDE pode ser benéfico para identificar o melanoma e procurar aconselhamento médico quando detetar alguma das seguintes características:

  • A – Assimetria da lesão;
  • B – Bordos irregulares;
  • C – Cores diferentes;
  • D – Diâmetro aumentado;
  • E – Evolução (aumenta de tamanho com o passar do tempo).

Causas do melanoma

O melanoma desenvolve-se através de uma mutação no ADN das células encarregues da produção da melanina (pigmentação da pele), chamadas melanócitos. Esta mutação faz com que os melanócitos se multipliquem rapidamente, desenvolvendo células anormais. A acumulação destas células anormais ou cancerígenas forma o melanoma.

O desenvolvimento destas células anormais está fortemente associado à exposição intensa e súbita de radiação ultravioleta (UV), geralmente, proveniente do sol. Por exemplo, durante as férias, estar muito tempo ao sol pode provocar queimaduras solares, levando por sua vez ao desenvolvimento do melanoma.

Outros fatores de risco podem também estar na origem do melanoma, a saber:

  • Pele clara: Pessoas com um tom de pele mais claro tendem a desenvolver queimaduras solares (ou “apanhar escaldões”) mais facilmente;
  • Hereditariedade (genética): ter familiares próximos com uma história clínica de cancro da pele, aumenta o risco de desenvolvimento de melanomas;
  • Solário: os solários emitem uma grande quantidade de radiação ultravioleta (UV);
  • Elevado número de “sinais” ou marcas de nascença;
  • Idade: Com o avançar da idade o risco de desenvolvimento de melanomas aumenta, surgindo mais frequentemente em idosos;
  • Entre outros.

Tipos de melanoma

Existem quatro tipos de melanoma, que diferem quanto à sua localização e evolução, sendo que, muitas vezes, este tipo de cancro pode evoluir e mudar de classificação.

1. Melanoma de extensão superficial

O melanoma de extensão superficial é a forma mais frequente deste tipo de cancro de pele, e surge frequentemente nas pernas ou braços.

As células cancerígenas tendem a crescer lentamente no início antes de metastizar (espalhar) pela superfície da pele. Contudo, se o melanoma crescer internamente na pele, isto é, nas camadas mais profundas da pele, o cancro pode disseminar-se para outras partes do organismo (metástases).

2. Melanoma nodular

O melanoma nodular é o segundo tipo mais comum da doença e surge frequentemente nas costas, peito, cabeça ou pescoço.

Este tipo de melanoma desenvolve-se mais rapidamente do que os outros tipos, e pode surgir com uma cor avermelhada, azulada ou negra. É também bastante comum o surgimento de hemorragias que sangram frequentemente.

3. Melanoma sobre lentigo maligno ou lentigo maligno melanoma

Este tipo de melanoma é menos comum e desenvolve-se frequentemente em idosos, especialmente nas partes do corpo que tiveram sujeitos a exposição solar excessiva ao longo de vários anos, como o rosto.

Estes melanomas podem crescer gradualmente e mudar de forma. Quando não detetados atempadamente podem crescer até às camadas mais profundas da pele e formar nódulos nessa área.

4. Melanoma acral lentiginoso

O melanoma acral lentiginoso surge frequentemente nas mãos, pés e unhas. Este tipo de melanoma é raro, no entanto, é o mais comum em pessoas com um tom de pele mais escuro.

Diagnóstico do melanoma

Diagnóstico de Melanoma

O diagnóstico do melanoma é realizado por um dermatologista (especialista em dermatologia) e começa, geralmente, pela análise da história clínica do doente e pelo exame físico ou dermatoscopia.

A dermatoscopia é um exame frequentemente realizado por dermatologistas a doentes com suspeitas deste tipo de tumores.

Como meios complementares de diagnóstico e terapêutica (MCDT), o médico pode recorrer:

  • Biópsia da pele: consiste na extração de uma amostra do melanoma para análise em laboratório de anatomia patológica, de modo a avaliar se a lesão é maligna ou benigna;
  • Entre outros.

Estes exames de imagem permitem identificar o estadío ou estágio do melanoma, conforme discutiremos de seguida.

Estadios do melanoma

Geralmente, o estadiamento do melanoma é dividido em 5 estadios, a saber:

Estadio 0

O tumor está apenas presente na camada mais externa da pele (epiderme). Este estadío também significa que o cancro não se metastizou (espalhou) no organismo e é frequentemente chamado de “melanoma in situ”.

Estadio 1 (I)

O cancro tem até 2 milímetros (mm) de espessura e ainda não metastizou pelo organismo.

Estadio 2 (II)

O cancro tem pelo menos 1 mm de espessura, mas pode ter uma espessura superior a 4 mm. Pode ou não ser ulcerada (ferida de difícil cicatrização), e ainda não metastizou para os gânglios linfáticos ou outros locais dentro do organismo, no entanto, tem um alto risco de propagação.

Estadio 3 (III)

O cancro já metastizou para um ou mais gânglios linfáticos próximos (micrometástases). O tumor original pode já não ser visível. Se for visível, pode ter uma espessura superior a 4 mm e pode estar ulcerado.

Estadio 4 (IV)

O cancro já metastizou para canais linfáticos ou órgãos distantes, como o cérebro, pulmões ou fígado (confirmada a existência de metástases).

O melanoma tem cura?

O melanoma quando diagnosticado nos seus estágios iniciais (estadio 0 ou I), é facilmente tratado e o prognóstico é favorável.

No entanto, em estadios mais avançados, principalmente se o cancro já metastizou (as células cancerígenas já se propagaram pelo organismo) o tratamento é mais complexo e o prognóstico é menos favorável.

Por isto, é extremamente importante efetuar o diagnóstico atempadamente e instituir tratamento adequado, geralmente, através da remoção do melanoma, de modo a evitar a progressão da doença, conforme discutiremos de seguida.

Tratamento do melanoma

O tratamento do melanoma visa eliminar todas as células cancerígenas presentes na pele. A remoção por via cirúrgica (cirurgia) é geralmente a primeira opção.

Cirurgia de remoção do melanoma

A operação consiste em remover a lesão e alguns dos tecidos não cancerígenos à volta da pápula.

A cirurgia de remoção é efetuada pelo médico dermatologista em regime de ambulatório. Para tal, o dermatologista efetua uma incisão para retirar o melanoma com uma margem de pele saudável à sua volta.

Após a remoção do melanoma, este é enviado para o laboratório de anatomia patológica para análise, de modo a obter uma classificação do tipo de células presentes e confirmar que todas as células cancerígenas foram eliminadas.

Tratamento do melanoma avançado e/ou recorrente

Melanomas já avançados ou que tenham metastizado requerem um tratamento mais complexo. Nestes casos, podem ser recomendadas outras opções terapêuticas para além da cirurgia, a saber:

  • Radioterapia - A radioterapia utiliza feixes de energia de alta potência para eliminar células cancerígenas. Este método pode também ser utilizado em canais linfáticos se o tumor se disseminou para estes órgãos.
  • Imunoterapia - A imunoterapia é um tratamento medicamentoso que ajuda o sistema imunitário a combater o cancro. O sistema imunitário pode não atacar o cancro porque as células cancerígenas produzem proteínas que as ajudam a “camuflar”, fugindo assim à ação do sistema imunitário. A imunoterapia utiliza medicação que interfere nesse processo. A imunoterapia é, muitas vezes, recomendada após a cirurgia de remoção do melanoma, quando este se disseminou para os gânglios linfáticos ou outras áreas do corpo. Quando isto acontece, a medicação da imunoterapia pode ser injetada diretamente no melanoma.
  • Quimioterapia - A quimioterapia utiliza compostos químicos muito fortes, para eliminar as células cancerígenas. Estes compostos podem ser administrados por via intravenosa (IV), em forma de comprimido ou ambos, de modo a atacar as células cancerígenas em todo o corpo.
  • Tratamento farmacológico - O tratamento farmacológico ou terapia direcionada utiliza medicamentos (remédios) que focam fraquezas específicas presentes dentro de células cancerígenas e causam a sua morte (morte celular).

Prevenção do melanoma

Como vimos anteriormente, o melanoma pode ser devido a diversas causas, podendo algumas delas ser acauteladas. Assim, podemos prevenir o desenvolvimento de melanomas através da adoção de certos comportamentos, a saber:

  • Evitar a exposição prolongada ao sol, principalmente durante as horas mais fortes em radiações ultravioleta (entre as 10 horas da manhã e as 16 horas da tarde);
  • Usar protetor solar com alto FPS (mínimo 30), durante todo o ano, na praia e fora dela, sempre que haja uma exposição prolongada ao sol;
  • Manter as crianças na sombra, reduzir a exposição solar e usar protetor com alto índice de proteção;
  • Usar roupas de proteção e cobrir a pele em dias com muito sol;
  • Não fazer solário;
  • Examinar a pele regularmente e procurar aconselhamento médico imediatamente em caso de alterações suspeitas;
  • Etc.

 

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