Estenose carotídea

Estenose da carótida

O que é estenose carotídea?

A estenose carotídea ou estenose da carótida é uma doença que ocorre quando as artérias carótidas, se tornam estreitas, têm um aperto ou ficam obstruídas. Por norma, as artérias tornam-se obstruídas por placas de aterosclerose, impedindo o normal fluxo sanguíneo (passagem do sangue através das artérias).

A estenose carotídea aumenta o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquémico. O AVC isquémico ocorre quando o fluxo de sangue para o cérebro diminui.

Classificação da estenose carotídea

Nós temos duas artérias carótidas comuns (direita e esquerda). Estas artérias localizam-se no pescoço, fora do crânio e fornecem sangue ao cérebro.

As artérias carótidas comuns dividem-se em dois ramos carótida interna e carótida externa (ver imagens). O segmento onde a artéria carótida comum se divide para originar as artérias carótidas interna e externa denomina-se por bifurcação carotídea. Este é o local onde mais frequentemente se localiza a estenose carotídea (o aperto). Denomina-se por estenose na bifurcação carotídea e como se localiza fora do crânio é referida por estenose carotídea extracraniana.

Se o aperto surgir em ambas as bifurcações carotídeas (direita e esquerda) designa-se estenose carotídea bilateral.

A estenose carotídea é classificada e quantificada de acordo com o grau de obstrução ou aperto. Assim, podemos classificar em vários graus a estenose carotídea:

  • Estenose carotídea superior a 70%;
  • Estenose carotídea de 50-69%;
  • Estenose carotídea inferior a 50%;.

As estenoses inferiores a 50% não são clinicamente relevantes.

As estenoses carotídeas podem estar associadas a sintomas (ver em baixo). Deste modo as estenoses carotídeas podem também ser classificadas em estenoses carotídeas sintomáticas (se apresentam sintomas) ou assintomáticas (quando não apresentam sintomas).

As estenoses carotídeas superiores a 70% sintomáticas são as que têm maior risco de AVC. Neste caso o doente deverá ser proposto para cirurgia (endarteriectomia), para remoção do aperto e assim reduzir o risco de AVC (ver tratamento).

Causas da estenose carotídea

Os fatores de risco para as placas de aterosclerose são:

  • Hipertensão arterial (tensão alta);
  • Hábitos tabágicos (ser fumador);
  • Níveis elevados de colesterol (elevados níveis de gordura no sangue);
  • Idade (o risco de aterosclerose aumenta com a idade);
  • Diabetes.

Sinais e sintomas na estenose carotídea

Na fase inicial a estenose carotídea não apresenta qualquer sinal ou sintoma. É uma estenose carotídea assintomática. Alguns doentes vivem assim toda a sua vida.

Por vezes, a estenose carotídea só é diagnosticada quando causa sintomas, o AVC ou o ataque isquémico transitório (AIT). O AIT é semelhante a um AVC, mas tem uma duração temporal inferior (menos de 24 horas).

Os sintomas do AVC / AIT são:

  • Diminuição da acuidade visual (perda de visão, visão turva ou fraca, cegueira);
  • Fraqueza, dormência ou formigamento na face, membro superior (braço), membro inferior (perna) ou um lado do corpo;
  • Dificuldade em falar ou compreender o que se diz;
  • Desequilíbrio (perdas no equilíbrio, tonturas);
  • Perda de consciência;
  • Náuseas ou vômitos;
  • Confusão súbita ou perda de memória.

É muito importante perceber se todos estes sintomas surgem de forma súbita (“de repente”).

Diagnóstico da estenose carotídea

Para realizar o diagnóstico de estenose carotídea é fundamental a realização de uma história clínica (perguntas sobre as queixas do doente) e do exame objetivo (exame físico).

O diagnóstico de estenose carotídea é confirmado por eco-Doppler. O eco-Doppler é um exame semelhante à ecografia. O médico radiologista ou cirurgião vascular coloca uma sonda (dispositivo) no pescoço do doente, o que permite observar as artérias carótidas e identificar o aperto.

Saiba, aqui, tudo sobre eco-Doppler.

Além do eco-Doppler, outros exames, como o AngioTC também permitem estudar as carótidas. O AngioTC é semelhante à Tomografia Computorizada (TC ou TAC), mas neste caso é injetado um líquido nos vasos do doente que permite examinar o fluxo nas artérias do pescoço.

Saiba, aqui, tudo sobre AngioTC.

As análises permitem detetar os fatores de risco para placas de aterosclerose (diabetes, colesterol) mas não permitem fazer diagnóstico de estenose carotídea.

Complicações da estenose carotídea

A estenose carotídea não tratada provoca cerca de 10-20% dos Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC). Esta doença quando não tratada tem consequências graves e sérios riscos para a saúde do doente.

O AVC é uma emergência médica que pode deixar danos irreversíveis. Em alguns casos o AVC é muito grave, podendo ser fatal (risco de morte).

Estenose carotídea tem cura?

A doença aterosclerótica não tem cura. Mas existem tratamentos que a controlam, conforme veremos de seguida.

Tratamento da estenose carotídea

O objetivo no tratamento de estenose da carótida é prevenir um AVC. As opções terapêuticas dependem do grau de obstrução das artérias carótidas e da existência de sintomas.

Assim, o médico pode recomendar algumas mudanças e ter alguns cuidados no estilo de vida a fim de retardar a aterosclerose, a saber:

  • Parar de fumar;
  • Perder peso;
  • Fazer uma alimentação saudável;
  • Reduzir o sal na alimentação;
  • Não levar uma vida sedentária.

Além disso, poderão ser prescritos alguns medicamentos (ou remédios) de toma oral (comprimidos) para controlar a pressão arterial e manter o colesterol mais baixo. Também podem ser ministrados medicamentos antiagregantes para evitar que a placa de aterosclerose forme coágulos sanguíneos que possam ir para o cérebro.

Cirurgia na estenose carotídea

O médico cirurgião vascular (especialista em cirurgia vascular) também pode recomendar cirurgia (operação) em alguns casos.

A indicação para a cirurgia depende do grau de aperto, dos sintomas e do tipo de doente. O médico após avaliação cuidada em consulta e caracterização da estenose (ver diagnóstico) é que deve decidir qual é o melhor tipo de tratamento.

O tratamento cirúrgico recomendado chama-se endarteriectomia carotídea e consiste em remover a placa de aterosclerose.

Outro tipo de tratamento cirúrgico é a angioplastia carotídea com implante de stent. Esta intervenção é minimamente invasiva, mas o risco da intervenção é superior ao da endarteriectomia não sendo atualmente considerado o tratamento de primeira linha.

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