Biópsia da tiróide

Biópsia da tiróide

O que é biópsia da tiróide?

A biópsia da tiróide (ou biópsia tiroideia) é um procedimento de diagnóstico que nos possibilita, através da introdução de uma fina agulha, recolher células para posteriormente serem analisadas ao microscópio por um médico (especialista em anatomia patológica). A biópsia ou punção aspirativa da tiróide é um exame extremamente relevante e que serve para descartar ou permitir um diagnóstico definitivo em casos suspeitos de doenças malignas da tiróide (cancro da tiróide). Veja adiante “indicações da biópsia da tiróide”.

A tiróide é uma glândula que faz parte do nosso sistema endócrino, que tem como função a produção de hormonas, imprescindíveis ao normal funcionamento do nosso organismo. Está situada no pescoço, anteriormente à traqueia (na região da “garganta”). Uma tiróide normal mede aproximadamente 4 a 7cm de maior eixo e <2 cm de maior espessura. Todavia, estes valores variam bastante de pessoa para pessoa.

A biópsia da tiróide é um exame invasivo e que apresenta riscos (veja adiante quais). Assim, o doente deve realizar a biópsia somente quando não existem outras opções que nos possibilitem descartar as suspeitas, conforme abordaremos de seguida.

Indicações da biópsia da tiróide?

Efetivamente, o grande indício que nos conduz à realização da biópsia da tiróide é a suspeita de cancro da tiróide. O único exame que nos viabiliza alcançar um diagnóstico concludente de cancro da tiróide é a biópsia com análise das células ao microscópio (exame citológico).

Alguns nódulos da tiróide, detetados nos exames imagiológicos que descreveremos em baixo, necessitam de uma melhor caracterização. A biópsia é a única alternativa para conhecermos a sua diferenciação citológica e, desta forma, percebermos se estamos perante um tumor benigno (não cancro) ou maligno (cancro da tiróide).

Os exames que são, habitualmente, realizados no estudo da tiróide são:

  • Análises da tiróide – A tiróide faz parte do sistema endócrino e produz algumas hormonas essenciais à regulação do nosso organismo. É possível, através de análises ao sangue, conhecer os valores dessas hormonas e desta forma perceber se a tiróide está a funcionar bem ou se apresenta alguma anomalia. As análises da tiróide (T1, T2, T3, T4, TSH, …) são de fácil e rápida execução. Caso se verifiquem alterações nestas análises deverá ser efetuado estudo imagiológico (exames de imagem).
  • Ecografia da tiróide - é o exame de eleição para a avaliação inicial da tiróide. Nesta técnica é utilizado um aparelho, chamado ecógrafo que produz ultrassons e que não emprega radiação ionizante, possibilitando avaliar a tiróide. A palavra ecografia é, usualmente, abreviada para ECO na linguagem médica, neste caso, abreviada para Eco tiróideia ou Eco da tiróide. Uma sonda possibilita a captação de imagens e o envio das mesmas para um monitor em tempo real para observação por parte do médico e assim avaliar a tiróide. Os indicadores mais comuns para a execução deste exame são alterações das hormonas tiróideias nas análises sanguíneas, controlo de nódulos tiróideus ou clínica sugestiva de hipotiroidismo ou hipertiroidismo. Saiba, aqui, tudo sobre ecografia da tiróide.
  • Outros exames - A ecografia é o exame de predileção para a avaliação inicial da tiróide, porém pode ser necessária a concretização de outros exames, como a TC (Tomografia Computorizada), ou a cintigrafia, entre outros. Um dos indicadores para a execução destes exames é a existência de bócio mergulhante (TC) ou a caracterização de alguns nódulos tiróideus (cintigrafia).

Como é feita a biópsia da tiróide?

O procedimento é realizado em ambulatório (não necessitando de internamento). Em casos especiais, o exame pode ser feito com sedação (anestesia geral), sobretudo em mulheres não colaborantes.

A biópsia é feita através de uma agulha que é introduzida até alcançar a tiróide e desta forma seja possível recolher pequenas amostras de tecido. Por norma, a biópsia da tiróide é guiada por ecografia, possibilitando ao médico radiologista (especialista em radiologia) observar o trajeto da agulha até atingir a tiróide e efetuar a recolha das amostras.

Após a recolha das amostras dos tecidos da tiróide, estas são enviadas para análise em laboratório. É o médico anatomopatologista (especialista em anatomia patológica) que irá observar criteriosamente as amostras das células ao microscópio. A partir desta análise é que são conhecidos os resultados do exame, ou seja, é possível saber se as células são benignas ou malignas (cancerígenas) e perceber a sua diferenciação histológica.

Assim que são conhecidos os resultados da análise laboratorial (exame citológico), estes são comunicados ao médico assistente / doente. Se o resultado for positivo à suspeita de cancro deve ser efetuada avaliação pelo médico e iniciado tratamento o mais prematuramente possível em concordância com a diferenciação anatomo-patológica, entre outros fatores.

Se o resultado for negativo à suspeita de cancro e dependendo dos sintomas e dos demais meios complementares de diagnóstico e terapêutica efetuados (MCDT), deverá ser realizada orientação pelo médico. Veja mais informação em “tumores benignos vs malignos”.

Preparação para a biópsia da tiróide

Por norma, não é necessário executar qualquer preparação prévia para a realização da biópsia da tiróide, devendo o doente apenas comparecer no local e levar consigo os exames / análises que eventualmente estejam na sua posse.

Pode ser necessário suspender alguma medicação, fundamentalmente anticoagulantes e / ou antiagregantes, antes do procedimento. Por isto, o doente deve informar sempre o médico dos medicamentos (remédios) que esteja a tomar.

O doente não precisa estar em jejum, podendo comer e beber como habitualmente antes do exame.

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Quanto tempo demora o exame?

Habitualmente, a biópsia da tiróide demora entre 20 a 30 minutos para recolher as amostras.

Depois de recolhidas, as amostras dos tecidos são enviadas para o laboratório, sendo necessários alguns dias para obtermos o resultado da biópsia. Este tempo, é muito variável e deve ser adequado com a urgência do exame.

Riscos da biópsia da tiróide

A biopsia aspirativa da tiróide é, na atualidade, um exame muito seguro e com uma baixa taxa de complicações desde que seja executado por um profissional com experiência e que sejam seguidas todas as recomendações de segurança. Contudo, à semelhança de qualquer procedimento invasivo existem sempre alguns riscos que devem ser acautelados como por exemplo a hemorragia (sangramento), fundamentalmente, em doentes que usam medicamentos anticoagulantes e / ou antiagregantes.

Existe o risco da biópsia ser inconclusiva. Neste caso, os fragmentos de tecido recolhidos não reúnem, por algum motivo, as condições para realizar um diagnóstico com segurança. Assim, o exame poderá ter de ser repetido, de forma a recolher novas amostras de tecido.

A biópsia da tiróide é dolorosa?

A biópsia da tiróide, geralmente, não é dolorosa, embora alguns doentes refiram alguma dor durante o procedimento. Trata-se de um exame invasivo gerador de incómodo e que é suportado de forma diferente de pessoa para pessoa.

Podem ser tomadas medidas para minimizar a dor após o procedimento, como veremos de seguida.

Cuidados após a biópsia da tiróide

A biópsia da tiróide é um exame seguro com uma baixa taxa de complicações, podendo o doente retomar a sua atividade normal imediatamente após a sua realização, não necessitando, por isso, de qualquer período de recuperação.

Devem ser tomados alguns cuidados posteriores à realização da biópsia, como não praticar desportos ou atividades que necessitem de esforços físicos intensos e manter o penso protetor que lhe foi aplicado após a biópsia.

É normal surgirem algumas dores, equimose (“negro”) ou desconforto no local onde foi efetuada a punção. Para aliviar os sintomas pode aplicar gelo sobre esta região. Deve haver o cuidado de proteger a região com um pano e nunca aplicar o gelo mais de 10-15 minutos seguidos, podendo repetir a aplicação mais tarde. O doente também pode, desde que não exista nenhuma contraindicação médica, tomar paracetamol para permitir o alivio da dor.

Por norma, a existir, o desconforto que surge é ligeiro e desaparece em poucas horas. Se este desconforto se mantiver por muito tempo ou aparecerem sinais e sintomas que lhe suscitem dúvidas deverá entrar em contacto com o seu médico.

Quanto custa uma biópsia da tiróide?

Os doentes do Sistema Nacional de Saúde (SNS) apenas suportam o valor das taxas moderadoras (caso não estejam isentos). Da mesma forma, os doentes da ADSE, apenas carecem suportar o custo da taxa moderadora.

Se o utente pretende efetuar a biópsia tiróide a título particular, o seu preço é determinado pela clínica que faz o exame. O valor do exame é o somatório do procedimento de recolha das amostras e pala sua análise posterior em laboratório.

Veja onde fazer a biópsia da tiróide e mais informações sobre outros exames em Portugal, selecionado o seu concelho.

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Tumores benignos vs malignos

Nem todos os tumores da tiróide são cancro, ou seja, podemos estar perante um tumor benigno (não cancro) ou de um tumor maligno (cancro).

Um tumor benigno:

  • Não invade os tecidos ao seu redor;
  • Não cria metáteses ou não se “espalha” para outras partes do corpo;
  • Pode ser removido e pode crescer muito lentamente.

No que diz respeito ao crescimento da tiróide com origem maligna (tumor maligno ou cancro da tiróide):

  • Às vezes pode ser uma ameaça à vida;
  • Pode afetar órgãos e tecidos próximos;
  • Pode-se “espalhar” (metastizar) para outras partes do corpo (como gânglios linfáticos ou ossos);
  • Muitas vezes, pode ser removido, mas por vezes volta a crescer.
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