Espondilose

Fotos de espondilose

O que é espondilose?

A espondilose ou artrose na coluna é uma alteração degenerativa da coluna vertebral, consequência do progressivo envelhecimento das estruturas que a constituem. É extremamente frequente, e pese embora na maioria dos casos não se trate de uma situação grave, pode ser causa de dor e incapacidade importantes.

Todos os segmentos da coluna podem ser afetados pela espondilose. Designando-se respetivamente por espondilose cervical (quando afeta a coluna cervical), espondilose dorsal ou torácica (quando afeta a coluna dorsal ou torácica), espondilose lombar (quando afeta a coluna lombar) e espondilose lombossagrada (quando afeta a coluna lombossagrada).

Outros termos habitualmente utilizados para designar a osteoartrose da coluna são espondilartrose e espondilodiscartrose.

Espondilose - causas

Os ossos da coluna, as vértebras, articulam entre si por intermédio dos discos intervertebrais, estruturas que permitem o movimento e a absorção de choques, e por um par de articulações chamadas interfacetárias ou zigapofisárias.

À medida que envelhecemos, ocorrem alterações a nível celular que vão afetar a estrutura e o funcionamento dos discos intervertebrais (discopatia degenerativa, discartrose e uncartrose) e articulações interfacetárias (zigartrose ou artrose interapofisária), tornando-os menos resistentes ao desgaste da utilização diária.

Os discos perdem a sua estrutura, forma e altura, alterando o padrão de movimento intervertebral e sobrecarregando as articulações interfacetárias. Consequentemente desenvolvem-se espículas ósseas, os osteófitos, vulgarmente designados por bicos de papagaio, que podem comprimir as estruturas nervosas causando inflamação e dor.

Espondilose - fatores de risco

A espondilose está associada ao envelhecimento, estimando-se que após os 40 anos mais de 80% da população evidencie algum grau de artrose nos estudos radiográficos. Contudo, a maioria não apresenta sintomas significativos.

Parece também haver uma predisposição genética para o desenvolvimento da artrose, que é mais comum em indivíduos que sofram igualmente de artrose das ancas, joelhos e mãos. Profissões e atividades fisicamente exigentes podem igualmente associar-se à espondilose e ao aparecimento de sintomas.

Espondilose - sintomas

A espondilose ou artrose na coluna manifesta-se com sintomas como dor, desconforto ou tensão nas costas ou pescoço.

A intensidade é variável, podendo mudar ao longo do dia, com o movimento, posição ou atividade, mas na maioria dos doentes não é incapacitante. A dor tanto pode ser bem localizada e limitada à coluna como irradiar para a cabeça (na espondilose cervical), tórax (na espondilose dorsal) ou nádegas e virilhas (na espondilose lombar e lombossagrada). Ciática (dor irradiada ao longo da perna e pé), adormecimento ou alterações da força podem ocorrer consequentemente a compressão de um nervo.

As dores da coluna que se prolongam no tempo, febre, arrepios, ou perda de peso são sinais de alarme e o doente deve procurar um médico de imediato.

Espondilose - diagnóstico

Os estudos radiográficos mostram os típicos sinais da espondilose, como osteófitos (bicos de papagaio), perda da altura dos discos intervertebrais, artrose interfacetária, instabilidade vertebral ou alteração das normais curvaturas da coluna.

Numa fase inicial, todas estas alterações são pouco pronunciadas. Contudo, não há uma relação direta entre a magnitude das alterações degenerativas e a clínica, podendo doentes com espondilose incipiente, apresentarem dor incapacitante, enquanto que outros com marcadas alterações radiográficas estarem praticamente assintomáticos. É, pois, necessária uma elevada correlação com o exame clínico do doente para se chegar a um correto diagnóstico.

Outros exames como Tomografia Computorizada (TAC) e a Ressonância Magnética (RM) da coluna podem ser igualmente requisitadas para uma melhor definição das alterações ósseas e restantes estruturas da coluna vertebral.

Saiba, aqui, o que é RM da coluna.

Espondilose tem cura?

Embora a artrose seja progressiva e presentemente não seja possível revertê-la, a maioria dos pacientes responde favoravelmente ao tratamento conservador, não cirúrgico, com excelente controlo dos sintomas.

Saiba de seguida, como tratar a artrose na coluna.

Espondilose - tratamento

Na espondilose, o tratamento conservador, não cirúrgico, é eficaz e está indicado na maioria das situações:

  • Medicamentos (ou remédios) anti-inflamatórios, analgésicos e relaxantes musculares, podem aliviar a dor e permitir uma reabilitação mais adequada;
  • Fisioterapia, incluindo aplicação de calor, gelo, massagem, ultrassons ou eletroestimulação. O reforço muscular ativo, o treino cardiovascular e o controlo do peso estão igualmente indicados;
  • Coletes ou ortóteses lombares e colares cervicais são úteis para alguns doentes, mas provocam descondicionamento muscular pelo que não devem ser usados sistematicamente;
  • Fazer repouso pode ser necessário temporariamente, mas deve ser desaconselhado e preferir a recuperação ativa.

Intervenções minimamente invasivas como infiltrações articulares, bloqueios nervosos ou radiofrequência podem ser benéficas em determinados pacientes.

O doente não deve em caso algum automedicar-se ou tentar qualquer tipo de tratamento caseiro ou natural sem aconselhamento médico, sob pena de poder atrasar o correto diagnóstico e tratamento, e eventualmente agravar o seu quadro clínico.

Tratamento cirúrgico (cirurgia)

A cirurgia (ou operação), envolvendo a fusão de segmentos vertebrais ou substituição de discos intervertebrais (prótese ou artroplastia de disco) só muito raramente está indicada na espondilose, e apenas uma vez esgotados os meios não cirúrgicos e na presença de uma perfeita correlação entre os sintomas e os resultados dos estudos imagiológicos.

Medidas de prevenção

Embora a artrose seja progressiva, e o exercício físico não tenha um impacto direto no seu desenvolvimento, o treino cardiovascular (caminhada, corrida, bicicleta) com reforço da musculatura postural e alongamentos (Pilates, Yoga, core strengthning), bem como uma dieta equilibrada e variada, controlando o peso, ajudam a manter uma correta postura, melhorar a flexibilidade, força e resistência da coluna vertebral. Apesar de não permitirem reverter o processo degenerativo, estas medidas são uma importante forma de prevenir a sintomatologia resultante do envelhecimento da coluna.

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