Bursite da anca

Bursite da anca (ou bursite do quadril)

O que é bursite da anca?

Uma bursite resulta de uma inflamação das bolsas sinoviais (ou bursas). Uma bolsa sinovial (ou bursa) é um pequeno saco cheio de um fluído (líquido) gelatinoso. As bursas estão situadas entre o osso e os tendões / músculos e permitem reduzir os atritos. Ou seja, funcionam como “amortecedores” para reduzir os impactos, isto é, como uma espécie de “almofada” para reduzir as fricções. Para além da anca, podemos encontrar bolsas sinoviais um pouco por todo o corpo (ombros, joelhos, calcanhar, etc.). 

Na anca existem quatro bursas  (bursa trocantérica, bursa isquiática, bursa ilio-psoas e a bursa do glúteo médio). Em todas as bursas pode ocorrer inflamação (bursite), no entanto, existem fatores (localização, atividades, etc.) que tornam a bursite mais frequente em algumas localizações.

A bursite trocantérica (ou trocanterite) é a inflamação da bursa trocantérica que se localiza na região trocantérica (entre o trocânter maior do fémur e a banda ílio-tibial e o tendão do músculo do glúteo médio). A trocanterite é o tipo de bursite mais frequente na anca.

A bursite isquiática (inflamação da bursa isquiática) ocorre com relativa frequência, apesar de ser menos frequente que a bursite trocantérica. A bursa isquiática está localizada entre o glúteo maior e a tuberosidade isquiática.

Para além destas duas bursas (bursa trocantérica e bursa isquiática), existem outras duas na anca (bursa ilio-psoas e a bursa do glúteo médio), se bem que seja rara a ocorrência de inflamação nestas duas bolsas sinoviais. Veja imagens superiores.

A bursite da anca, principalmente a bursite trocantérica, é uma das causas frequentes para a dor peritrocantérica (dor na região femoral proximal ou “dor na face externa da anca”).

A bursite pode ser unilateral (afetar apenas a anca esquerda ou a direita) ou pode, em alguns casos, apesar de menos habitual, ser bilateral (afetar as duas ancas).

A bursite trocantérica está, muitas vezes, associada à tendinite da fáscia lata. Uma tendinite ou tendinopatia é uma inflamação de um tendão. A fáscia lata é o tendão da face lateral da coxa (da anca ao joelho).

Saiba, aqui, tudo sobre tendinites da anca e coxa.

A bursite da anca pode cursar de forma aguda ou pode evoluir para uma bursite crónica da anca. Na maioria dos casos, a bursite possui bom prognóstico, desde que sejam tomadas todas as medidas adequadas em tempo oportuno. Veja mais informação em tratamento.

Sintomas de bursite na anca

A dor na anca é a principal sintomatologia, cuja localização depende da bursa afetada.

Na bursite trocantérica (trocanterite), os sintomas caracterizam-se pela sensibilidade e dor na região lateral da coxa (“parte de lado e de fora da anca”) que, por vezes, irradia para a região inguinal (região da virilha). Veja imagens superiores para melhor perceber onde se localiza a bursa trocantérica. A dor tende a intensificar com a atividade (caminhada, subir ou descer escadas, etc.). Os doentes, por norma, sentem dificuldade em deitarem-se “de lado” sob a anca afetada, causando frequentemente dificuldades em dormir durante a noite.

Na bursite isquiática, os sintomas são a dor e sensibilidade localizadas na área da nádega e que irradia para a face posterior da coxa. Esta bursite pode causar dor forte, que se faz notar com maior frequência ao subir escadas ou caminhar em planos inclinados. A dor é, muitas vezes, sentida após exercício prolongado em superfícies duras.

Em qualquer uma das bursites, a dor na anca pode variar de moderada a intensa e pode irradiar em alguns casos para a coxa e para o joelho. Nos desportistas, a prática de exercício físico pode agravar as queixas, fundamentalmente nos casos em que existe treino intensivo ou um aumento repentino da carga de treino, devendo equacionar-se a suspensão da atividade física. Veja mais informação em tratamento.

Causas de bursite na anca

Na maioria dos casos, a bursite é de origem não infecciosa (bursite asséptica) causada por inflamação que resulta de traumatismos e esforços repetidos.

A prática de certos desportos ou atividades (futebol, atletismo, trail, musculação, etc.) pode desencadear a bursite pelo esforço realizado. A bursite pode ocorrer mais facilmente se as atividades não reunirem as condições para serem praticadas. Alguns fatores de risco para o desenvolvimento da bursite são: calçado desportivo inadequado, superfícies irregulares, superfícies inclinadas, etc..

Algumas profissões, pelas atividades que desenvolvem, como por exemplo, subir e descer as escadas, atividades repetitivas, etc. podem estar mais suscetíveis ao desenvolvimento de bursite.

A bursite trocantérica está muito associada à realização de movimentos repetitivos de flexão / extensão (esticar e dobrar a anca).

A bursite isquiática é mais frequente em pessoas que permanecem sentadas durante muito tempo e em superfícies duras. Os doentes mais obesos que perdem peso de uma forma repentina e reduzem a proteção gordurosa (nas nádegas) estão mais suscetíveis à inflamação da bursa isquiática.

Em raras ocasiões, a bursa da anca pode infetar com bactérias. Esta condição é chamada de bursite séptica.

A bursite pode também surgir na sequência de algumas doenças reumatismais (artrite reumatóide, gota, lúpus, artrite psoriática, etc.), embora também seja pouco frequente como manifestação primária.

Diagnóstico de bursite na anca

O diagnóstico das bursites da anca é feito, essencialmente, pela avaliação clínica. O médico ortopedista (especialista em ortopedia) após recolher a história clínica irá observar o doente. Através da localização da dor, entre outros, o médico poderá diagnosticar a bursite da anca sem o recurso a qualquer outro meio auxiliar de diagnóstico.

Em caso de necessidade, para confirmar o diagnóstico ou para excluir outras patologias (doenças), o médico poderá requisitar alguns meios complementares de diagnóstico e terapêutica (MCDT). Os exames mais frequentemente usados são o Raio X (radiografia da anca) que nos permite excluir outras causas de dor na anca (como por exemplo a coxartrose ou artrose da anca) e a ecografia que nos permite visualizar o líquido nas bursas (provocado pelo derrame inflamatório). A ressonância magnética (RM) é, contudo, o exame que apresenta uma melhor acuidade diagnóstica. A RM permite-nos obter imagens de alta resolução das estruturas, sendo muito importante no diagnóstico diferencial de outras patologias.

Para além dos MCDT atrás mencionados, o médico poderá solicitar outros exames e análises (sanguíneas, de urina, etc.) sempre que se justifique.

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Bursite na anca tem cura?

A bursite na anca tem cura, desde que seja diagnosticada e tratada de forma correta e atempada. Por norma, a bursite da anca possui bom prognóstico, desde que sejam tomadas a medidas terapêuticas adequadas. No entanto, em alguns casos, podem surgir algumas complicações, como a evolução para a dor crónica na anca, fundamentalmente, quando não é diagnosticada e tratada adequadamente.

Saiba, de seguida, como tratar a bursite na anca.

Tratamento de bursite na anca

A maioria das bursites da anca é de causa não infecciosa (assépticas). Habitualmente, o tratamento das bursites da anca é instituído de igual forma, independentemente das bursas acometidas, e consiste nos seguintes procedimentos:

  • Medidas Gerais - a primeira medida para a recuperação é realizar repouso. Sendo assim, terá de parar de efetuar desportos ou trabalhos que agravem os sintomas, durante várias semanas. Os doentes com bursite da anca podem, muitas vezes, apresentar melhorias com redução de peso e uso de calçado adequado para atividades desportivas. Devem evitar subir / descer planos inclinados (montanhas, colinas, escadas) e não realizar pressão direta na anca afetada (dormir para o outro lado). No caso dos desportistas, o treino pode ser substituído por outras atividades de manutenção que não exijam ou minimizem o esforço nas ancas.
  • Gelo - fazer a aplicação de gelo (frio) na região afetada (veja imagens) permite auxiliar na redução da inflamação e diminuir as dores. Poderá aplicar uma bolsa de gelo caseiro enrolado numa compressa ou num pano (toalha por exemplo), para não queimar a pele, durante 15 minutos. Poderá, mais tarde, voltar a colocar o gelo durante mais 15 minutos, repetindo este processo várias vezes por dia.
  • Medicação anti-inflamatória - os medicamentos (ou remédios) anti-inflamatórios não-esteróides (AINE’s), como por exemplo o ibuprofeno ou naproxeno possibilitam aliviar a dor e o edema (inchaço). Este tratamento medicamentoso, geralmente, é prescrito em comprimidos, devendo o doente toma-lo sempre de acordo com a prescrição, pois esta medicação pode provocar alguns efeitos adversos. Para prevenir alguns desses efeitos adversos, o médico poderá associar-lhe um protetor gástrico. Podem também ser usados anti-inflamatórios na sua forma tópica, para a aplicação de pomada na região afetada. Lembre-se que estes medicamentos podem ter alguns efeitos secundários, pelo que o doente deverá tomar a medicação sempre de acordo com as indicações do médico.
  • Injeções de cortisona - a infiltração de cortisona na sua forma injetável (injeção) consiste numa forte medicação anti-inflamatória. O seu médico irá avaliar os riscos / benefícios, antes de tomar a decisão de administrar a cortisona injetável.
  • Fisioterapia – o tratamento fisioterapêutico consiste num conjunto de procedimentos muito importantes na redução da inflamação e alívio da dor na anca. O médico deverá decidir previamente qual o plano de reabilitação que melhor se adequa ao doente em causa. O fisioterapeuta pode realizar ultrassons, massagens com gelo ou técnicas de estimulação para melhorar a cicatrização. São recomendados alguns exercícios específicos de modo a permitir fortalecer os músculos das pernas. A terapia de ondas de choque extracorporal são uma técnica que permite emitir impulsos (ondas de choque) de alta energia. Estas ondas geram uma espécie de “microtrauma” que permite beneficiar o processo de cicatrização natural da bursa inflamada.
  • Plasma rico em plaquetas - o plasma rico em plaquetas está atualmente a ser investigado pela sua eficácia na aceleração da cicatrização de uma variedade de lesões. O plasma rico em plaquetas é desenvolvido a partir do sangue do próprio doente. A solução é composta por uma elevada concentração de proteínas designadas fatores de crescimento que são de enorme importância para a cura de lesões.
  • Aspiração do fluído de bursa - Ocasionalmente, pode ser necessário realizar a aspiração do fluido da bursa. Este procedimento envolve a remoção do fluido com uma agulha e seringa em condições estéreis. Este procedimento pode ser realizado no consultório do médico em regime de ambulatório. O fluido é, normalmente, enviado para um laboratório para análise posterior.
  • Drenagem cirúrgica, bursectomia - A drenagem cirúrgica e a remoção do saco da bursa infetado (bursectomia), através de uma pequena cirurgia (ou operação) também podem ser necessárias. No entanto, a necessidade de recurso a tratamento cirúrgico é rara.
    Exercícios de alongamento - Atividades como o Yoga ou o Pilates podem permitir realizar alguns exercícios de alongamento dos músculos e tendões, importantes não só para o alívio das queixas como na prevenção de futuros episódios de dor.
  • Tratamento antibiótico – Como vimos, a bursite infecciosa da anca (séptica) é rara. As análises em laboratório permitem identificar as bactérias responsáveis pela infeção. A bursite séptica requer tratamento com antibióticos, muitas vezes por via intravenosa. Pode ser necessária aspiração repetida do líquido infetado. A administração de antibióticos sem que exista uma infeção é contra-indicada. Nunca se auto-medique e consulte sempre o médico.
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