Histerossalpingografia

Histerossalpingografia

O que é histerossalpingografia?

A histerossalpingografia é um exame que serve para verificar a permeabilidade das trompas de Falópio. É usada em casos de infertilidade ou antes de uma Inseminação Artificial, ou para outro diagnóstico de doença uterina e/ou tubar.

Trata-se de um meio complementar de diagnóstico (exame) que permite avaliar a permeabilidade das trompas e a cavidade uterina, através da injeção de uma pequena quantidade de contraste através do colo do útero. A função deste contraste é permitir a visualização da cavidade uterina e trompas através do uso de um aparelho de Raio X.

Como se faz a histerossalpingografia?

O exame é feito por um médico numa sala ou laboratório, de radiologia, isto porque as imagens colhidas são baseadas em Raio X (RX) convencional. O procedimento usado (aquisição de imagem de Raio X em tempo real, ou por vídeo) é habitualmente referido por fluoroscopia.

Não é necessária, de uma forma geral, preparação prévia. Este exame não precisa de jejum. É recomendável, no entanto, que se tenha tomado um medicamento analgésico (Ibuprofeno 600mg, por exemplo), de forma a reduzir o desconforto do exame.

A altura ideal para o realizar é após a menstruação, antes da ovulação ocorrer. Tratando-se de um exame invasivo, deve haver certeza de ausência de gravidez, pelo que um atraso menstrual é contraindicação para a realização do mesmo.

A preparação começa com o exame ginecológico e exposição do colo do útero e desinfeção local. Dependendo do material usado para instilar o contraste, poderá ser usada uma cânula metálica ou cateter plástico (descartável) e, frequentemente, uma pinça no colo do útero, para ajudar a expor o útero e melhorar a qualidade das imagens.

A cânula é introduzida através do colo do útero para permitir a passagem do contraste.

Uma pequena quantidade de contraste radiológico (iodado - 10-30ml) é inserida através do colo, passando para o útero e, depois, trompas de Falópio, enquanto esta passagem é observada num monitor. Se tudo estiver bem, o contraste passará para a cavidade abdominal, sendo isto prova da permeabilidade tubar.

São colhidas algumas imagens para documentar o exame, com melhor resolução.

Os resultados do exame serão conhecidos imediatamente, pelo que poderá saber se o seu exame é normal poucos minutos após o seu término.

Quanto tempo demora o exame?

A histerossalpingografia é um exame de execução rápida. Em média, a duração do exame é de apenas 30 a 40 segundos. Por vezes, especialmente em casos de obstrução, é necessário prolongar alguns segundos a realização do exame.

A histerossalpingografia dói?

Este estudo pode ser algo doloroso. É recomendável tomar um analgésico antes do exame, por exemplo ibuprofeno (600mg) 1 a 2 horas antes. O maior problema desta dor é que é difícil de caracterizar, pelo que por vezes assusta, aumentando a sua perceção (o medo piora a experiência da dor).

Apesar da perceção da dor variar muito entre mulheres, todas sentem, pelo menos, algum desconforto ou dor surda no fundo da barriga durante o exame. Trata-se da dor causada pela dilatação do útero e trompas pela solução contrastada e habitualmente passa rapidamente, já que o exame é rápido. Esta fase é, por norma, completada em menos de 40 segundos.

Patologias como endometriose ou a existência de obstrução podem levar a aumento do desconforto sentido.

Toda a envolvência do exame pode contribuir para melhorar ou piorar a sua experiência. É importante, por isso, falar com o médico antes, rever o procedimento, perceber o que se espera que faça, o que vai acontecer e o que esperar. O objetivo é diminuir o desconforto associado ao exame, medo da dor e medo do resultado.

Deve saber também que a dor que sentirá é normal (tipo menstrual, mais forte) e é normal não perceber muito bem de onde é originada.

A dor pode ainda variar mediante o tipo de contraste utilizado: os contrastes de base aquosa (não iónicos) causam habitualmente menos dor, entre outras vantagens, como menor probabilidade de reação alérgica.

Se todas estas condições forem reunidas, habitualmente o exame é muito bem tolerado.

Por estas razões, e porque o exame beneficia da colaboração da utente para o posicionamento, nomeadamente para se colocar de pé, a histerossalpingografia com sedação não é recomendável. A anestesia provocaria uma experiência sem dor, mas à custa de alguns riscos e inconvenientes para a interpretação do estudo.

Quando não deve fazer o exame?

Apesar de ser seguro, o exame deve ser realizado em situações em que exista uma probabilidade alta da mulher beneficiar do estudo.

Infertilidade, sobretudo de causa desconhecida ou indicação para inseminação artificial são algumas das indicações para o realizar. Dadas as contraindicações e o facto de ser um exame invasivo (que tem risco de algumas complicações e pode ser doloroso) deve sempre ser preferencialmente pedido por um ginecologista.

Algumas contraindicações à realização do exame, que serão avaliadas pelo médico, poderão ser:

  • Suspeita de infeção vaginal, uterina, nas trompas ou ovários (pélvica) ou Doença Inflamatória Pélvica (DIP);
  • Alergia prévia a contrastes radiológicos ou aos excipientes;
  • Possibilidade de estar grávida;
  • Menstruação ou hemorragia não estudada.

A radiação usada é prejudicial?

O exame, efetuado de forma correta, é seguro e não aumenta os riscos para a mulher, gónadas (ovários) ou futura gravidez.

A dose de radiação efetiva é calculada em cerca de 1,2 mSv. A dose que o ser humano recebe da natureza todos os anos é cerca de 3,1mSv.

Histerossalpingografia - diagnósticos

Com a histerossalpingografia podem ser encontradas imagens sugestivas de:

Nas trompas de Falópio:

  • Obstrução unilateral ou bilateral das trompas de Falópio, em qualquer dos seus segmentos;
  • Espasmo tubar;
  • Hidrossalpinge (trompa dilatada);
  • Adesões pélvicas peri-tubares:

No útero:

  • Pólipos endometriais;
  • Miomas (leiomiomas) submucosos;
  • Sinéquias (adesões ou “cicatrizes” uterinas);
  • Anomalias anatómicas.

Tenho as trompas obstruídas, e agora?

Primeiro o exame deve ser interpretado no seu contexto clínico, e deve perceber que o mesmo pode errar (mesmo bem interpretado), e erra mais no sentido de diagnosticar uma doença quando ela não existe (falso positivo). Por isso, deve ser corretamente interpretado, por um médico conhecedor do seu contexto clínico.

Muitas mulheres em que uma das trompas está obstruída ou inexistente, conseguem mesmo assim engravidar.

Se ambas as trompas estiverem ocluídas (por doença ou laqueação tubar por exemplo), é possível engravidar com recurso a técnicas de Procriação Medicamente Assistida (PMA).

Devo ter cuidados a seguir ao exame?

Após o exame pode sentir algum desconforto abdominal e perda hemática vaginal ligeira, o que é normal. Poderá tomar um analgésico de venda livre, se necessitar (por exemplo, ibuprofeno).

Depois do exame pode retomar as suas atividades normais, incluindo a relação sexual, se os sintomas o permitirem.

As complicações deste exame são muito raras, no entanto, dores fortes que se mantenham ou aumentem, hemorragia ou sangramento abundante e febre não são situações normais, devendo por isso ser avaliadas.

A menstruação após a histerossalpingografia virá provavelmente na data prevista, apesar da perda de sangue que poderá ter no dia do exame.

Alternativas à histerossalpingografia

A histerossonografia pode avaliar a cavidade uterina com algum detalhe e a histerossonossalpingografia pode avaliar adicionalmente a permeabilidade tubar. São exames realizados com recurso a ecografia, menos desconfortáveis (habitualmente) mas com dificuldades técnicas acrescidas na interpretação (especialmente em relação à permeabilidade tubar). No entanto, o último é uma alternativa válida a discutir com o seu ginecologista ou especialista em infertilidade.

Gravidez após histerossalpingografia

Após o exame é possível engravidar, porque a histerossalpingografia pode contribuir para a desobstrução tubar, e não prejudica as probabilidades de gravidez, se realizada na altura correta.

Como as mulheres candidatas ao exame habitualmente solicitaram ajuda porque se encontravam a tentar engravidar, é possível que isto aconteça depois da histerossalpingografia, mesmo que o exame não tenha contribuído para tal.

Apesar de a desobstrução das trompas por histerossalpingografia estar documentada, podendo contribuir para um aumento da probabilidade de gravidez em algumas mulheres, este não é o principal objetivo do exame e não deve ser usado para esse fim específico.

Saiba, aqui, tudo sobre a otimização da fertilidade.

Quanto custa a histerossalpingografia?

O preço da histerossalpingografia a título particular pode variar de acordo com a clínica e o médico que realizará o exame.

O valor do exame pode também diferir de acordo com o subsistema de saúde associado ao utente (ex. SNS, ADES, seguros, etc).

Veja mais informação sobre onde fazer a histerossalpingografia e outros exames, selecionando o seu concelho. Note que não deve em caso algum realizar exames sem conselho médico.

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