Cesariana

Cesariana

O que é uma cesariana?

A cesariana é um procedimento cirúrgico (operação) para a extração do feto (nascimento do bebé) por via abdominal através da realização de um pequeno corte realizado acima da púbis da mãe.

Há que ter em conta que uma cesariana deve ser realizada para evitar um mal maior, ou seja, para evitar um problema grave para o feto ou para a mãe. Apesar de ser um procedimento muito seguro na atualidade, deve apenas ser realizado em determinadas condições. Veja adiante mais informação em “indicações da cesariana”.

Em muitos países europeus e americanos tem havido um aumento do número de partos por cesariana. A questão coloca-se se este aumento do número de cesarianas é justificado por razões médicas ou não. As explicações são muitas e as conclusões não são fáceis. Entender algumas considerações permite analisar melhor o tema.

A organização mundial de saúde (OMS) recomenda manter a taxa de cesarianas abaixo dos 15%. Mas convém recordar que este número não leva em consideração a heterogeneidade étnica, o aumento da idade materna, as técnicas de reprodução medicamente assistidas e o aumento das gravidezes múltiplas (gémeos) em muitas sociedades modernas. Portanto, seria mais lógico considerar um valor maior, que segundo o nosso tipo de população rondaria os 20 a 25%.

A cesariana é uma intervenção cirúrgica com riscos maternos muito baixos, mas superior ao parto vaginal (veja quais em riscos da cesariana e comparação com o parto normal). Por isto, a cesariana deve ser realizada apenas em determinadas condições, conforme descrevemos de seguida.

Quando está recomendada a cesariana?

Sem entrar numa classificação muito exaustiva, podemos resumir de uma forma simples quais são as principais indicações para uma cesariana:

  1. Se o canal de parto não permite a passagem do feto, ou porque este é muito grande ou porque a bacia da mãe é muito estreita. É denominada de incompatibilidade feto-pélvica;
  2. Se há placenta prévia (placenta baixa) ou o cordão é velamentoso (passa em frente do colo uterino) e a passagem do feto é impossível, pois pode provocar uma hemorragia muito grande;
  3. Se o feto não tolera o parto normal. Se antes ou durante o parto se considera que existe um risco de sofrimento, então a cesariana é alternativa para protegê-lo;
  4. Se o parto põe em risco a mãe visto esta padecer de alguma patologia (doença). Esta é uma indicação menos frequente.

De seguida, descrevemos passo a passo como se realiza uma cesariana.

Como se realiza uma cesariana?

A cesariana é feita através de uma pequena abertura na parede abdominal da mãe, normalmente através de uma pequena incisão na pele 2 a 3 cm acima da sínfise púbica (da púbis) com cerca de 10 cm de comprimento.

Depois fazem-se outras aberturas nos tecidos colocados por baixo da pele (tecido celular subcutâneo, aponevrose e peritoneu) até chegar ao útero.

Por fim faz-se uma abertura neste (também transversal) para extração do feto. Posteriormente, retira-se a placenta e de seguida são encerradas (suturadas) as aberturas que foram realizadas para chegar ao feto.

Com quantas semanas o bebé pode nascer?

Por norma, o recém-nascido nasce de forma espontânea (parto normal) entre as 37 e as 42 semanas de gestação. A cesariana pode ser programada a partir das 39 semanas pois é a idade gestacional em que se considera que toda a maturação do feto (nomeadamente cerebral) está completa. A baixo das 39 semanas de gestação considera-se que o bebé é um termo-prematuro.

A decisão de efetuar a cesariana num dado momento da gravidez deve ser tomada pelo médico obstetra (especialista em obstetrícia), levando em consideração diversos fatores relacionados com a saúde da mãe e do feto.

Saiba, aqui, tudo sobre evolução da gravidez.

Anestesia na cesariana

A anestesia durante a cesariana pode ser igual à do parto normal (epidural ou raqui-anestesia). Em raras situações pode ser realizada anestesia geral.

Quanto tempo demora uma cesariana

É variável. Depende se se trata da primeira cesariana ou se há cesarianas anteriores. Se é uma cesariana em ausência ou em trabalho de parto. Mas, normalmente, varia entre 30 a 60 minutos.

Riscos, complicações na cesariana

Embora sejam raras as complicações, quando comparadas com o parto normal o parto por cesariana possui associada uma maior perda de sangue, maior risco de lesão da bexiga e maior risco tromboembólico.

Em gravidezes subsequentes aumenta o risco de novo parto por cesariana, placenta prévia (placenta baixa), placenta acreta (placenta aderente ao útero) e risco de rotura uterina se entrar novamente em trabalho de parto.

Apesar dos riscos atrás enumerados a cesarina é um procedimento cirúrgico muito seguro na atualidade com uma baixa taxa de complicações quer durante quer após a cirurgia, desde que executada por especialistas em obstetrícia devidamente capacitados para o efeito.

Cicatriz após cesariana

A cicatriz após a cesarina resulta da pequena incisão na pele (2 a 3 cm). O local da cicatriz é acima da sínfise púbica (a púbis). A extensão (tamanho) é de aproximadamente 10 cm de comprimento.

As técnicas atuais permitem minimizar bastante a cicatriz, apesar de ser sempre visível quando a mulher está completamente despida.

Recuperação, cuidados após a alta

A recuperação após uma cesariana pode ser mais demorada quando comparada com um parto normal, pois é realizada uma cirurgia. Pode haver algumas dores no pós-parto imediato e a deambulação (andar, caminhar) faz-se mais tarde do que no parto normal.

Devem ser seguidas as seguintes recomendações no pós-operatório da cesariana:

  • Se foi usado na pele um fio não absorvível os pontos são retirados normalmente ao 7º dia. Se foi usado um fio absorvível não é necessário retirar pontos;
  • O uso de uma cinta no pós-operatório pode dar algum conforto;
  • A mulher deve manter uma dieta rica em cálcio (particularmente aquelas que amamentam);
  • A administração de suplementos de ferro pode ser importante para compensar as perdas hemáticas (perdas de sangue) após o parto;
  • A mulher pode reiniciar a sua atividade sexual após a cessação do lóquios, desde que as relações sexuais não provoquem does e desconforto e tenham decorrido, pelo menos 2 a 3 semanas após a cesariana;
  • É normal no primeiro mês após o parto surgirem alterações no humor, irritabilidade, labilidade emocional, ansiedade, insónia (dormir mal), crises de choro (pospartum blues). Habitualmente, estas alterações são transitórias, melhorando ao final de 2 semanas. Se estas alterações se prolongarem por muito mais tempo a mulher deve procurar ajuda, pois pode surgir uma depressão pós-parto;
  • É costume surgir queda de cabelo mais intensa até aos 6 meses após o parto;
  • Esforços e atividade física deve ser evitada nas primeiras semanas, devendo ser retomada de forma gradual;
  • A consulta do puerpério deve ser feita entre a 4ª a 6ª semana após o parto;
  • O teste do pezinho (recém nascido) deve ser realizado no 3º dia de vida. A primeira consulta deve ser feita aos 15 dias de vida.

Quanto custa uma cesariana?

O custo de uma cesariana varia de acordo com diversos fatores. Se a cesariana é efetuada num hospital público não existe lugar a qualquer tipo de pagamento (é uma intervenção gratuita). Se a mulher optar por um hospital particular, o preço da cesariana varia de acordo com o seu subsistema de saúde ou seguro de saúde e das condições associadas. Informe-se junto do seu subsistema ou fornecedor do seguro de saúde.

Veja mais informação sobre o valor e onde fazer a cesariana em Portugal, selecionando o seu concelho de residência.

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Mitos e verdades sobre a cesariana

Existem alguns mitos e verdades sobre a cesariana. Tentamos, de seguida, desmitificar alguns deles:

  • Embora o parto normal ou natural tenha menos riscos que o parto por cesariana, os riscos desta são baixos (veja quais em riscos da cesariana);
  • Os bebés nascidos por cesariana são totalmente normais no seu desenvolvimento. Alguns estudos sugerem um risco maior de alergias e problemas digestivos. Isto porque o bebé ao não passar no canal de parto não é sujeito às bactérias presentes na vagina da mãe que vão colonizar o sistema digestivo do bebé e melhorar a sua flora intestinal e imunidade. Estão a ser estudadas formas com suplementos para compensar esta possível deficiência.
  • Uma vez realizada uma cesariana os partos a seguir não têm de ser necessariamente por cesariana. Mas aumenta a probabilidade de isso acontecer;
  • A amamentação não é pior em bebés nascidos por cesariana. Embora o leite demore mais a subir, a amamentação é igual independentemente do tipo de parto. Em ambos os casos esta deve ser estimulada precocemente;
  • O vínculo mãe-bebé não é menor após o parto por cesariana. Diversos estudos demonstram que não há diferenças. Pode-se favorecer o contacto do bebé com a mãe tão rápido como num parto normal.

Vantagens do parto normal vs cesariana

O parto normal ou natural (com ou sem intervenção instrumental) possui diversas vantagens quando comparado com o parto por cesariana, a saber:

  • Existe um risco de infecção inferior;
  • Tempo de internamento mais baixo (geralmente 48 horas);
  • O tempo de recuperação mais baixo;
  • O útero volta ao tamanho natural mais rápido;
  • Aumenta as hormónas responsáveis pelo bem estar;
  • Menores riscos com complicações anestésicas;

Para o bebé também existem algumas vantagens, a saber:

  • Uma maior tranquilidade e recetividade ao toque e para o bebé;
  • Existe uma facilidade acrescida para respirar (no parto normal, o bebé ao passar pelo canal de parto faz com que o tórax seja comprimido, provocando com que os líquidos do interior do pulmão sejam naturalmente expelidos);

Saiba, aqui, tudo sobre o parto normal.

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