Biópsia Oral

Biopsia oral

O que é, como é feito, e a sua importância

A saúde oral vai muito além de dentes brancos, alinhados e sem cáries. Envolve a monitorização constante das mucosas, gengivas, lábios e língua, sendo por isso muito importante o autoexame, assim como visitas regulares ao seu médico dentista.

Nesse contexto, a biópsia oral ou bucal, surge como um procedimento fundamental para o diagnóstico precoce e preventivo, quando nos referimos a cancro oral, de forma a permitir definir o melhor tratamento.

Abaixo, são descritos os detalhes deste exame que pode salvar vidas.

O que é a Biópsia Oral?

A biópsia oral consiste na remoção de uma pequena amostra de tecido vivo (uma "pequena porção" de pele ou mucosa) de uma área da boca que apresenta alguma alteração relativamente ao padrão normal.

Essa amostra é posteriormente enviada para um laboratório de anatomia patológica para ser analisada microscopicamente por um médico especialista.

Existem, essencialmente, dois tipos de biópsia a considerar:

1. Biópsia Incisional: Remove-se apenas uma parte da lesão (indicada para lesões grandes);

2. Biópsia Excisional: Remove-se a lesão na sua totalidade (comum em lesões pequenas).

Em que locais da boca pode ser realizada a biópsia?

A biópsia pode ser feita em praticamente qualquer estrutura da cavidade oral, dependendo de onde a alteração é detetada:
• Língua (bordos laterais, ápice, dorso e base);
• Gengivas;
• Interior das bochechas (mucosa jugal);
• Palato (céu da boca);
• Lábios;
• Soalho da boca (área por baixo da língua).

 

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Objetivo principal

Determinar com precisão a natureza de uma lesão (benigna, pré-maligna ou maligna), sendo por isso crucial no despiste de cancro oral.

Efetivamente, embora uma biópsia possa servir para identificar infeções, doenças autoimunes, tumores ou lesões benignas, o seu objetivo primordial é determinar o diagnóstico de lesões suspeitas de cancro oral.

O cancro oral, quando detetado nas fases iniciais, apresenta taxas de cura elevadas. Muitas vezes, uma mancha branca (leucoplasia) ou mancha vermelha (eritroplasia), que não desaparece em duas semanas, pode parecer inofensiva, mas a biópsia é o único método confiável para confirmar ou descartar a presença de células malignas.

Importante - Regra de Ouro

Assim, qualquer lesão persistente, seja uma ferida, uma mancha (branca ou vermelha), um relevo ou aumento de volume (nódulo ou tumefação), úlcera dolorosa, tecido mole endurecido ou qualquer outra alteração na boca que não cicatrize em 15 dias, assim como dificuldade em mastigar ou engolir, deve ser considerado um sinal de alerta e consequentemente deve ser avaliado por um profissional de saúde.

É um procedimento doloroso?

Existe a ideia comum de que a biópsia é um processo invasivo e doloroso. Na realidade, o procedimento não provoca dor, e por norma é pouco invasivo.

• É realizado sob anestesia local (a mesma utilizada para tratar uma cárie por exemplo).
• O procedimento é rápido, durando geralmente entre 10 a 20 minutos, podendo haver ou não a necessidade de dar um ou dois pontos de sutura.
• No pós-operatório, pode haver algum desconforto ou ligeira dor, mas nada que interfira com a rotina normal, sendo facilmente controlado com analgésicos comuns e alguns cuidados simples, que o seu profissional de saúde lhe irá aconselhar.

Quem pode realizar a biópsia?

Não é necessário dirigir-se a um hospital ou qualquer entidade de saúde de grande dimensão para este exame.

Um médico dentista, preferencialmente aderente ao projeto PIPCO, está plenamente capacitado para:
1. Identificar uma lesão suspeita durante um check-up de rotina;
2. Realizar a colheita do tecido (biópsia);
3. Encaminhar o utente para o tratamento adequado, se necessário.

O médico dentista é o profissional de primeira linha na prevenção do cancro oral. Visitas regulares permitem que estas lesões sejam detetadas a tempo, tornando o diagnóstico precoce a sua melhor arma de defesa.

A Biópsia Oral é comparticipada pelo Serviço Nacional de Saúde?

Sim, através do cheque diagnóstico PIPCO (Projeto de Intervenção Precoce no Cancro Oral),

Após a emissão do Cheque diagnóstico PIPCO, a biópsia pode ser realizada pelo SNS em clínicas privadas, tendo a mesma que ser efetuada por um Médico Dentista qualificado para o efeito, ou seja, apenas por aqueles que sejam aderentes ao PNPSO e estejam abrangidos pelo projeto PIPCO.

O PIPCO é uma iniciativa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em Portugal, integrada no Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral. O seu principal objetivo é acelerar o diagnóstico de lesões malignas ou potencialmente malignas na boca, aumentando as taxas de cura através de uma intervenção rápida.

O projeto baseia-se num sistema de "referenciação" que utiliza o Cheque Dentista Diagnóstico PIPCO.

Deteção: O processo começa normalmente no Médico de Família, ou junto de um Médico Dentista. Pode ocorrer durante um rastreio de rotina a grupos de risco ou quando o próprio utente nota algo anormal (uma ferida que não cicatriza, por exemplo).

Emissão do Cheque: Se o médico detetar uma lesão suspeita, emite um Cheque Dentista Diagnóstico PIPCO.

Consulta Especializada: Com este cheque, o utente marca uma consulta com um médico dentista especializado, que se encontre aderente ao projeto PIPCO, para uma avaliação mais profunda, dando sequência ao processo.

Quem tem direito ao cheque dentista diagnóstico PIPCO?

Qualquer pessoa com uma lesão suspeita pode ser integrada no programa, independentemente da sua idade, sexo ou estatuto social

O projeto PIPCO existe precisamente para que o medo ou a falta de meios financeiros não impeçam um diagnóstico atempado.

Se tiver alguma lesão na boca que o preocupe, ou que não desapareça em 15 dias, deve marcar uma consulta com o seu médico de família do Centro de Saúde para que ele possa avaliar a necessidade de o integrar no projeto, ou então consultar diretamente o seu médico dentista, para que este avalie e determine a necessidade de requisitar o cheque dentista diagnóstico, para que depois então se possa proceder à realização da biópsia ao abrigo do protocolo em vigor.

Após emissão do Cheque Dentista Diagnóstico, o médico dentista (que esteja abrangido pelo projeto PIPCO), pode então utilizá-lo, por forma a recolher uma amostra (biópsia), e enviá-la para análise laboratorial, sem qualquer custo para o utente, pois é um serviço totalmente comparticipado pelo SNS. 

Resultados

O relatório anatomopatológico fica pronto habitualmente em 3 a 7 dias úteis.

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