Instabilidade do punho

instabilidade do punho

O que é instabilidade do punho?

O punho (ou popularmente “pulso”) consiste num complexo arranjo de pequenos ossos, ligamentos e tendões que unem o antebraço à mão, permitindo mobilidade e conferindo estabilidade, o que permite a globalidade de funções da mão, desde o controlo motor fino até atividades que envolvem uma preensão forte, como sejam agarrar ou transportar objetos pesados.

Quando a mecânica normal do punho é alterada, como resultado de lesões ósseas e/ou ligamentares, a estabilidade do punho fica comprometida, resultando numa alteração das normais relações anatómicas.

Sintomas na instabilidade do punho

A instabilidade do punho ou instabilidade cárpica consiste numa alteração do normal alinhamento dos ossos do carpo, originando sintomas como dor, fraqueza, rigidez e, frequentemente, artrose ou colapso do punho, se não for tratada adequadamente.

Embora os sinais clínicos e radiológicos iniciais possam ser subtis, a compreensão da cinemática do punho e padrões de instabilidade, pode facilitar o diagnóstico precoce e a abordagem destas situações.

A queixa de “pulso aberto” ou “inflamado “é frequente nos doentes com patologia a nível do punho, e pode incluir sintomas como dor, instabilidade, falta de força ou a presença de uma tumefação (ou “caroço”) a nível do punho. Esta denominação, não corresponde portanto a uma patologia específica mas sim a sintomas diversos que podem resultar de diferentes entidades patológicas, como lesões ligamentares e/ou ósseas, que geralmente surgem após um episódio traumático ou de esforço (por exemplo, durante a prática de musculação, etc.).

Causas para a instabilidade do punho

A instabilidade do punho pode resultar de:

  • Traumatismo ou entorse do punho, por vezes, associado a fratura (mais frequentemente do rádio e do escafoide);
  • Lesões repetitivas do punho;
  • Sinovite inflamatória, que pode ocorrer em patologias inflamatórias crónicas, como a artrite reumatoide;
  • Degeneração articular, como na doença de Kienboch;
  • Infeção;
  • Malformações congénitas;
  • Doenças neurológicas;
  • Etc..

A instabilidade do punho pode ser devida a um evento traumático agudo ou ser secundária a lesões crónicas dos ligamentos de suporte após um traumatismo ou secundária a patologias (doenças) subjacentes (ex: artrite reumatóide, pseudogota).

Uma queda ou traumatismo pode originar fraturas e/ou rotura de diversos ligamentos capazes de causar instabilidade do punho, que se podem manifestar, na fase aguda, por dor, deformidade, edema (ou “inchaço”) do punho, de intensidades variáveis de acordo com a gravidade da lesão inicial.

Os pequenos traumatismos repetitivos também podem estar na origem de lesões ligamentares. Praticantes de desportos em que ocorram quedas frequentes ou que impliquem movimentos de torção repetitiva do punho, estão em risco acrescido de desenvolver lesões capazes de originar instabilidade do punho.

Para além das patologias atrás mencionadas que estão entre as principais causas para a instabilidade do punho, outras poderão desencadear a sintomatologia. Veja mais informação em patologias da mão e do punho.

Diagnóstico da instabilidade do punho

A exata incidência de instabilidades do punho é difícil de determinar já que muitos casos não são diagnosticados.

Numa fase inicial, por serem pouco incapacitantes, os sintomas podem ser desvalorizados pelo doente, o que pode atrasar a procura de apoio especializado. No entanto, se não tratadas atempadamente, estas lesões tendem a evoluir para artrose do punho com agravamento da dor e incapacidade.

Daí a importância de identificar estes casos precocemente, de forma a evitar a sua evolução com consequente diminuição da qualidade de vida dos doentes afetados.

Os sintomas variam com a magnitude da lesão, as lesões associadas e o tempo decorrido desde a sua origem. As queixas mais frequentes incluem dor, que agrava com o transporte de pesos e que, por vezes, está associada a ressalto durante o movimento, diminuição da força de preensão, edema ou “inchaço” do punho e, geralmente em fases mais tardias, rigidez dos movimentos.

O exame clínico por um médico ortopedista (especialista em ortopedia) é muito importante. Existem diversos testes e manobras clínicas que podem auxiliar o diagnóstico.

As radiografias do punho são realizadas por rotina para avaliar a integridade estrutural dos ossos do punho, bem como a relação entre eles, mas podem ser normais nas fases iniciais da doença. Nos casos em que a suspeita clínica o justifique, pode haver necessidade de realizar outros exames auxiliares de diagnóstico como a Tomografia computorizada (TC ou TAC), a ressonância magnética (RM), ou artro-ressonância. O exame artroscópico do punho pode ser útil como método de diagnóstico, além de poder constituir também uma opção terapêutica nestes casos.

Instabilidade do punho tem cura?

O tratamento atempado da instabilidade do punho é um aspeto chave na prevenção de sequelas graves a médio e longo prazo.

Daí que, um diagnóstico correto e atempado é fundamental para possibilitar a estes doentes melhorar ou mesmo voltar ao seu estado normal, permitindo evitar a evolução da doença e preservar a qualidade de vida destes doentes.

Tratamento da instabilidade do punho

O tratamento da instabilidade do punho depende de vários fatores, como o tipo de lesão e a causa subjacente, o tempo decorrido desde a lesão e o seu estádio.

Numa fase inicial, pode haver lugar ao tratamento conservador. Nas lesões agudas, o recurso a medicamentos (ou remédios) analgésicos e anti-inflamatórios e a aplicação de gelo são medidas úteis para aliviar a dor e o edema (ou “inchaço”). Muitas vezes, é necessário imobilizar o punho através de aparelhos gessados (gesso fechado ou tala gessada) e/ou ortóteses, seguido de mobilização progressiva, com recurso a exercícios e à fisioterapia.

Nos casos de apresentação mais crónica, o tratamento conservador pode incluir medicação analgésica e anti-inflamatória, fisioterapia, bem como repouso de atividades que desencadeiam e/ou agravam os sintomas.

No entanto, sempre que possível, os ligamentos danificados devem ser reparados ou reconstruídos por cirurgia (ou operação).

As técnicas de reparação e reconstrução ligamentar têm evoluído de forma significativa nos últimos anos. O recurso à artroscopia no tratamento da instabilidade do punho é atualmente possível num número cada vez maior de procedimentos, consistindo numa técnica menos invasiva e, por isso, associada a menos dor no pós-operatório, a um tempo de recuperação mais rápido, além de ser esteticamente mais atrativa.

O tempo de recuperação é muito variável em função do tipo de procedimento realizado. Após um período de imobilização que dura, em média, 4-6 semanas, inicia-se a fase de reabilitação, geralmente com necessidade de recurso à fisioterapia. Atividades ligeiras podem ser realizadas normalmente a partir das 6-8 semanas. No caso de atletas ou praticantes de desporto ou atividade física que envolva os membros superiores, geralmente só podem retomar o exercício após 4 a 6 meses.

O tratamento deste tipo de patologia, pela sua complexidade, deve ser realizado por um médico ortopedista (especialista em ortopedia) com experiência em patologia da mão e do punho.

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