Cirurgia de Joanete

Cirurgia de joanete

Quando operar o joanete?

A cirurgia de joanete (ou operação) visa a correção cirúrgica da deformidade e alívio da dor, devendo ser considerada nos casos em que o tratamento conservador falha. Ou seja, a operação aos joanetes só deverá ser efetuada nos casos em que o tratamento conservador não produz os resultados esperados. Isto é, a indicação da cirurgia é inequívoca quando estamos na presença de dor, que o tratamento conservador não consegue controlar. A decisão de operar deve ser tomada pelo médico ortopedista em conjunto com o doente.

O objetivo da cirurgia é corrigir todos os elementos patológicos, e o procedimento é seleccionado com base na gravidade.

Técnicas cirúrgicas

Existem na atualidade diversas técnicas ou procedimentos cirúrgicos que permitem corrigir a deformidade e aliviar a dor. A existência de tantas técnicas cirúrgicas é indicador de que não há um tratamento ideal uniforme para todos os casos, mas que este deve ser individualizado em função da idade do doente, grau de deformidade e co-morbilidades.

Estas cirurgias, normalmente, passam pela remoção de crescimento ósseo do joanete e o realinhamento do primeiro raio do pé.

Podemos identificar dois tipos de joanetes no pé, a saber:

  1. O hallux valgus que afeta o primeiro dedo ou “dedo grande” do pé. Este tipo de joanete constitui a deformidade mais frequente (tipo de joanete mais comum);
  2. Joanete Sastre, bunionette ou joanete de alfaiate que afeta o quinto dedo ou dedo mínimo, popularmente conhecido por “dedo mindinho, dedo pequeno ou dedinho do pé”. Este é o tipo de joanete menos frequente.

Saiba, aqui, o que é joanete, conheça as causas, os sintomas e tratamento conservador.

A seleção da técnica cirúrgica vai depender do tipo de joanete envolvido e das características de cada caso. Como vimos, o joanete mais prevalente é o que afeta o primeiro dedo do pé (hallux valgus). São as cirurgias que permitem a sua correção as mais frequentemente realizadas.

As técnicas cirúrgicas podem ser realizadas sobre os tecidos moles, ou no osso (osteotomias, artrodeses, artroplastia de resseção e próteses) e, ainda, procedimentos combinados.

Na maioria das ocasiões são realizadas cirurgias de realinhamento ósseo através de procedimentos nos ossos e procedimentos combinados. Como vimos, na atualidade, as cirurgias minimamente invasivas têm vindo a ganhar destaque quando comparados com a cirurgia aberta tradicional.

A cirurgia de joanete feita nos tecidos moles é suficiente somente para corrigir pequenas deformidades, com ângulo intermetatarsiano inferior a 15º.

A cirurgia de remoção do bunion (exostectomia) é utilizada em combinação com outros procedimentos, uma vez que isolada não permite o alinhamento da articulação.

As osteotomias são cortes feitos nos ossos realizadas a diferentes níveis, por forma a corrigir a deformidade, e fixas com pinos, parafusos ou placas. Na presença de alterações degenerativas (artroses) com deformidade grave e no caso de insucesso de cirurgias prévias, é realizada uma artrodese (fusão), conseguida através de parafusos ou pinos.

A artroplastia de resseção não é muito utilizada porque altera a força de impulsão na marcha, e está reservada para doentes idosos e falhanços cirúrgicos prévios.

A cirurgia de joanete percutânea é uma técnica cirúrgica minimamente invasiva, onde são realizados pequenos orifícios por onde são introduzidos os instrumentos que permitem corrigir a deformidade. Esta técnica permite que o procedimento seja realizado em ambulatório (sem necessidade de internamento). Como vimos, na atualidade, os procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos têm vindo a ganhar destaque quando comparados com a cirurgia aberta tradicional.

A cirurgia de joanete é realizada maioritariamente com técnicas de anestesia regional sem que o doente esteja a dormir, o que minimiza os riscos e permite um período acrescido de analgesia após a operação. A escolha da anestesia: loco-regional, raquianestesia ou geral vai depender da avaliação do médico anestesiologista.

Veja fotos superiores com o antes e depois da cirurgia de Joanete.

Cirurgia de joanete - riscos, complicações

Embora a cirurgia de joanete permita obter excelentes resultados, a operação não é infalível e comporta alguns riscos que não devem ser descurados, sejam eles derivados da anestesia local, do tipo de intervenção praticada ou dos que podem advir da atitude do paciente.

As principais complicações estão relacionadas com a cicatrização dos tecidos, a não união óssea, desvio da osteotomia, hematoma, alterações da sensibilidade local, entre outros. Estas complicações podem variar e dependem da técnica cirúrgica e de uma educação pré-operatória das expectativas do doente.

A recidiva do joanete é, contudo, a complicação mais frequente. O problema pode voltar a surgir perante condições favoráveis, ou seja, caso o pé seja submetido a compressões inadequadas consequentes da utilização de um calçado impróprio (de biqueira estreita e salto alto).

Se quer saber como escolher os sapatos para quem tem joanetes, siga este link.

Outros problemas como a elevação do primeiro raio, pseudartrose, desvio rotacional, fratura, infeção, metatarsalgia de transferência, osteonecrose da cabeça do meta e algodistrofia, podem também ocorrer.

Cirurgia de joanete - pós operatório

O pós-operatório da cirurgia de joanete depende da técnica cirúrgica utilizada. Nos casos dos procedimentos nos ossos ou combinados, em cirurgia aberta, o período de pós-operatório é mais prolongado.

Os cuidados no pós-operatório garantem o sucesso do tratamento, diminuindo a probabilidade de resultados insatisfatórios e eventuais complicações. Os cuidados com os pensos são de importância crucial, devendo sempre ser realizados de forma a manter a correção conseguida. O penso deve ser realizado regularmente e os pontos são retirados, habitualmente, após 12dias, conforme evolução da cicatriz.

Após a cirurgia o paciente pode caminhar somente com a utilização de sapato com apoio no calcanhar (sapato de Barouk).

Cirurgia de joanete - recuperação

Na cirurgia de joanete, a recuperação é habitualmente rápida podendo o doente caminhar logo após a cirurgia, desde que utilize uma sandália adequada para o pós operatório. O seguimento correto no pós-operatório diminui a possibilidade de resultados insatisfatórios e complicações.

O tempo de recuperação depende do tipo de cirurgia realizada, no entanto, em média após seis a oito semanas é permitido o uso de calçado de salto baixo para caminhar. Durante este período, o doente não necessita de efetuar repouso absoluto. No entanto, nas primeiras duas semanas é importante a elevação do membro inferior para evitar o edema (“inchaço”).

Os implantes podem ser removidos a partir dos seis a nove meses após cirurgia. Nos doentes idosos que tolerem bem o material não há necessidade de novo procedimento cirúrgico para extração do mesmo.

Podem ser necessárias sessões de fisioterapia para ajudar a diminuir o edema e ajudar a reabilitar os movimentos do dedo.

O tempo de recuperação até ao reinício da atividade laboral habitual depende diretamente da gravidade da deformação corrigida e da profissão do paciente (necessidade e estar muitas horas de pé, caminhar, etc).

Quanto custa uma cirurgia de joanete?

Numa cirurgia de joanete, o preço varia bastante consoante a técnica cirúrgica a utilizar bem como o sistema ou subsistema de saúde existente (caso exista).

O valor associado às técnicas cirúrgicas minimamente invasivas tende a ser inferior quando comparado com as técnicas mais invasivas.

O preço da cirurgia apenas poderá ser estimado pelo médico ortopedista após avaliação em consulta.

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