Papanicolau

Papanicolau

O que é o exame de Papanicolau?

A citologia do colo do útero ou colpocitologia, vulgarmente conhecido como Papanicolau, é um exame ginecológico que serve de rastreio do cancro do colo do útero. Tradicionalmente, o exame realizado era a citologia convencional com esfregaço de Papanicolau (realizado numa lâmina). A citologia em meio líquido (frasco) tem sido realizada de forma crescente, pois é mais fácil a sua interpretação e permite a realização de exames complementares.

A citologia cervical (do colo do útero) é um exame preventivo que tem como objetivo detetar precocemente lesões no colo do útero e permitir o seu tratamento atempado e adequado. Assim, a citologia do colo do útero é um exame de rastreio realizado em Portugal que tem como objetivo prevenir a evolução de alterações das células do colo do útero para cancro.

Indicações para a realização do Papanicolau

Uma vez que a citologia do colo do útero é um exame de rastreio do cancro do colo uterino, este tem indicação para ser realizado a todas as mulheres da nossa população. Este é o único exame de rastreio a ser realizado às mulheres com menos de 30 anos de idade. A partir desta idade, pode ser utilizado o teste de HPV de alto risco isoladamente ou associado à colpocitologia como forma de rastreio.

Existem dois tipos de rastreio, o organizado e o oportunista, tendo cada um deles recomendações distintas. O rastreio organizado é aplicado a toda a população nacional como uma medida de Saúde Pública e tem como principal objetivo diminuir a mortalidade devido ao cancro do colo do útero. Deve ser iniciado aos 25 anos e termina aos 65 anos de idade. A repetição do exame é feita de 3 em 3 anos. O rastreio oportunista faz parte dos cuidados de saúde personalizados e individualizados, sendo o exame realizado após a avaliação de caso a caso. Inicia-se depois dos 21 anos ou após os 3 anos do início da atividade sexual. Neste caso, não há idade limite para deixar de realizar o exame. Em ambos os rastreios, nas mulheres com mais de 30 anos, pode ser realizado o teste de HPV de alto risco, devendo ser repetido de 5 em 5 anos. Assim, este exame não tem indicação para ser realizado na mulher virgem (que nunca teve relações sexuais).

As mulheres que foram vacinadas contra o HPV de forma profilática devem manter as recomendações de rastreio de forma semelhante à população em geral.

Em casos específicos de mulheres que tenham doenças que alteram a sua imunidade (imunodeprimidas), devem realizar o exame de rastreio de forma anual.

A mulher grávida pode fazer o exame de Papanicolau. No entanto, a sua realização apenas está indicada nos casos em que não houve rastreio adequado anteriormente à gravidez.

É necessária preparação?

Para a realização da colpocitologia a mulher não necessita de nenhuma preparação prévia. No entanto, há alguns requisitos que devem ser considerados.

Se a mulher tiver um corrimento sugestivo de infeção deve ser avaliada pelo médico e fazer o tratamento adequado previamente.

O tratamento da atrofia vulvo-vaginal na mulher menopausica também pode ser aconselhável previamente à realização do exame citológico, que poderá ser realizado nos meses seguintes.

Se a mulher estiver menstruada, o exame não deve ser realizado pois as células do colo uterino recolhidas vão estar misturadas com sangue, o que dificulta a sua interpretação. No entanto, pode ser indicação para a realização do exame as perdas de sangue fora das menstruações ou com as relações sexuais, em que o colo do útero é suspeito na observação clínica (a olho nu).

A mulher não deve ter relações sexuais no dia anterior à realização do exame.

A mulher grávida pode fazer o exame, estando recomendada a sua realização e sendo uma boa oportunidade de rastreio na mulher que não o fez de forma adequada anteriormente à gravidez.

Mostramos-lhe, de seguida, passo a passo, como se realiza o procedimento.

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Como é feito o Papanicolau?

A citologia do colo do útero, também conhecida como exame de Papanicolau, é um procedimento que se realiza associado ao exame ginecológico. Este exame é indolor (não provoca dor).

Inicialmente, é colocado o espéculo para permitir a visualização de todo o colo do útero. Posteriormente, é utilizado um pequeno “escovilhão” que é introduzido e rodado no orifício externo do colo uterino, de forma a serem recolhidas células desta zona cervical. O escovilhão é passado numa lâmina (esfregaço de Papanicolau), deixando as células aí espalhadas e fixadas, ou é colocado num frasco com um meio líquido (citologia em meio líquido), ficando as células aí libertadas. Este último processo é o ideal pois as células não sofrem tantas alterações e é possível realizar outros exames complementares, como o teste de HPV.

As células recolhidas do colo do útero (em lâmina ou em meio líquido) são enviadas para o laboratório para posterior análise por um Médico anatomopatologista.

Resultados do exame de Papanicolau

Os resultados da citologia do colo do útero são fornecidos pelo Médico anatomopatologista, após a avaliação das células recolhidas no exame ginecológico.

A classificação de Bethesda adotada em 2001 é a classificação da colpocitologia recomendada. De acordo com esta classificação, temos os diferentes resultados analíticos e classificações:

  • Negativo para lesão intra-epitelial ou malignidade (NILM);
  • Alterações não neoplásicas (benignas): inflamação; radiação; DIU; células glandulares pós-histerectomia;
  • Infeção (fungos; protozoários; actinomyces; vaginose bacteriana; herpes simples);
  • Anomalias em células epiteliais:
    o Nas células escamosas: células escamosas atípicas de significado indeterminado (ASC-US); células atípicas (ASC-H); lesão intra-epitelial de baixo grau (LSIL); lesão intra-epitelial de alto grau (HSIL); carcinoma epidermoide;
    o Nas células glandulares: atípicas; adenocarcinoma;
    o Outra neoplasia maligna.

Para valorizar os diferentes tipos de resultados e alterações celulares é importante considerar a avaliação feita pelo anatomopatologista quanto à adequação e qualidade da amostra. Esta deve ser considerada “satisfatória para avaliação”. Em alguns casos pode ser considerada “insatisfatória para avaliação” por haver uma quantidade reduzida de células na colheita, ou por estar dificultada pela presença de sangue ou inflamação. O método da citologia em meio líquido é bastante menos influenciado por estes fatores comparativamente com a citologia convencional com esfregaço de Papanicolau.

A classificação de Papanicolau está em desuso e desatualizada. No entanto, em alguns laboratórios persiste esta nomenclatura:

  • Tipo 1 - negativa para neoplasia;
  • Tipo 2 - negativo para neoplasia mas com presença de inflamação, células metaplásicas ou sugestiva de infeção;
  • Tipo 3 - classificação de NIC (neoplasia intra-epitelial cervical):
    o tipo 3a: displasia leve (NIC I);
    o tipo 3b: displasia moderada (NIC II);
    o tipo 3c: displasia acentuada (NIC III);
    o tipo 3d: atipias celulares sugestivas de malignidade;
  • Tipo 4 - positivo para células neoplásicas (carcinoma epidermoide, adenocarcinoma, etc.).

Sempre que é feito o teste de HPV associado à colpocitologia ou de forma isolada, o resultado é referido como sendo HPV de alto risco positivo, sendo especificada a positividade para os tipos 16 e 18, ou como HPV de alto risco negativo.

Em quantos dias conheço os resultados?

O resultado da citologia do colo do útero demora alguns dias a ser obtido, pois está dependente da avaliação pelo médico anatomopatologista no laboratório. Perante um elevado grau de suspeita de malignidade, o estudo citológico é realizado com urgência, sendo possível um resultado em poucos dias.

Cuidados após o exame de Papanicolau

Depois da realização da colpocitologia (exame de Papanicolau) não é necessário nenhum cuidado especial. Após a realização deste exame pode haver uma pequena perda de sangue que habitualmente é escassa (corrimento acastanhado) e é auto-limitada.

Outros exames ginecológicos

Os resultados da colpocitologia fornecidos pelo anatomopatologista permitem assumir uma conduta por parte do Médico ginecologista.

Perante um resultado de citologia normal ou negativa, deve ser mantida apenas a vigilância adequada. No caso de uma citologia alterada, pode haver indicação para diferentes exames complementares, de acordo com o resultado específico.

Assim, a conduta mais consensual é aguardar o resultado do exame da citologia e, de acordo com o resultado, orientar para a realização de exames recomendados como o teste de HPV, a colposcopia (com ou sem biópsia), histeroscopia (exame da cavidade do útero) ou ecografia.

Saiba, aqui, tudo sobre colposcopia.

Quanto custa um exame de Papanicolau?

A colheita das células para análise é realizada, geralmente, no decorrer da consulta ginecológica, podendo os custos deste procedimento estar ou não englobados no custo da consulta.

O Papanicolau (exame citológico em laboratório com o médico anatomopatologista), se realizado a título particular (quando a mulher suporta todo o custo do exame), habitualmente é inferior a uma centena de euros. Note, no entanto, que este valor é uma “ordem de grandeza” do preço do exame, podendo este variar de acordo com a clínica e o médico que executa o exame.

O valor do Papanicolau pode ser inferior caso a utente disponha de algum subsistema de saúde (ex. SNS, ADSE, seguros de saúde, etc.).

Veja mais informação sobre preços de exames e sobre a clínica onde poderá fazer o exame de Papanicolau, selecionando o seu concelho.

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