Acne

Imagens de acne

O que é a acne?

A acne é uma das doenças de pele mais frequentes, afetando 35-90% da população em algum momento da sua vida. A acne comedónica (ver imagem superior) é a forma mais ligeira da doença, porém a mais frequente, caracterizada por comedões abertos (“pontos negros”) e comedões fechados (“pontos brancos”), evoluindo, habitualmente, de forma favorável e sem complicações. No entanto, podem existir formas mais graves da doença. Veja mais informação em classificação da gravidade da acne.

Frequentemente possui um impacto psicológico marcado. Atinge, sobretudo, adolescentes e adultos jovens, mas também pode ocorrer noutras faixas etárias. Por exemplo, a acne infantil é uma variante que surge em bebés ou lactentes. 

Sinais e sintomas da acne

Relativamente aos sinais e sintomas, a acne caracteriza-se pelo aparecimento de comedões fechados (“pontos brancos”), comedões abertos (“pontos negros”), pápulas (“borbulhas), pústulas ("borbulhas" com pus), nódulos e quistos.

As lesões podem durar anos e surgem principalmente no rosto, podendo afetar diferentes áreas da cara, como a testa, o queixo ou a zona à volta da boca. O tronco também está frequentemente atingido, nomeadamente a nível do peito e costas.

Cicatrizes na acne

A acne frequentemente causa cicatrizes, sobretudo quando existem lesões inflamatórias. Estas cicatrizes são muito variadas, podendo ser atróficas (deprimidas), hipertróficas ou mesmo quelóides, e podem causar um impacto importante na vida das pessoas afetadas. Também pode surgir hiperpigmentação pós-inflamatória (manchas escuras residuais).

Classificação da gravidade na acne

Existem várias escalas para classificar a gravidade da acne. Por exemplo, esta pode ser dividida em:

1. Acne comedónica. É a forma mais ligeira de acne. Os doentes apresentam sobretudo comedões abertos (“pontos negros”) e comedões fechados (“pontos brancos”). São lesões não inflamatórias e que geralmente não causam cicatrizes.

2. Acne pápulo-pustulosa leve a moderada. Começam a surgir algumas borbulhas, com ou sem pus (pápulas e pústulas). Comedões abertos e fechados (“pontos negros e pontos brancos”) habitualmente estão também presentes.

3. Acne pápulo-pustulosa grave, acne nodular moderada. Inflamação significativa da pele, com múltiplas pápulas e pústulas (“borbulhas com ou sem pus”). Podem surgir cicatrizes, sobretudo se as borbulhas forem espremidas. Na acne nodular moderada observam-se alguns nódulos, geralmente com >1 cm de diâmetro, e que podem ser dolorosos.

4. Acne nodular grave, acne conglobata. Aumento do número de nódulos e da severidade da apresentação clínica. A acne conglobata é uma forma grave de acne nodular que ocorre sobretudo em jovens do sexo masculino e na qual podem surgir lesões de grandes dimensões, com drenagem espontânea de pus, bem como fístulas (ligações entre dois nódulos) e cicatrizes significativas.

Causas da acne

Relativamente à sua causa, a acne surge quando ocorre uma obstrução num folículo piloso, devido ao aumento do sebo (gordura produzida pelas glândulas sebáceas da pele), o que favorece a inflamação cutânea e a proliferação bacteriana.

1. Causas hormonais

Entre os fatores que podem agravar a acne, incluem-se os androgénios (hormonas masculinas) e as alterações hormonais relacionadas com o ciclo menstrual, com o uso de anticoncetivos orais, ou as que ocorrem durante a gravidez. Por exemplo, podem ocorrer exacerbações da acne 2 a 7 dias antes da menstruação.

Os androgénios estão presentes tanto nos homens como nas mulheres. Eles induzem a produção de sebo e são um fator importante no desenvolvimento da acne, explicando a maior prevalência desta patologia na puberdade e na adolescência. Por outro lado, a acne torna-se menos comum a partir dos 40 anos, especialmente após a menopausa.

2. Alimentação e estilo de vida

Apesar de alguns estudos sugerirem que a acne poderá agravar com o consumo de leite ou de alimentos com elevado índice glicémico (“doces”), a verdade é que o papel da dieta na acne ainda não está completamente esclarecido.

3. Infeção pelo Cutibacterium acnes e inflamação

A Cutibacterium acnes é uma bactéria comensal, ou seja, que vive habitualmente na nossa pele. Contudo, parece estar relacionada com o desenvolvimento da acne e de uma resposta inflamatória.

4. Fatores psicológicos

O stress e a ansiedade não provocam acne, mas, quando esta doença está presente, estes fatores podem agravá-la.

5. Causas hereditárias

Familiares próximos de indivíduos com acne possuem um maior risco de desenvolver esta doença, o que sugere que a acne terá um componente genético ou hereditário.

6. Medicamentos

Alguns medicamentos, como os corticóides, o lítio, os androgénios, a fenitoína e a isoniazida, podem agravar a acne.

7. Outras causas

Outras causas incluem o contacto da pele com substâncias oleosas ou com alguns cosméticos, bem como a fricção da pele por telemóveis, capacetes, máscaras ou adornos.

Diagnóstico da acne

O diagnóstico da acne é feito pelo dermatologista com base na história clínica e no exame físico. Não existem análises laboratoriais que permitam confirmar o diagnóstico de acne, e a biópsia cutânea não é habitualmente necessária.

O diagnóstico diferencial inclui várias doenças que podem ser confundidas com acne, tais como: a rosácea, a dermatite periorificial, a foliculite e a pseudofoliculite da barba.

Saiba, aqui, o que é rosácea.

A acne é contagiosa?

A acne não é uma doença contagiosa ou transmissível. Ou seja, a acne não se transmite ou se “pega” por contato direto de pessoa para pessoa.

Complicações da acne

As formas mais graves de acne podem causar um impacto significativo na auto-estima e no bem-estar psicossocial.

Outras complicações incluem uma foliculite por bactérias Gram-negativas (sobretudo em doentes que realizam tratamentos com antibióticos orais durante longos períodos de tempo), acne fulminante (uma variante severa de acne que pode estar associada a sintomas sistémicos) ou edema facial sólido (doença de Morbihan).

Tratamento da acne

O tratamento da acne é geralmente eficaz e permite resolução das lesões e melhoria da autoestima. Deve ser iniciado o mais precocemente possível, de modo a evitar cicatrizes inestéticas ou desfigurantes, as quais são muitas vezes difíceis de corrigir. O tratamento é geralmente prolongado, sendo observados resultados apenas ao final de um ou dois meses de tratamento.

O tratamento deve ser individualizado, dependendo de fatores como a gravidade da acne, o tipo de lesões e a tolerância do doente. As opções terapêuticas incluem:

  • Tratamentos tópicos (por exemplo em creme, gel ou pomada), como os retinóides, antibióticos, peróxido de benzoilo, ácido azelaico ou ácido salicílico;
  • Medicamentos orais (comprimidos), como a isotretinoína ou alguns antibióticos;
  • Contracetivos orais e outros tratamentos que atuam a nível das hormonas;
  • Tratamento com laser ou fototerapia;
  • Esfoliação ou microabrasão cutânea;
  • Preenchimento com colagénio das áreas mais afetadas.

Muitos dos tratamentos disponíveis podem apresentar efeitos secundários e, por isso, é importante que seja o dermatologista a definir a opção mais adequada para cada caso. Tratamentos caseiros ou “remédios naturais” não apresentam validade científica comprovada no tratamento da acne.

Medidas preventivas na acne

Na prevenção da acne é importante ter em atenção o seguinte:

  • Adotar um estilo de vida saudável;
  • Nunca espremer as borbulhas, até porque isso pode potenciar a formação de cicatrizes ou a infecção;
  • Lavar as áreas mais afetadas duas vezes por dia com um produto suave (por exemplo, uma água micelar própria para a acne);
  • A hidratação da pele deve ser realizada com produtos “oil-free”, não comedogénicos;
  • Evitar substâncias que possam irritar a pele;
  • A exposição ao sol deve ser controlada. Ter em atenção que alguns dos medicamentos que tratam a acne podem tornar a pele mais sensível ao sol;
  • Evitar alimentos com elevado índice glicémico (“doces”).
  • Se quiser usar maquilhagem, faça-o de forma moderada e retire-a ao deitar.
Clínica de Dermatologia