CBCT

CBCT (Cone beam - CT)

O que é CBCT?

O CBCT (Cone beam - CT), também conhecido por Tomografia Computorizada de Feixe Cónico ou Tomografia Computorizada Volumétrica, é um exame com radiação ionizante que utiliza um feixe de raios X em formato cónico, ao contrário da Tomografia Computorizada (TC) convencional com múltiplos detetores utilizada atualmente, na qual se utiliza um feixe de radiação em forma de leque “fan beam”. De facto, a TC é, muitas vezes, referida como Tomografia Computorizada Multidetetores (MDTC ou MDCT em inglês), tendo em conta que os atuais equipamentos estão dotados de múltiplos detetores.

O CBCT possibilita a obtenção de imagens isotrópicas com alta resolução espacial (voxel de 75 µm, menor do que nos equipamentos de MDCT) e com muito baixa dose de radiação. Tendo em conta o método de aquisição de imagens por feixe cónico e a alta resolução espacial, o CBCT permite obter imagens com menos artefactos metálicos, comparativamente à TC/MDTC, sendo de extrema importância em áreas onde estruturas metálicas são utilizadas como na medicina dentária e no ouvido médio por exemplo com próteses dos ossículos.

Atente na imagem superior, onde comparamos os métodos de aquisição de imagens entre CBCT (A) e MDTC (B). No modelo CBCT (A), utiliza-se uma fonte de raios X (apex) que emite um feixe de radiação de geometria cónica, o qual é detetado por um detetor de grande dimensão (base), sendo que este corresponde a um flat panel digital que recebe a informação de um volume alargado do examinado numa única rotação; no CBCT e dependendo do equipamento, há a possibilidade de aquisição de imagens com o examinado na posição sentada ou deitada.

No modelo MDTC (B), utiliza-se uma fonte que emite um feixe de raios X de configuração geométrica em leque “fan-beam” que explora uma secção estreita do paciente e é detetado por múltiplos detetores dispostos em camadas, sendo que o conjunto fonte-detetor efetua múltiplas rotações para adquirir de forma helicoidal toda a informação relativa a um certo volume do examinado e é realizado sempre na posição deitada.

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Indicações do CBCT

Este método de imagem, apesar de ter uma resolução espacial superior à TC/MDTC, tem menor resolução de contraste, pelo que não se utiliza para avaliação de tecidos moles, mas tem muito interesse na avaliação de pequenas estruturas onde a resolução de contraste é menos necessária em detrimento de uma maior resolução espacial e onde já existe um contraste natural entre as estruturas a ser observadas (ex: ar e estruturas ósseas no ouvido médio).

Para além da aplicação na Medicina Dentária e na avaliação do Ouvidos médios/Rochedos, o CBCT avalia muito bem em causas de trauma, pequenas fraturas em ossos pequenos das extremidades (punho, cotovelo, dedos da mão, tornozelo, dedos do pé etc.), tendo melhor acuidade que a TC/MDTC em identificar e caraterizar traços de fratura muitas vezes sem desfasamento inter-fragmentário, que embora possam ser identificados por TC/MDTC seriam mais dificilmente caracterizados e avaliados em relação às estruturas ósseas adjacentes. Tal como a TC/MDTC, o CBCT também tem aplicação na avaliação dos seios péri-nasais.

Na Medicina Dentária, tem imensas aplicações, nomeadamente como exame prévio para um correcto planeamento e tratamento dentário (ortodontia, implantologia (implantes dentários), cirurgia ortognática, cirurgia e traumatologia maxilofacial, periodontologia, endodontia, oclusão e odontopediatria). Esta nova tecnologia traz um avanço enorme para a radiologia dentária, por permitir a visualização de estruturas de dimensões bastante reduzidas com um mínimo de exposição à radiação para o paciente.

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