Prostatite

Fotos, imagens de próstata inflamada

O que é prostatite?

A prostatite é o termo clínico utilizado para designar a inflamação da próstata, podendo ser subdividida em prostatite crónica e prostatite aguda consoante o tempo de evolução dessa mesma inflamação.

A próstata inflamada pode ter origem em diferentes fatores, sendo que o mais comum é a propagação de uma infeção urinária com origem na uretra ou na bexiga (uretrite ou cistite) que é transmitida à próstata dando origem a uma infecção na próstata. Esta infeção, em fase aguda, pode originar inflamação da próstata - próstata “inchada” – e inclusive condicionar retenção urinária aguda (incapacidade súbita para urinar). Esta é uma patologia benigna, relativamente comum em pessoas com problemas de próstata prévios (ex. Hipertrofia benigna da próstata) que condicionam doenças do trato urinário, nomeadamente esvaziamento vesical incompleto ou infeções urinárias de repetição.

Prostatite aguda, prostatite crónica

Como referido previamente existem 2 grandes tipos de prostatite: a prostatite aguda e a prostatite crónica.

Prostatite aguda – a prostatite aguda é a inflamação súbita da próstata, geralmente relacionada com uma infeção aguda que condiciona febre, aumento do volume da próstata, aumento da temperatura da próstata e que pode evoluir inclusive para a formação de abcessos da próstata e retenção urinária aguda.

Prostatite crónica – a prostatite crónica é uma inflamação crónica da próstata, relacionada com um aumento do número das células inflamatórias no tecido prostático e que pode estar associado ou não à presença de bactérias ou outros microoganismos. Nestes casos o quadro sintomático usualmente é mais ténue, descrevendo-se desconforto pélvico, sensação de peso sobre a região púbica, desconforto perineal (região entre a raiz do escroto e o ânus), necessidade imperiosa de urinar (urgência) ou aumento do número de micções ao longo do dia (poliaquiuria).

Em alguns casos a prostatite crónica pode ser englobada no âmbito do síndrome da dor pélvica crónica. Nestas situações predomina a dor ou desconforto pélvico persistente ou recorrente a que se associam sintomas do trato urinário inferior, da esfera sexual ou intestinal, e para a qual não se identifica uma origem infecciosa ou outras causas orgânicas.

Prostatite - causas

As infeções urinárias são a principal causa para as prostatites agudas, sendo estas denominadas prostatites infecciosas. Estas são geralmente provocadas por bactérias (Escherichia coli, Pseudomonas, Klebsiela e Proteus) que migram da bexiga ou da uretra para a próstata. A presença de infeções urinárias frequentes, problemas de esvaziamento da bexiga, uso de sonda vesical e uretrites de repetição aumentam a probabilidade de vir a desenvolver uma prostatite bacteriana.

Saiba, aqui, tudo sobre infecção urinária.

Em jovens a prostatite geralmente possui um espectro microbiológico distinto dos idosos. Nestes são mais frequentes as prostatites por agentes infecciosos sexualmente transmissíveis como a clamidea, trichomonas e neisseria.

No caso da prostatite crónica, esta pode resultar de episódios de prostatite aguda infecciosa que não foram corretamente tratados (prostatite crónica bacteriana) ou por fenómenos inflamatórios locais, na maioria dos casos, de origem desconhecida (prostatite crónica abacteriana ou não infecciosa). O trauma local repetitivo presente em algumas atividades como o ciclismo, andar de mota ou a cavalo pode dar origem a estes fenómenos inflamatórios crónicos da próstata, independentes de processos infecciosos.

Algumas condições psicológicas como o stress, a depressão, a ansiedade podem aumentar a predisposição para o aparecimento de queixas inespecíficas (sensação de peso pélvico, desconforto a urinar, ejacular ou defecar, dor pélvica ou perineal, etc) localizadas à região da próstata, sem que se consiga identificar qualquer causas para essas dores – a esta condição dá-se o nome de Síndrome de Dor Pélvica Crónica.

Alguns casos de prostatite podem evoluir com a formação de granulomas (prostatite granulomatosa), um fenómeno desregulado de resposta imunológica local a uma agressão – cirurgia, alergias ou determinadas bactérias (ex. tuberculose genito-urinária). Nestes casos a próstata fica muito endurecida e nodular, podendo ser confundida à palpação com o cancro da próstata.

Prostatite - sintomas

Os sinais e os sintomas variam consoante o doente e o tipo de prostatite presente e nalguns casos podem inclusive cursar sem queixas (prostatite assintomática). Nestes casos o diagnóstico é obtido mediante a realização de uma biópsia da próstata que revela um infiltrado anormal de células inflamatórias sem que o doente refira qualquer sintoma.

Na maioria dos casos a prostatite aguda cursa com:

  • Febre e tremores;
  • Dificuldade e dor a urinar;
  • Sensação de esvaziamento vesical incompleto;
  • Dor perineal ou pélvica;
  • Mal estar geral;
  • Urina turva ou com mau cheiro.

Os sintomas da prostatite crónica costumam ser mais discretos e indolentes, manifestando-se por:

  • Dificuldade em esvaziar a bexiga totalmente;
  • Desconforto ou dor a urinar, ejacular ou defecar;
  • Necessidade imperiosa de urinar várias vezes ao dia ou de se levantar durante a noite para urinar;
  • Desconforto referido a nível do ânus ou alterações do intestino, períneo, região supra-púbica ou escroto.

A prostatite é transmissível?

A prostatite não é uma doença transmissível de pessoa para pessoa. No entanto, a infeção urinária subjacente à prostatite pode ser contagiosa, nomeadamente quando relacionada com infeções por doenças sexualmente transmissíveis.

Assim, o contágio pode ocorrer durante a relação sexual (passar de uma pessoa para outra) se um dos elementos estiver contaminado com um agente sexualmente transmissível.

Esse microorganismo pode dar origem a uma uretrite ou cistite, podendo então evoluir para uma infeção da próstata.

Prostatite - diagnóstico 

O diagnóstico da prostatite é feito pelo médico urologista (especialista em urologia)
com base na história clínica e no exame objetivo. Alguns exames auxiliam no estabelecimento do diagnóstico e no planeamento do tratamento, nomeadamente a análise microbiológica da urina (antes e após a massagem prostática) ou a análise microbiológica do esperma.

A inflamação da próstata costuma cursar com PSA elevado: na prostatite aguda este aumento é transitório e pode aumentar 5 a 10x o seu valor basal, voltando progressivamente para valores normais após o tratamento. Na prostatite crónica é frequente encontrar o PSA alto, com valores flutuantes, cujos aumentos são de menor amplitude do que na prostatite aguda (PSA oscilante). O doseamento do PSA não deve ser utilizado para o diagnóstico ou para avaliação da resposta terapêutica dado ser pouco específico e não ter valor prognóstico para estes casos.

A ecografia ou eventualmente a tomografia computorizada (TC ou TAC) está indicada nos casos em que seja necessário caracterizar melhor a próstata, como seja nas prostatites crónicas ou quando existe a suspeita de abcessos prostáticos.

Na prostatite aguda deve ser evitada a realização da massagem prostática ou manipulação prostática com sonda ecográfica endorectal pelo risco de libertação massiva de microrganismos para a corrente sanguínea e dar origem a uma sépsis (infeção generalizada).

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Complicações da prostatite

As complicações mais graves da prostatite aguda são a sépsis, a retenção urinária aguda e a formação de abcessos prostáticos.

Nestes casos mais graves pode ser necessário o internamento hospitalar, a drenagem do abcesso ou a introdução temporária de uma sonda vesical para facilitar a saída da urina.

A prostatite crónica causa impotência?

Embora muitos autores defendam que a inflamação crónica da próstata possa condicionar a longo prazo o aparecimento de disfunção eréctil ou impotência sexual, ainda não existem dados seguros sobre esta relação entre prostatite e disfunção eréctil.

No caso da fertilidade no homem, esta pode realmente diminuir nos casos de prostatites de repetição, levando mesmo ao desenvolvimento de infertilidade. Este fenómeno pode ser secundário a lesão local dos ductos ejaculatórios ou à transmissão da infeção aos testículos e/ou ao epidídimo, levando à disfunção destes órgãos responsáveis pela produção, maturação e transporte dos espermatozóides.

Prostatite tem cura?

Na vasta maioria dos casos a prostatite aguda tem cura, através da antibioterapia dirigida. No entanto, a cura pode não ser definitiva, havendo o risco de recidiva especialmente se não forem tratadas as restantes situações que predispõem o aparecimento das infeções urinárias.

O tratamento da prostatite crónica é difícil, engloba diversas terapêuticas dirigidas aos sintomas e à diminuição do grau de inflamação da próstata, mas que geralmente não curam o doente.

Saiba, de seguida, como tratar a prostatite.

Prostatite - tratamento

O tratamento da prostatite deve ser realizado de acordo com o tipo de prostatite e consoante a presença ou ausência de infeção.

Os medicamentos (ou remédios) que se usam frequentemente no tratamento da prostatite infecciosa são os antibióticos, geralmente por um mínimo de 14 dias para as prostatites agudas ou 4 a 6 semanas para as prostatites crónicas bacterianas.

Podem associar-se também os anti-inflamatórios (ex. ibuprofeno) ou os analgésicos para aliviar a dor e o desconforto. A utilização de alfa-bloqueantes (ex. Tansulosina) está recomendada para melhorar a eficácia da antibioterapia e melhorar as queixas miccionais do doente.

Em relação ao tratamento ou remédio caseiro o melhor complemento natural à medicação prescrita pelo médico é a ingestão abundante de água. Fazer uma boa hidratação, bebendo muita água ou líquidos como chá, etc. é uma importante medida, contribuindo para a cura e acima de tudo para a prevenção das prostatites infecciosas (profilaxia).

Nos casos de síndrome de dor pélvica crónica ou prostatite crónica não bacteriana os banhos de assento (sentar-se no bidé com água quente por 15 a 20 minutos, ou então, um banho de imersão de água quente na banheira) podem ser uma mais-valia para o relaxamento da musculatura pélvica e na diminuição das queixas de desconforto ou dor pélvica. Nestes casos a medicação baseia-se sobretudo em anti-inflamatórios (ex. ibuprofeno em comprimidos), fitoterapia (extratos naturais de plantas com propriedades anti-inflamatórias, relaxantes musculares e inibidores de 5-alfa-redutase ex. Serenoa repens, pigeum africanum, sementes de abobora, etc ) e analgesia oral. Existem ainda alguns estudos que demonstraram um discreto benefício clínico com a acupunctura, os exercícios pélvicos, relaxantes musculares ou a massagem prostática.

A prostatite persistente ou recorrente deve ser investigada quanto à presença de abcessos na próstata e eventuais fatores que predisponham às infeções urinárias (esvaziamento vesical incompleto, litíase vesical, cateter vesical, etc). Estes factores devem ser tratados de modo eficaz para prevenir novos episódios de prostatite.

A duração da terapia varia com o tipo de prostatite, podendo mesmo ser necessária nalguns casos, medicação crónica para alívio dos sintomas.

O doente deve tomar a medicação conforme a prescrição médica e acabar a terapêutica apenas quando for indicado. O tratamento incompleto de uma prostatite aguda poderá dar origem a uma prostatite crónica, de difícil resolução, menor probabilidade de cura e maior tempo de recuperação.

Como prevenir a prostatite?

Para prevenir a prostatite devem ser adoptados todos os mecanismos necessários para evitar as infeções do trato urinário baixo, como seja o reforço da hidratação oral, as micções regulares, assegurar esvaziamento vesical completo, etc.

Existem alguns doentes com síndromes de dor pélvica crónica que relatam que determinados cuidados na alimentação poderão promover uma melhoria nos sintomas. Estes sugerem que se devem evitar alimentos como o café, o picante, os citrinos (laranjas, limão, etc.), bebidas gaseificadas ou o vinho verde, uma vez que estes alimentos poderão agravar os sintomas. No entanto, a eficácia destas medidas é variável de pessoa para pessoa e ainda não existem certezas sobre a sua utilidade em todos os doentes.

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