Cistite intersticial

Bexiga

O que é cistite intersticial?

A cistite intersticial (CI) ou síndrome da bexiga dolorosa (BPS) é uma doença crónica da bexiga caracterizada por uma sensação de dor na bexiga ou sensação de pressão que geralmente aumenta com o enchimento da bexiga. Associadamente, podem surgir também outros sintomas como micção frequente diurna (poliaquiuria) e nocturna (nocturia), urgência (vontades súbitas para urinar), alívio da dor com a micção, etc.. O diagnóstico de síndrome da dor vesical pressupõe a presença de sintomas com mais de 6 semanas de duração e ausência de outras causas identificáveis como as infeções do trato urinário, tumores da bexiga, endometriose, etc..

Cistite intersticial - causas

Não são ainda bem conhecidas as causas para a CI. Alguns autores relacionam esta doença com desregulação do sistema imunitário/inflamatório do organismo, a infeções do tracto urinário que não se conseguem diagnosticar como os exames rotineiros da urina, a alterações da resposta dos mastócitos (células envolvidas nas respostas alérgicas), distúrbios da permeabilidade da bexiga, etc..

Assim, aparentemente, a etiologia na CI/BPS parece ser multifactorial, ou seja, provocada por diferentes factores que atuam simultaneamente.

Como não existe uma técnica padrão para diagnosticar cistite intersticial ou síndrome da bexiga dolorosa, muitas vezes, é difícil estimar o número de pessoas afetadas. A CI / BPS geralmente é 2 a 3 vezes mais comum nas mulheres do que nos homens, e os dados mostram que o risco de CI / BPS aumenta com a idade, sendo mais frequente em adultos. A apresentação em bebés ou em jovens (infância) é muito rara.

A estimativa atual indica que 1 a 4 milhões de homens e 3 a 8 milhões de mulheres apresentam sintomas de CI / BPS. No entanto, esta diferença entre homens e mulheres pode não ser tão alta como é suposto, dado que alguns homens diagnosticados com "prostatite" (inflamação da glândula prostática) podem realmente padecer de CI / BPS.

Saiba, aqui, o que é prostatite.

Neste momento, não há evidências de que o stress cause CI / BPS. No entanto, é bem conhecido que, se uma pessoa tiver um diagnóstico de CI, o stress físico ou mental pode agravar os sintomas.

Cistite intersticial - sintomas

Os sintomas de cistite intersticial ou síndrome da bexiga dolorosa variam em intensidade de pessoa para pessoa. Para alguns pacientes, os sintomas podem ir e vir (oscilantes), e para outros, eles não desaparecem. CI/BPS não é uma infecção da bexiga (cistite infecciosa) por microorganismos conhecidos, mas pode assemelhar-se a uma. As mulheres com CI / BPS podem sentir dor quando praticam atividades sexuais. É frequente existirem outros problemas de saúde nas pessoas com CI/BPS tais como: síndrome do intestino irritável, fibromialgia, depressão, ansiedade e outras síndromes dolorosos.

Saiba, aqui, o que é cistite infecciosa.

Os sintomas variam para cada paciente, mas o sinal mais comum é a dor (muitas vezes com o aumento da pressão na bexiga) localizada a nível suprapúbico. Alguns pacientes podem sentir dor noutras áreas além da bexiga, como a uretra, parte inferior das costas ou a área pélvica ou perineal (nas mulheres, atrás da vagina e nos homens, atrás do escroto). As mulheres podem sentir dor na vulva ou na vagina, e os homens podem sentir a dor no escroto, testículo ou pênis. Nestes casos, é comum ser designado globalmente por Síndrome de dor pélvica cronica.

À dor associa-se, muitas das vezes, um aumento da frequência urinária, ou seja, aumento do número de micções que ocorrem durante o dia e/ou durante a noite. Um paciente com IC / BPS pode sentir necessidade de urinar muito frequentemente durante o dia e durante a noite associado ou não a vontades súbitas, imperiosas e inadiáveis para urinar (urgência miccional), sensação que pode nunca desaparecer, mesmo após a micção.

Os sinais e sintomas da IC / BPS podem piorar com a dieta. Muitos referem que os sintomas agravam quando estão sob fases de stress (físico ou mental). Nas mulheres, os sintomas podem variar durante a menstruação (período) ou agravar durante a relação sexual. Os homens podem ter orgasmos dolorosos ou agravamento da dor no dia seguinte à relação sexual (mais comum na prostatite crónica).

É incomum surgirem perdas de urina (incontinência urinária) ou hematúria (sangue na urina), podendo estes serem um sinal de outro problema.

Cistite intersticial é transmissível?

A cistite intersticial / síndrome da bexiga dolorosa não é contagiosa, ou seja, não se “pega” ou “passa de uma pessoa para outra”, seja por contacto interpessoal ou durante a relação sexual

Diagnóstico da cistite intersticial

O diagnóstico da cistite intersticial é feito através de uma história clínica detalhada e por exclusão de outras potenciais causas para os sintomas manifestados como a infeção, os tumores, as sequelas da radioterapia, a endometriose, etc..

Na exclusão destas causas, o seu médico pode pedir-lhe diversos exames e realizar diferentes testes como ecografia vesical, análises de sangue e de urina, cistoscopia e biópsia da bexiga (ver através de uma câmara o interior da bexiga e retirar um fragmento para análise microscópica), estudo urodinâmico, etc.

Cistite intersticial tem cura?

A cistite intersticial não tem uma cura bem definida. Existem, no entanto, diversos tratamentos dirigidos que permitem aliviar os sintomas.

Saiba, de seguida, como tratar a cistite intersticial.

Cistite intersticial - tratamento

Existem múltiplas opções de tratamento para aliviar a dor, nenhuma das quais com elevada taxa de eficácia:

  • Estratégias conservadoras: redução de stress, fisioterapia, exercícios específicos de relaxamento (como o yoga), banhos de água quente de imersão, acunpunctura, etc..
  • Alterações na alimentação: alguns alimentos e bebidas podem agravar os sintomas e, por isso, devem ser evitados. Os mais conhecidos são: café, álcool, adoçantes, pimenta, bebidas ácidas. O tabaco também é um conhecido irritante vesical e um preponderante fator para os tumores do trato urinário pelo que todos os fumadores devem ser aconselhados a deixar de fumar. Veja mais informação em cuidados alimentares.
  • Tratamento Medicamentoso – Fazer medicação oral (comprimidos): antidepressivos orais como a amitriptilina, anti-histaminicos como a cimetidina ou hidroxizina, Polisulfato de pentosano e derivados heparinoides, Analgésicos como os anti-inflamatórios (ex. ibuprofeno), ou outros medicamentos (ou remédios) como os antiespasmódicos ou fármacos para a dor neuropática. Medicamentos intravesicais (instilados diretamente dentro de bexiga), Medicamentos injetados dentro das paredes da bexiga.
  • Cirurgia (ou operação) – realizar tratamento cirúrgico (hidrodistensão vesical ou fulguração de úlceras vesicais se presentes)

O doente não deve nunca automedicar-se sob pena de poder agravar o seu quadro clínico. Deve efetuar o tratamento medicamentoso de acordo com a prescrição médica e acabar de tomar as medicações atrás descritas, sempre por indicação médica. Ou seja, é importante o doente tomar a medicação da forma como foi prescrita, durante o tempo recomendado pelo médico, sob o risco de poderem ocorrer possíveis complicações e mais difíceis de debelar.

Cuidados alimentares

Como vimos, alguns alimentos estão mais frequentemente associados ao agravamento dos sintomas que outros. De seguida, fazemos uma tabela resumo com alguns desses alimentos. 

Alimentos associados a menos sintomas

Alimentos associados a mais sintomas

Frutas

Frutas

Damascos

Bananas

Amoras

Melão e melancia

Ameixas

Peras

Passas de uva

Abacates

Limões

Laranjas e sumo de laranja

Sumo de abacaxi e abacaxi

Morangos

Sumo de arando

Sumo de toranja e toranja

Grão

Grão

Aveia

Arroz

 

Legumes

Legumes

Espargos

Beterraba

Brócolos

Couves de Bruxelas

Repolho

Cenouras

Couve-flor

Aipo

Pepino

Beringela

Cogumelos

Ervilhas

Batatas (batatas brancas, inhame,

batata doce)

Rabanetes

Espinafre

Abóbora

Nabos

Abobrinha

Pimenta

Picles

Tomates e produtos de tomate

Alimentos com proteínas

Alimentos com proteínas

Carne

Peixe (camarão, atum e salmão)

Ovos

Nozes

Manteiga de amendoim

Carne de porco

Aves (galinha e peru)

Cordeiro 

Carnes processadas (salame, chourição, fiambre, paio)

Soja 

Laticínios

 Laticínios

Leite (baixo teor de gordura)

Queijos (Magro)

 

Iogurte

Condimentos

Condimentos

Ervas

Alho ou qualquer erva infundida em azeite 

Pimenta

Ketchup

Molho de salada

Molho de soja

Vinagre

Bebidas

Bebidas

Bebidas de cereais / Substitutos do café (cevada)

água

Álcool

Café (com cafeína e descafeinado)

Chá (com cafeína e descafeinado)

Bebidas gaseificadas (cola, sodas, com e sem cafeína)

 Outras Comidas

  Outras Comidas

Pipocas

Salgadinhos

Chocolate

Comida indiana

Comida mexicana

Pizza

Alimentos picantes

Comida tailandesa

Aditivos / Conservantes

Aditivos / Conservantes

 

Adoçantes artificiais (edulcorante)

Glutamato de monossódio (MSG)

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