Próteses auditivas

Fotos de aparelhos auditivos

O que são próteses auditivas?

A prótese auditiva ou aparelho auditivo é um dispositivo utilizado na reabilitação de vários tipos de surdez ou perda auditiva.

As próteses ou aparelhos auditivos são uma das matérias mais sensíveis na especialidade de Otorrinolaringologia, na medida em que existem diversos tipos de próteses, e uma correta reabilitação implica, por um lado, um diagnóstico acertado sobre o tipo de surdez, mas também exige um acompanhamento apertado para seguir a evolução da adaptação e ir ao encontro das especificidades de cada utente.

Tipos de próteses auditivas

Ao abordarmos a questão dos aparelhos auditivos é fundamental conhecer os diferentes tipos de aparelhos existentes. Existem, atualmente, quatro grupos principais de próteses auditivas removíveis:

     1. Próteses retroauriculares;

     2. Próteses intra-auriculares;

     3. Próteses intracanais;

     4. Próteses intracanais profundas.

Existe igualmente a opção protésica implantável por cirurgia (operação), podendo distinguir duas importantes opções na atualidade:

     5. Implante coclear;

     6. Próteses ancoradas no osso (BAHA).

1. Próteses retroauriculares

O aparelho retroauricular é provavelmente o modelo mais utilizado. Está colocado atrás do pavilhão auricular (“atrás da orelha”) e o som é conduzido ao tímpano através de um tubo de plástico e do molde auricular.

Os aparelhos retroauriculares têm a particularidade de poderem ser utilizados em todos os tipos de perdas auditivas. São a escolha típica para perdas severas e profundas devido às suas capacidades de ganho e saída e à possibilidade de serem combinados com equipamento pedagógico.

2. Próteses Intra-auriculares

0 aparelho intra-auricular está colocado diretamente no canal auditivo externo. Todos os componentes do aparelho estão colocados no molde auricular.

Uma das vantagens do aparelho intra-auricular é o facto de preservar o efeito do ouvido externo (pavilhão auricular), tornando mais fácil a localização sonora e tirando partido da amplificação natural por parte do pavilhão auricular.

3. Próteses intracanal

O aparelho intracanal é um dos aparelhos mais pequenos, e muito popular porque é praticamente invisível. Contudo, devido à sua dimensão, só podem ser utilizadas pilhas e auscultadores de reduzidas dimensões, o que limita a escolha da amplificação, saída e duração da pilha.

0 auscultador e o microfone estão tão perto um do outro, que o risco de feedback acústico ou efeito Larsen (ruído desconfortável para o utente) é maior do que em qualquer outro modelo.

4. Prótese de intracanal profundo

Quando as dimensões do canal auditivo externo o permitem, é possível colocar o aparelho intracanal na sua porção óssea (mais profunda), tornando-o virtualmente invisível e permitindo um ligeiro acréscimo de ganho para este tipo de aparelho.

Os aparelhos não podem ter controlo de volume e a sua manipulação poderá ser algo difícil para determinados utentes atendendo à sua reduzida dimensão e à profundidade a que se encontra no canal auditivo externo.

5. Implante coclear

O Implante Coclear é um dispositivo eletrónico, parcialmente implantado por cirurgia, que visa devolver aos utentes níveis auditivos próximos do normal. Ao contrário dos aparelhos auditivos convencionais, que são indicados na reabilitação de vários tipos de surdez mas que necessitam de uma audição residual, o implante coclear é recomendado para os doentes com alterações auditivas importantes e em que essa audição residual está comprometida.

O Implante Coclear possui uma parte externa e outra interna. A parte externa é constituída por um microfone, um microprocessador de fala e um transmissor. A parte interna possui um recetor e estimulador, um elétrodo de referência e um conjunto de elétrodos que são inseridos dentro do ouvido interno por via cirúrgica. Esse dispositivo eletrónico tem por objetivo estimular o nervo auditivo que, por sua vez, leva os sinais para o cérebro.

Os implantes cocleares de última geração já podem ser totalmente implantáveis e, portanto, são totalmente invisíveis.

Este tipo de implante necessita de reabilitação auditiva posterior a cirurgia.

6. Prótese auditiva ancorada no osso (BAHA)

A prótese auditiva ancorada no osso (Bone Anchored Hearing Aid - BAHA) é utilizada em malformações do ouvido externo e médio, otorreia crónica, doença ossicular inoperável e como alternativa à prótese auditiva convencional por inadaptação/ impossibilidade.

O Sistema BAHA constitui-se de duas partes principais: um parafuso de titânio com pilar de sustentação implantado na cortical do osso temporal e uma unidade externa, chamada de processador, que se conecta ao pilar. O processador tem por finalidade captar os sons do ambiente e convertê-lo em energia mecânica, o que se traduz em vibração, sendo transmitida ao pilar que, por sua vez, estimulará a cortical do osso temporal. Esta vibração é absorvida pelo crânio, e estimula diretamente as cócleas sem envolver a condução auditiva aérea, ou seja, o meato acústico externo e orelha média.

Para além de confortável e discreta, a cirurgia é minimamente invasiva e rápida.

Quem deve prescrever a prótese auditiva?

O médico otorrinolaringologista (especialista em doenças dos ouvidos) é quem avalia a necessidade de uso de prótese auditiva após avaliação em consulta.

Após realização dos exames e testes específicos para este fim, a escolha do aparelho indicado é feita com base nas características do tipo de surdez em causa, bem como das preferências e sensibilidade de cada utente.

Indicações das próteses auditivas

Existem essencialmente dois tipos de surdez: surdez de transmissão (quando não existe uma boa transmissão do som para o ouvido interno) e surdez neurossensorial (quando a causa da surdez é ao nível do ouvido interno ou do nervo auditivo e cérebro). Nalguns casos, a surdez é mista, ou seja, existe componente de transmissão e neurossensorial.

A principal causa para uso de prótese auditiva resulta do envelhecimento do ouvido interno pela idade (um tipo específico de surdez neurossensorial chamada presbiacusia). Tal como a visão piora com a idade, a audição também se degrada progressivamente a partir dos 50 anos. Outras causas de surdez podem iniciar-se antes dessa idade, e resultam normalmente em surdez de transmissão, como por exemplo otites crónicas ou doenças familiares (a mais frequente é a otosclerose).

Para uma correta escolha de um aparelho é fundamental fazer um teste de audição, chamado audiograma. Geralmente, a avaliação da deficiência auditiva passa pela realização de um audiograma tonal simples que determina a intensidade mínima audível, e um audiograma vocal em que o paciente é instruído a repetir palavras que serão apresentadas com intensidade cada vez menor, até um certo ponto em que deixa de ouvir, ou ouve mas não percebe o que estamos a dizer.

A decisão de usar uma prótese auditiva inicia-se com a adaptação de um aparelho auditivo. Um programa de reabilitação deverá ser iniciado com o levantamento das dificuldades auditivas e das necessidades auditivas específicas (tema de especial importância nos idosos).

Para se atingir uma adaptação bem-sucedida, o aparelho auditivo deverá fornecer uma amplificação adequada de forma a maximizar a inteligibilidade da fala, com boa qualidade sonora e com um nível de amplificação que seja confortável

Manutenção da prótese auditiva

A manutenção dos aparelhos auditivos deve efetuar-se num centro auditivo certificado de forma periódica. As alterações da audição são frequentes e torna-se necessária uma mudança de regulações, de programação ou de molde.

Outro aspeto importante é a troca da pilha, que é frequentemente fonte de grande preocupação junto dos utentes, especialmente na população mais idosa. É fundamental que o ensino seja feito de forma correta e por pessoal habilitado. Mais recentemente, e de modo a ultrapassar este problema, há agora aparelhos recarregáveis, que não necessitam de trocar de pilha e facilitam o manuseamento das próteses auditivas.

Riscos, complicações com as próteses

Uma das principais complicações do uso de prótese auditiva é a acumulação de cerúmen (“cera no ouvido”). O aparelho oclui o canal auditivo externo e não permite a saída natural do cerúmen. Esta acumulação, para além de agravar a audição, interfere com o normal funcionamento das próteses auditivas.

Deste modo, em certos utentes, torna-se fundamental a limpeza periódica de cerúmen. As otites externas ou médias também podem ocorrer, especialmente em utentes que com eczema auricular ou alterações crónicas do ouvido médio.

Saiba, aqui, o que é otite.

Seguimento dos doentes com prótese

O acompanhamento é frequentemente a chave do sucesso das próteses auditivas, pois problemas de manipulação e a não compreensão das limitações dos aparelhos por parte do paciente e da sua envolvente familiar levam frequentemente ao abandono da prótese.

O acompanhamento dos doentes com aparelhos ou próteses auditivas deve incluir consultas regulares num médico otorrinolaringologista, e o seguimento por um centro de audiologia certificado, com vista a assegurar a qualidade da audição do doente em que se colocou a prótese.

Quanto custa uma prótese auditiva?

O preço da prótese auditiva varia obviamente de acordo com o tipo de prótese selecionada e é frequentemente o grande entrave ao uso disseminado dos aparelhos auditivos. As próteses mais caras são normalmente digitais e permitem grande precisão na calibração, bem como auto-regulação em função dos ambientes acústicos e redução de ruídos indesejados. O custo normalmente varia numa faixa entre os 1000€ e os 4000€. Note que estes valores são meramente indicativos da ordem de grandeza dos custos das próteses, podendo os valores variar bastante em função de diversos fatores.

As próteses mais baratas são geralmente amplificadores e são amplamente difundidos na comunicação social. Têm geralmente preços muito mais apelativos (da ordem das dezenas ou centenas de euros), mas raramente são eficazes na obtenção de uma correta adaptação, na medida em que apenas amplificam o som envolvente, não se adaptando às necessidades dos diversos ambientes. Deste modo, são frequentemente a causa da “má fama” dos aparelhos auditivos.

Em Portugal, alguns subsistemas de saúde como a ADSE, e alguns seguros de saúde oferecem uma comparticipação na aquisição das próteses auditivas, minimizando o seu custo. O Serviço nacional de Saúde (SNS) tem planos específicos de apoio a aquisição de próteses auditivas em populações carenciadas, doenças de origem profissional ou em crianças.

Os custos com a manutenção dos aparelhos e com a aquisição das pilhas é geralmente suportado pela maioria dos centros de audiologia certificados.

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