Tricomoníase

Fotos de tricomoníase

O que é tricomoníase?

A tricomoníase é uma infeção causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis que pode afetar toda a área genital como a vulva, a vagina (tricomoníase vulvovaginal), a uretra e as glândulas paravaginais. Na mulher, a infeção da uretra (tricomoníase urogenital) ocorre em 90% dos casos.

A tricomoníase faz parte das infeções que ocorrem na mulher, denominadas de vulvovaginites, onde se inclui também a vaginose bacteriana e a candidíase.

Causas da tricomoníase

O agente etiológico da tricomoníase é o protozoário unicelular flagelado Trichomonas vaginalis, sendo uma infeção não-bacteriana. Este é um parasita com metabolismo anaeróbio (decompõe os glícidos em dióxido de carbono e ácido lático) e que cresce em pH entre 5 e 7,5 (mais alcalino). Pelas suas características, este agente infeta predominantemente o epitélio escamoso do trato urogenital (vagina e uretra), sendo raro haver outras áreas do corpo afetadas, como a boca, a garganta, as mãos ou o ânus. Após a infeção do hospedeiro, o período de incubação pode ser de 4 a 28 dias, sendo frequente o aparecimento de sintomas nos 6 dias após a infeção.

Assim, são fatores de risco para a infeção tricomoníase ou para a tricomoníase de repetição: promiscuidade sexual (vários parceiros sexuais), relações sexuais sem utilização de preservativo, história de outras infeções de transmissão sexual, infeção prévia de tricomoníase, imunidade diminuída (causada por outras doenças ou tratamentos específicos).

Sinais e sintomas na tricomoníase

A mulher apresenta sintomas de irritação e prurido (comichão) vulvar, disúria (dor quando urina) e corrimento vaginal amarelo-esverdeado. Na observação ginecológica é possível constatar os sinais de eritema (vermelhidão) e edema (inchaço) da vulva e da vagina, lesões de escoriação (pequenas feridas) da vulva, colo do útero com manchas petequiais (vermelhas) dispersas (colo “framboesa like”) e corrimento vaginal abundante fluido, amarelo ou esverdeado, arejado (espumoso), com cheiro fétido. As situações que alteram o pH da vagina (pH > 5) como ocorre na fase pós-menstrual em que a passagem do sangue reduz a acidez da vagina, levam ao agravamento dos sintomas.

Saiba, aqui, tudo sobre corrimento vaginal.

Cerca de 10 a 50% das mulheres podem ser assintomáticas (sem sintomas) ou podem ter manifestações clinicas pouco típicas, tornando o diagnóstico mais difícil.

Este tipo de infeção limitada às áreas da vulva, vagina e uretra (não complicada) não atinge outros órgãos do corpo, não provocando outro tipo de sintomas (como dor abdominal) e não interfere com a menstruação.

Nos homens a infeção pode ser assintomática contudo, alguns apresentam sintomas de uretrite.

A tricomoníase é contagiosa?

No adulto, esta infeção é transmitida através do contato sexual, ou seja, o contágio ocorre através das relações sexuais acometendo a zona urogenital da mulher (tricomoníase feminina) e o pénis e uretra do homem (tricomoníase masculina).

A tricomoníase é uma Doença Sexualmente Transmissível (DST). Portanto, a forma de contágio desta doença corre através das relações sexuais (passa ou “pega-se” com as relações sexuais).

A mulher ou o homem podem ser portadores assintomáticos da infeção, facilitando também a transmissão da doença.

Diagnóstico da tricomoníase

O diagnóstico da tricomoníase é feito através dos dados clínicos (sinais e sintomas) e laboratoriais.

Na mulher com sintomas característicos da infeção, o exame ginecológico permite confirmar as características do corrimento e caracterizar a vulva, a vagina e o colo do útero. O exame microscópico a fresco em solução salina permite detetar o protozoário flagelado (agente causal da infeção) em 40-80% dos casos, devendo este ser realizado o mais precocemente possível. Outro exame laboratorial que sustente o diagnóstico é o teste Wiff ou das aminas, que consiste na adição de hidróxido de potássio a 10% ao fluido vaginal, numa lâmina de vidro, levando à alcalinização e libertação de um “cheiro a peixe” pelas bactérias anaeróbias. Por fim, o pH do corrimento vaginal é superior a 4,5.

Tricomoníase na gravidez

A tricomoníase também pode ocorrer na gravidez, podendo estar associada a algumas complicações como a rotura prematura de membranas pré-termo, o parto pré-termo e a recém-nascidos de baixo peso.

O tratamento da tricomoníase na mulher grávida está indicado quando sintomática ou se assintomática após as 37 semanas, pelo risco de transmissão da infeção ao recém-nascido. Veja mais informação em tratamento.

Complicações da tricomoníase

A tricomoníase é uma doença infeciosa que quando não tratada ou tratada de forma inadequada pode provocar algumas complicações.

Nos casos em que a infeção inicial é tratada de forma adequada e atempada a mulher fica habitualmente assintomática (não complicada). No entanto, existe um maior risco de reinfeção (a infeção volta a ocorrer) estando recomendada nova reavaliação e vigilância.

Quando a infeção inicial não é tratada ou é tratada de forma inadequada (por falta de adesão ou intolerância à terapêutica), os sintomas podem persistir ou recorrer.

Sempre que os fatores de risco para este tipo de infeção sejam mantidos existe o risco de reinfeção, devido ao não tratamento do parceiro sexual ou pelo contato com um novo companheiro sexual, e que se pode complicar por infeções recorrentes (tricomoníase recorrente ou crónica).

A infeção pela tricomoníase leva a uma alteração do ambiente da vagina o que pode favorecer e facilitar a infeção vaginal por uma grande variedade de agentes bacterianos. Nestes casos, a tricomoníase pode complicar-se com uma infeção vaginal bacteriana. Os riscos associados a esta complicação resultam de possível infeção ascendente (do útero, dos anexos e da cavidade pélvica) que pode ter consequências graves no futuro da fertilidade da mulher (impede ou dificulta a capacidade de engravidar).

Uma vez que este tipo de infeção é transmitido através do contato sexual, existe o risco de haver infeção por outros agentes de transmissão sexual, como o VIH ou a sífilis.

Tricomoníase tem cura?

A tricomoníase tem cura, devendo para tal ser tratada de forma adequada e atempada. O tratamento está indicado para a mulher e para os seus parceiros sexuais uma vez que, tanto o homem como a mulher podem contrair a infeção. Desta forma, pode haver cura da infeção devendo ser adotadas medidas de prevenção para evitar uma nova infeção (infeções de repetição).

Tratamento da tricomoníase

O tratamento da tricomoníase tem como objetivo a destruição do parasita e a normalização do ambiente da vagina, de forma a evitar recidivas (novas infeções). Uma vez que a Trichomonas vaginalis afeta não apenas a vagina mas também outras mucosas urogenitais, o tratamento tópico local (pomada ou creme) pode não ser eficaz, sendo preferencial o tratamento oral (comprimidos).

Está recomendado o tratamento da mulher sintomática e dos seus parceiros sexuais.

O tratamento de eleição é feito com medicamentos (remédios) derivados do imidazol (metronidazol, tinidazol ou secnidazol), em toma única oral (comprimidos). Durante o tratamento, o casal deve evitar relações sexuais até que o homem e a mulher estejam tratados, ou seja, até terminarem a terapêutica e estarem sem sintomas.

Nos casos em que os sintomas persistem após o tratamento deve-se confirmar a adesão ou tolerância ao tratamento instituído previamente. Deve ser também excluída uma reinfeção através do contato sexual com o companheiro sexual que não foi tratado ou através de um novo parceiro sexual. Nas infeções recorrentes deve ser repetido o tratamento com um derivado do imidazol (metronidazol ou tinidazol), toma oral (comprimidos) durante 5 a 7 dias. Na tricomoníase recorrente ou persistente pode estar indicado o tratamento com um antibiótico (eritromicina ou amoxicilina) previamente ao tratamento com metronidazol de forma a tratar a infeção bacteriana coexistente.

O seguimento após o tratamento adequado não está recomendado se o homem e a mulher ficarem assintomáticos. Pelo risco de reinfeção, que pode ser elevado, pode ser aconselhável efetuar uma reavaliação aos 3 meses.

Na gravidez, a tricomoníase deve ser tratada nas grávidas sintomáticas ou depois das 37 semanas, com metronidazol, toma oral única.

A mulher deve tomar a medicação atrás descrita de acordo com a prescrição do seu médico/ médica, na posologia estipulada e até acabar, cumprindo assim o plano terapêutico delineado. É importante esclarecer que a mulher nunca deve automedicar-se e que não existe qualquer tipo de tratamento caseiro ou natural com eficácia comprovada na tricomoníase, pese embora possam ser tomadas algumas medidas preventivas que abordaremos de seguida.

Como se previne a tricomoníase?

Nas situações de infeção vaginal deve ser promovido o tratamento específico e adequado ao tipo de infeção. A higiene íntima genital pode ter indicação para um alívio dos sintomas e deve ser encarada como paliativa (prevenir novas infeções), mas não pode ser considerada como tratamento. No caso da tricomoníase, os produtos de higiene íntima devem ter um pH mais ácido de forma a combater a alcalinização que se verifica nesta infeção.

Atitudes que possam dificultar o tratamento da infeção, promover a sobreposição de outro tipo de infeções ou fragilizar a mucosa da vagina e da vulva devem ser evitadas, como a utilização de penso higiénico e de tampões.

Devem ser evitados os comportamentos sexuais de risco como a promiscuidade sexual (vários parceiros sexuais) e relações sexuais sem utilização de preservativo.

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