Os Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) ocorrem em consequência da falta de oxigenação das células cerebrais, quando o fornecimento de sangue a uma parte do cérebro é interrompido de forma súbita, podendo até ser fatal.
Podem ser de tipo Isquémico, quando um coágulo de sangue obstroi um vaso sanguíneo no cérebro (é o tipo mais comum) ou de tipo Hemorrágico, quando uma artéria no cérebro se rompe, provocando uma hemorragia no interior do tecido cerebral.
O Acidente Vascular Cerebral se não resultar num evento fatal pode deixar lesões mais ou menos graves (alterações cognitivas, sensoriais, motoras e autonómicas temporárias ou definitivas), dependendo da área cerebral afetada.
Estas lesões originam complicações como espasticidade (rigidez muscular involuntária), dor neuropática, limitação da mobilidade, fraqueza muscular e alterações circulatórias e têm um impacto profundo na vida do doente e da sua família.
A recuperação de um AVC (acidente vascular cerebral) exige, por vezes, um processo longo, multidisciplinar e contínuo.
Para além da correção e tratamento dos fatores de risco cardiovascular habitualmente associados (hipertensão, diabetes mellitus, dislipidemia, obesidade e tabagismo), pode-se recorrer a abordagens de reabilitação.
Entre as abordagens complementares à reabilitação intensiva, o tratamento termal, nomeadamente com recurso às águas minero-medicinais das Termas de Chaves, surge como um aliado fundamental.
Sintomas e sequelas nos Acidentes Vasculares Cerebrais
As repercussões de uma lesão vascular cerebral dependem da localização, da extensão e gravidade da lesão (área cerebral afetada) manifestando-se de forma variável de pessoa para pessoa.
Os sintomas e complicações mais frequentes incluem:
- Perda ou diminuição da mobilidade e da força muscular: paresias (perda parcial da força muscular) ou plegias (paralisia – perda do movimento) dos membros;
- Espasticidade e rigidez muscular: contrações involuntárias e hipertonia que dificultam a postura e o movimento;
- Dor crónica e dor neuropática: sensações de queimadura, “picada”, choque ou dor profunda difícil de controlar;
- Alterações da sensibilidade: diminuição / alteração da perceção do toque (hipo ou hiperstesia), dor (hiperalgia) e temperatura;
- Alterações circulatórias e tróficas: edema dos membros inferiores e maior suscetibilidade a rigidez articular.
Estas manifestações comprometem significativamente a autonomia, as tarefas do dia a dia e a qualidade de vida global dos doentes.
Como atua o tratamento termal na recuperação pós AVC?
No contexto das lesões cerebrais pós acidente vascuar cerebral (AVC), o termalismo atua não como um substituto da fisioterapia ou do acompanhamento médico, mas sim como uma terapêutica complementar de valor inestimável. A sua eficácia é maximizada quando integrada num programa contínuo de Medicina Física e de Reabilitação.
O tratamento termal assenta no aproveitamento das propriedades físicas e químicas das águas termais minero-medicinais, como as águas hipertérmicas, bicarbonatadas e hipermineralizadas das Termas de Chaves.
A hidroterapia em ambiente termal tira partido da temperatura da água quente (geralmente entre 34ºC e 38ºC) e das forças físicas de flutuação e pressão hidrostática.
A imersão em água termal proporciona:
- Redução do impacto gravitacional: o corpo "perde peso" na água, facilitando a execução de movimentos que seriam impossíveis no solo;
- Relaxamento neuromuscular profundo: o calor reduz o tónus muscular excessivo e atua diretamente na diminuição da espasticidade;
- Estímulo da circulação sanguínea: a vasodilatação melhora a perfusão tecidular e reduz o edema (inchaço) nos membros afetados;
- Estimulação sensorial: o contacto constante da água morna com a pele proporciona um estímulo propriocetivo e tátil benéfico para a reorganização neuronal.
O meio aquático cria, assim, um ambiente seguro e confortável para a reeducação motora e a manutenção das amplitudes articulares.
Benefícios do tratamento termal na recuperação pós AVC
A aplicação regular de tratamentos termais adequados proporciona múltiplos benefícios nos doentes que tiveram um acidente vascular cerebral, nomeadamente:
- Controlo e alívio da dor crónica e dor neuropática;
- Diminuição da espasticidade e do espasmo muscular;
- Ganho de amplitude articular e prevenção de contraturas fixas;
- Melhoria da circulação periférica e redução de edemas;
- Facilitação do treino de equilíbrio, postura e mobilidade;
- Melhoria da capacidade de marcha e funcionalidade motora
- Redução da necessidade de medicação miorrelaxante e analgésica;
- Melhoria do estado de ânimo, redução do stress e impacto positivo na saúde mental.
As propriedades terapêuticas e anti-inflamatórias das águas das Termas de Chaves oferecem um suporte valioso na recuperação funcional e no conforto diário do paciente.
Evidência científica e eficácia do tratamento termal
Estudos na área da reabilitação neurológica e da hidrologia médica sustentam que a hidroterapia termal tem um impacto positivo substancial no tratamento destes doentes.
A evidência demonstra que a combinação de calor, mineralização e exercício em meio aquático termal contribui para a redução sustentada da dor e da rigidez, com melhorias visíveis na autonomia funcional.
Os resultados variam consoante o nível e extensão da lesão cerebral, o tempo decorrido desde o AVC e a adesão ao plano terapêutico.
O que devo saber antes de iniciar o tratamento?
Antes de dar início a qualquer plano de tratamento termal, é imprescindível realizar uma consulta com um médico hidrologista.
O médico hidrologista fará uma avaliação clínica detalhada da condição neurológica e geral do doente, definindo um plano termal individualizado e seguro, articulado com a restante equipa de reabilitação.
O tratamento termal deve ser encarado como um complemento estruturado ao plano de reabilitação habitual.
Vantagens do tratamento termal face a outras abordagens
Quando comparado ou associado a intervenções exclusivamente farmacológicas ou convencionais, o tratamento termal oferece vantagens claras:
- Abordagem natural, não invasiva e de elevada tolerância;
- Trabalho motor sem dor ou impacto articular graças à flutuação;
- Ausência de efeitos secundários associados ao uso prolongado de fármacos;
- Efeitos benéficos duradouros e progressivos com a realização regular de ciclos termais;
- Melhoria substancial do bem-estar geral e da qualidade de vida global.