A gastrite é uma patologia frequente do aparelho digestivo, caracterizada pela inflamação da mucosa do estômago, podendo apresentar-se de forma aguda ou crónica. Manifesta-se habitualmente por sintomas como dor epigástrica, enfartamento, náuseas, vómitos e dificuldades digestivas. As suas causas são variadas, incluindo infeção por Helicobacter pylori, uso de anti-inflamatórios não esteróides (AINEs), consumo excessivo de álcool e tabaco, fatores dietéticos e doenças auto-imunes..
Para além do tratamento médico convencional e das medidas dietéticas, o tratamento termal surge como uma abordagem complementar com benefícios reconhecidos no controlo dos sintomas e na melhoria da função digestiva, sobretudo em casos de gastrite crónica.
Em que consiste o tratamento termal na gastrite?
O tratamento termal na gastrite consiste no uso terapêutico de águas minerais naturais que, devido à sua composição química específica podem ajudar no alívio de sintomas. Baseia-se na utilização de águas termais, administradas sobretudo por via oral, conhecido como hidropinia (ingestão oral controlada de água termal).
Estas águas, exercem uma ação reguladora sobre a secreção gástrica, protegendo a mucosa do estômago e contribuindo para a redução da inflamação.
O programa terapêutico pode incluir, para além da ingestão de água termal, banhos de imersão com hidromassagem, técnicas de relaxamento e educação para a saúde digestiva com consultas de nutrição, integrando-se numa abordagem global ao utente.
Como funciona o tratamento termal na gastrite?
A ação do tratamento termal na gastrite resulta essencialmente dos efeitos químicos e biológicos das águas mineromedicinais sobre o aparelho digestivo.
As águas bicarbonatadas sódicas como as das termas de Chaves ajudam a neutralizar o excesso de acidez gástrica, reduzindo sintomas.
A ingestão regular e controlada de água termal estimula também a motilidade gástrica e contribui para uma digestão mais equilibrada. Paralelamente, o ambiente termal e o afastamento dos fatores de stress do quotidiano, frequentemente envolvido no agravamento da gastrite pré-existente, têm um impacto positivo.
A hidropinia deve ser realizada em jejum e ou 15-30 min antes ou 3h após refeições diariamente. De uma forma geral inicia-se com uma menor quantidade e aumenta-se progressivamente até dose estável que irá permanecer até ao fim do tratamento.
Em estâncias termais, como a das termas de Chaves, com indicação para patologias do aparelho digestivo, o tratamento é sempre prescrito de forma individualizada, após avaliação médica especializada
Benefícios do tratamento termal na gastrite
O tratamento termal apresenta diversos benefícios no acompanhamento da gastrite, nomeadamente:
- Alívio da dor e do desconforto gástrico;
- Redução da acidez e da sensação de ardor;
- Diminuição da inflamação da mucosa do estômago;
- Melhoria da digestão e da tolerância alimentar;
- Redução da necessidade de medicação sintomática, em alguns casos;
- Promoção do bem-estar geral.
Estes efeitos contribuem para uma melhoria significativa da qualidade de vida do utente, sobretudo em situações de gastrite crónica.
Evidência e integração no plano terapêutico
A hidrologia médica reconhece há várias décadas o papel do tratamento termal nas doenças funcionais e inflamatórias do aparelho digestivo. Estudos clínicos demonstram benefícios da utilização da água termal na regulação da secreção gástrica e na melhoria dos sintomas.
Importa salientar que o tratamento termal não substitui o tratamento médico convencional nem a vigilância gastroenterológica. Deve ser entendido como um complemento terapêutico, integrado num plano global que inclua medicação adequada, correção dos hábitos alimentares e controlo dos fatores de risco.
Cuidados e recomendações antes de iniciar o tratamento termal
Antes de iniciar um programa de tratamento termal para a gastrite, é fundamental uma avaliação médica por um médico hidrologista, em articulação com o médico de família ou gastroenterologista.
A indicação depende do tipo de gastrite, da fase da doença, da existência de úlcera ativa ou outras patologias associadas. Em situações de gastrite aguda, hemorragia digestiva ou úlcera em fase ativa, o tratamento termal pode estar contraindicado.
Quando devidamente indicado, o tratamento termal constitui uma opção natural, segura e eficaz, podendo ser comparticipado pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) e por diversos subsistemas de saúde, assumindo-se como um importante recurso no tratamento integrado da gastrite.