A artrite gotosa é uma doença reumatológica que pode afetar o sistema musculoesquelético no seu todo, abrangendo essencialmente as articulações mas pode ter repercussão sistémica em vários órgãos, sobretudo quando associada a outras patologias como a obesidade ou a hipertensão arterial.
Torna-se conhecida quando surge uma crise aguda a que, popularmente, se chama “gota”, resultante da acumulação de cristais de ácido úrico nos tecidos das articulações.
A “gota” pode acontecer quando há uma baixa eliminação de ácido úrico por parte dos rins ou quando o nosso organismo produz ácido úrico a mais, situação clínicamente conhecida como hiperuricemia.
A hiperuricemia pode ser causada pela ingestão de alimentos com níveis altos de purinas (compostos químicos que formam ácido úrico ao serem metabolizados) mas, a maior parte do ácido úrico no sangue não vem da dieta.
Por motivos desconhecidos, nem todas as pessoas com níveis anormalmente elevados de ácido úrico no sangue (hiperuricemia) desenvolvem gota.
A gota atinge mais frequentemente as articulações dos pés, especialmente a base do hálux (“dedo grande” do pé) provocando dor de intensidade variável, edema (inchaço), rubor (vermelhidão), cansaço e rigidez, com limitação dos movimentos.
Porém pode atingir outras áreas: tornozelos, dorso dos pés, joelhos, pulsos e cotovelos. A gota tende a afetar essas áreas mais frias, já que os cristais de ácido úrico se formam mais rapidamente em áreas frias do que em áreas quentes. A gota raramente afeta as articulações das partes mais quentes e centrais do corpo, como a coluna vertebral, quadris ou ombros.
Diagnóstico e tratamento na artrite gotosa
Um diagnóstico atempado e preciso é essencial para instituir tratamento adequado, controlar a evolução da doença, evitar complicações, aliviar os sintomas (sobretudo na crise aguda de gota) e melhorar a qualidade de vida dos doentes.
O ideal será ter hábitos de vida saudáveis, evitando consumir em excesso alimentos ricos em purinas (carnes vermelhas, marisco, bebidas alcoólicas, especialmente cerveja, e refrigerantes) beber muita água e praticar exercício físico com o objetivo de prevenir também a obesidade ou excesso de peso, a diabetes e o colesterol elevado, que podem aumentar o risco de vir a desencadear uma crise de gota.
A falta de tratamento crónico pode levar à gota tofácea (nódulos de cristais na pele / articulações), deformidades articulares, lesões ósseas e cálculos renais.
Após o diagnóstico, o seu médico assistente deverá iniciar tratamento o mais rápidamente possível. Existe tratamento capaz de retardar a progressão da doença e atenuar os sintomas, nomeadamente a terapêutica medicamentosa (medicamentos), ainda que esta possa ter alguns efeitos secundários.
O tratamento termal é uma excelente opção complementar ou alternativo ao tratamento medicamentoso, com várias vantagens e benefícios para os doentes, conforme explicaremos ao longo deste artigo.
Como funciona o tratamento termal na artrite gotosa?
A água termal, nomeadamente a das Termas de Chaves, contém na sua constituição, determinados minerais terapêuticos com benefícios comprovados em tratamentos de diversas patologias, onde se incluem as patologias reumatológicas.
O termalismo utiliza a água termal numa temperatura elevada (água mais quente que o habitual, entre os 34º e os 38ºC), de modo a relaxar os músculos e aumentar a temperatura das articulações submersas na mesma, tendo um efeito antiinflamatório.
A imersão em água termal provoca vasodilatação (dilatação dos vasos sanguíneos das zonas afetadas), o que aumenta o fluxo de oxigénio e nutrientes para os músculos e articulações, ajudando a reduzir a dor e o desconforto.
A hidroterapia é frequentemente recomendada em casos de doenças reumáticas, uma vez que permite ao doente praticar exercício físico de forma segura e com maior facilidade. A imersão corporal na água reduz o peso e a pressão sobre as articulações, facilitando o movimento e promovendo o relaxamento muscular.
Existe evidência científica de que o tratamento termal é eficaz?
Sim. Diversos estudos clínicos randomizados demonstraram que o tratamento termal é eficaz em várias doenças reumatológicas. Os resultados podem variar em função da patologia existente, da gravidade da doença, das características individuais de cada pessoa, do tipo de tratamento termal realizado e das propriedades específicas das águas utilizadas.
O tratamento termal tem inúmeros benefícios e permite tratar as doenças reumatológicas de uma forma mais natural, com recurso a menos fármacos.
As águas termais quentes e ricas em minerais, como as das Termas de Chaves, são particularmente indicadas para doenças reumatológicas, como a artrite gotosa, pois diminui a inflamação articular, aliviando a dor nas zonas afetadas de uma forma natural.
A combinação de diferentes métodos terapêuticos pode também contribuir para melhores resultados. Por exemplo, a associação da hidroterapia com técnicas de Medicina Física e de Reabilitação (fisioterapia), entre outras, tende a proporcionar efeitos mais duradouros e eficazes.
Benefícios do termalismo na artrite gotosa
O tratamento termal proporciona múltiplos benefícios e permite abordar as doenças reumatológicas de forma natural, recorrendo a menos fármacos (medicamentos).
A água termal das Termas de Chaves, com características (hipertérmica e hipermineralizada), contribui para aliviar os sintomas destas doenças, reduzindo a inflamação articular e atenuando a dor nas zonas afetadas.
Existem, ainda, diversas vantagens e benefícios relacionados com o termalismo no tratamento das doenças reumatológicas, a saber:
- Relaxamento dos músculos e articulações;
- Melhoria da mobilidade articular, aumentando assim a flexibilidade nas zonas afetadas;
- Melhoria do sono;
- Melhoraria da qualidade de vida do doente.
O que devo saber antes de iniciar o tratamento?
Como se trata de uma doença crónica, esta patologia exige acompanhamento médico regular ao longo de toda a vida. É fundamental procurar aconselhamento médico antes de iniciar um tratamento termal e manter as consultas de seguimento no seu médico assistente.
Na maioria das situações, o tratamento termal revela maior eficácia quando realizado de forma regular e durante períodos prolongados, o que contribui para retardar a progressão da doença e melhorar o bem-estar geral do doente.
Após avaliação em consulta, o médico hidrologista definirá um plano de tratamento termal adequado, que poderá ser combinado com outras terapias, de modo a potenciar os resultados. O sucesso do tratamento varia de pessoa para pessoa e depende do tipo e da gravidade da doença, bem como das características da água termal e das técnicas aplicadas.
Por fim, de salientar que as águas termais quentes e hipermineralizadas, como as das Termas de Chaves, continuam a ser as mais indicadas para patologias reumatológicas, como a artrite gotosa.